Champions League

O Liverpool se tornou o primeiro inglês com 100% na fase de grupos da Champions e provocou uma melancólica despedida do Milan

O Liverpool jogou com vários reservas no San Siro e, mesmo assim, buscou a virada contra um Milan que precisava da vitória para se classificar

O Liverpool não encontrou adversários nesta Champions League, mesmo num grupo cheio de clubes tradicionais. Já garantidos na liderança e poupando titulares, os Reds derrotaram o Milan no San Siro por 2 a 1 e mantiveram os 100% de aproveitamento – algo até então inédito a clubes ingleses. Se o resultado sublinha a força da equipe de Jürgen Klopp mesmo quando uma acomodação soaria natural, por outro lado a derrota recai com pesar sobre os milanistas. Os líderes da Serie A jogavam pela classificação e, apesar de abrirem o placar, passaram longe de dominar o encontro como se pedia. Pior, tomaram a virada e o esboço de reação seria bem tardio, sem resultado. Era de se esperar uma volta à Champions difícil aos rossoneri e a equipe se portou bem mesmo sem engrenar nos resultados, mas a forma como o resultado se sucedeu nesta terça decepciona.

Precisando do resultado, o Milan tinha uma série de desfalques, mas escalou um time competitivo. Zlatan Ibrahimovic comandava o ataque, apoiado por Júnior Messias, Brahim Díaz e Rade Krunic. Mais atrás, outros destaques como Mike Maignan, Fikayo Tomori, Theo Hernández, Franck Kessié e Sandro Tonali apareciam. Já o Liverpool tinha Mohamed Salah e Sadio Mané, além de Alisson, como protagonistas. A equipe vinha recheada de jogadores normalmente reservas, com Divock Origi ganhando outra chance no ataque, enquanto Ibrahima Konaté liderava a defesa.

Os primeiros minutos mostraram como o Liverpool não se acomodaria no jogo. Os Reds buscavam o ataque e chegariam a registrar as primeiras finalizações, sem dificuldades a Maignan. Do outro lado, Alisson seria testado pela primeira vez numa cabeçada de Tomori. No entanto, o Milan demorou a acertar seu jogo e a se fazer mais presente no campo ofensivo. Apesar de certo equilíbrio, os ingleses ainda mantinham um volume de jogo maior e pareciam mais interessados no resultado. Aos 20, Konaté daria um aviso em cabeçada para fora.

O Milan cresceu a partir dos 25, quando os contra-ataques ofereceram os melhores momentos da equipe. Ibrahimovic seria bloqueado aos 28, mas o escanteio rendeu o primeiro gol. Após a cobrança fechada, Takumi Minamino não afastou e Alisson salvou quase em cima da linha. O rebote, porém, permaneceu na área e Tomori guardou com facilidade. Mas não que o gol concedesse tanto sossego aos milanistas, com as respostas imediatas dos visitantes.

O Liverpool voltaria a arriscar numa batida de Origi, que Maignan defendeu em dois tempos. Tomori bloqueou um tiro de Oxlade-Chamberlain, mas logo a insistência dos Reds rendeu o empate aos 36. Alex Oxlade-Chamberlain arrematou de novo, Maignan espalmou para frente e Salah concluiria com a meta a seu prazer para marcar. Entretanto, a pressão dos ingleses diminuiria nos minutos finais do primeiro tempo e os italianos também não ofereceriam muitas respostas. Quando o Milan chegava, a defesa adversária mantinha certa firmeza.

O segundo tempo até parecia retornar favorável ao Milan, mas logo o Liverpool recuperou a posse de bola e buscou a virada. Maignan defenderia a tentativa de Salah aos oito, dois minutos antes da vitória se desenhar. Tomori errou o domínio e entregou a bola nos pés de Mané, que mandou um foguete e parou numa linda defesa de Maignan. O rebote sobraria para o iluminado Origi cabecear de imediato no canto e não dar chances ao goleiro. Neste momento, saía também o primeiro gol do Atlético de Madrid, que deixava os milanistas na lanterna do Grupo B.

Estava claro como o Milan fazia um jogo muito aquém das necessidades e logo Stefano Pioli realizou alterações, com Ismaël Bennacer e Alexis Saelemaekers entrando na equipe. Um sinal positivo veio em boa jogada de Júnior Messias para Krunic mandar para fora. Ainda assim, o Liverpool seguia confortável, mesmo reforçando a marcação, bem como sacando Salah e Mané. Origi quase marcou mais um aos 25, numa cabeçada que passou muito próxima da trave. Os rossoneri pareciam nem ter consciência de que a virada bastaria para a classificação, naquela altura dos jogos.

O Milan ainda deu seus últimos suspiros durante os 15 minutos finais. Alisson se anteciparia bem num lance, antes que Ibrahimovic mandasse uma bicicleta torta para fora. A jogada mais importante aconteceu aos 40, quando Kessié saiu de frente com Alisson e tentou bater por cima, mas o goleiro salvou com o peito. A partir desse momento, uma reviravolta parecia improvável, por mais que os milanistas não se entregassem. Faltou adotarem tal postura ativa bem antes. Os rossoneri fizeram algumas boas atuações nesta Champions, mas tal derrota em casa para o Liverpool marca a melancolia desta lanterna.

O Liverpool fecha o Grupo B com sua campanha perfeita, ao somar 18 pontos, mais que o dobro de qualquer outro concorrente. Ao Milan, restou a quarta colocação, com quatro pontos, um a menos que o Porto (na Liga Europa) e três a menos que o Atlético de Madrid, o segundo classificado às oitavas da Champions. Uma virada simples ainda bastaria aos rossoneri, pelo saldo. Ficou a impotência dentro de seus próprios domínios.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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