Champions League

O inconstante United desta vez mostrou sua melhor face contra o Basaksehir

A inconstância tem marcado este início de temporada do Manchester United. Capaz de derrotas catastróficas, como a goleada sofrida para o Tottenham em casa por 6 a 1 e o revés por 2 a 1 para o Basaksehir, o time inglês desta vez mostrou sua melhor face, vencendo o mesmo Basaksehir por 4 a 1, nesta terça-feira (24), pela quarta rodada da fase de grupos da Champions League.

Como tem sido praxe desde que chegou ao clube na janela de inverno no início do ano, Bruno Fernandes foi o grande destaque individual do triunfo, quase todo ele construído ainda no primeiro tempo. O português esteve bastante ativo nas ações ofensivas, seja criando oportunidades aos companheiros ou aparecendo para definir as jogadas. Autor de dois gols, foi peça primordial para o bom resultado e a boa atuação dos Red Devils.

Ainda aos sete minutos de jogo, Fernandes pegou sobra de escanteio de Alex Telles e, da entrada da área, bateu forte, no alto, para marcar um golaço e fazer 1 a 0, sem chances de defesa a Günok.

Titular apenas pela terceira vez desde que chegou ao Old Trafford, Donny van de Beek deu um belo argumento a quem defende que o neerlandês suba na lista de opções de Ole Gunnar Solskjaer para o meio de campo. Ao lado de Fred, ofereceu maior qualidade na saída de bola e melhor chegada ao ataque do que McTominay ou Matic vinham oferecendo, por questão de características. Sua inteligência para se posicionar em campo, dando opções de passe aos companheiros e ajudando a desmontar a organização defensiva do Basaksehir, foi parte importante do jogo ofensivo fluido mostrado pela equipe da casa sobretudo na primeira etapa – reforçado também pela presença de Cavani no ataque, fazendo sua primeira partida como titular.

Na primeira grande jogada coletiva do jogo, aos 12 minutos, Van de Beek deu um belo passe entre as linhas adversárias para Bruno Fernandes, que tabelou com Cavani e abriu com Rashford, pela direita. O camisa 10 bateu na saída do goleiro e balançou a rede, mas estava um pouco à frente do último defensor e viu seu tento anulado por impedimento.

No lance seguinte, mais uma excelente trama dos Red Devils. Fernandes tocou para Cavani, que fez o pivô e recuou para Van de Beek. O meia acionou de primeira Fernandes, que chutou da intermediária e levou perigo, mandando a bola à direita do gol.

Ainda que relativamente controlado pelo United e reativo ao jogo dos anfitriões, o Basaksehir conseguia se lançar por vezes ao ataque e, diante de uma defesa um tanto vulnerável, criava sua oportunidades com boas subidas de Ozcan, Demba Ba e sobretudo Edin Visca.

O Manchester United, entretanto, estava sedento por mais. Aos 19 minutos, Alex Telles cruzou uma bola com veneno para dentro da área, Günok saiu para ficar com ela, mas errou terrivelmente e soltou no pé de Fernandes, que não perdoou: 2 a 0.

Aproveitando as linhas avançadas do Basaksehir, que buscava voltar ao jogo, o United chegou a seu terceiro gol. Aos 33 minutos, Rashford foi lançado desde a defesa por Lindelof, ganhou na velocidade e foi derrubado dentro da área. Depois da checagem do VAR confirmar a marcação do árbitro, Bruno Fernandes abriu mão de seu hat-trick, deu a bola a Rashford, e o atacante converteu.

Mesmo com o resultado altamente favorável, o time de Solskjaer seguiu pressionando por mais. Aos 39 minutos, Martial percorreu o campo adversário em velocidade e tocou dentro da área para Bruno Fernandes, em profundidade, e o português parou em boa defesa de Günok. Quatro minutos mais tarde, Rashford acertou um lindo passe rasteiro e entre as linhas para o português, que dividiu com o goleiro e não conseguiu finalizar como queria.

Demba Ba incomodou a defesa do United na reta final do primeiro tempo com sua excelente presença de área e o bom posicionamento característico de um centroavante tão experiente, entretanto sua melhor chance acabou desviando em Maguire e indo pela linha de fundo.

No segundo tempo, o ritmo do Manchester United caiu significativamente. Aos 14 minutos, com o resultado teoricamente já garantido, Solskjaer decidiu que era hora de preservar seus jogadores em meio a um calendário tão lotado. Dan James, Brandon Williams e Mason Greenwood entraram nos lugares de Rashford, Wan-Bissaka e Bruno Fernandes. Na volta do intervalo, lesionado, Lindelof havia sido substituído por Tuanzebe.

Aos 30 do segundo tempo, Deniz Turuç bateu falta venenosa, forçando De Gea a uma difícil defesa – acontece que era difícil demais. O espanhol até alcançou a bola para espalmar, mas ela já havia ultrapassado a linha.

Impulsionado pelo gol de honra, o Basaksehir se lançou ao ataque e causou algum nervosismo ao United. As chances se multiplicavam, e, na melhor delas, aos 35, Edin Visca chutou de esquerda e acertou o travessão de De Gea.

Sem conseguir voltar à disputa de fato, o Basaksehir deixou espaços atrás, e nos acréscimos, aos 47 do segundo tempo, o United chegou ao gol derradeiro. Van de Beek deu um bom passe para Greenwood pela ponta direita, e o atacante foi solidário, passando para o meio da área, onde Dan James aparecia sozinho. Com tranquilidade, o galês bateu na saída de Günok e fechou o placar em 4 a 1.

Com o resultado, o United mostrou uma boa recuperação à derrota por 2 a 1 na rodada passada para o mesmo Basaksehir, alcançando nove pontos e se isolando na liderança do Grupo H, com três a mais que PSG e RB Leipzig.

O encontro desta terça-feira deixa alguns recados a Solskjaer: Van de Beek já esperou demais e merece uma sequência de jogos como titular para mostrar que pode entregar com alguma consistência o tipo de atuação que entregou nesta noite; Cavani tem tudo para ser importante ao longo da temporada; e Alex Telles precisa manter seu espaço no time mesmo quando Luke Shaw retornar de lesão.

O desafio agora para treinador norueguês é conseguir manter o mesmo nível de desempenho no fim de semana, quando o United visita o Southampton, quinto colocado da Premier League – desafio este que até agora tem se provado bastante duro para esta equipe de altos e baixos significativos.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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