Champions League

O Estrela Vermelha celebrou sua história, no caloroso retorno à Champions após 26 anos

Havia uma expectativa enorme sobre a estreia do Estrela Vermelha na fase de grupos da Champions League. Os campeões continentais de 1990/91 não disputavam as etapas principais do torneio desde 1991/92, quando caíram no quadrangular semifinal. Assim, não era apenas um reencontro dos alvirrubros com a sua história, mas também da própria torcida com a competição que tanto gosta de proclamar como maior glória. Cerca de um milhão de pessoas tentaram comprar ingressos aos três jogos da chave. Então, nesta terça, mais de 55 mil puderam lotar as arquibancadas do Estádio Rajko Mitic, o popular Marakana, para empurrar os anfitriões. Deu até para aplaudir o resultado, num digno empate por 0 a 0 contra o Napoli. Porém, o que valeu mesmo foi a festa, perdurando por mais de 90 minutos.

Meia hora antes da partida, aconteceu um momento especial no Marakana. Boa parte dos jogadores campeões continentais em 1991 estiveram em campo. Carregaram a réplica da taça que fica com o Estrela Vermelha e deram uma volta olímpica simbólica, bastante saudados pelos torcedores. Protagonistas daquela campanha, como Sinisa Mihajlovic, Dejan Savicevic e Miodrag Belodedici estiveram presentes. Só uma prévia do que ocorreria depois.

A recepção aos times foi de arrepiar. Os bandeirões foram deixados de lado por um momento, para que emergisse um mosaico que tomava a volta completa do estádio. Destaque para o símbolo atrás de um dos gols, com a taça da Champions reluzindo entre papéis prateados. Além disso, a cantoria dos alvirrubros não cessou por um segundo sequer. A atmosfera tomava o ambiente e tornava o jogo um mero adereço – até porque as emoções estiveram em falta.

O Napoli não fez sua melhor exibição, mas dominou o jogo em Belgrado. Durante o primeiro tempo, Lorenzo Insigne estalou o travessão, enquanto Milan Borjan realizou boas defesas para segurar o placar. Já na segunda etapa, Mário Rui também esbarraria no poste, enquanto o Estrela Vermelha salvaria uma bola em cima da linha. Do outro lado do campo, ao menos, os sérvios deram um pouco mais de trabalho a David Ospina, mesmo sem superar o goleiro napolitano. O ponto conquistado já vale um pouco da honra, diante da chave em que são completos azarões – aguardando ainda Liverpool e Paris Saint-Germain.

O Estrela Vermelha disputa essa Champions não pela vaga nos mata-matas ou pela repescagem na Liga Europa. Se acontecer, lógico, não vão reclamar. Mas o grande interesse dos alvirrubros no torneio é o orgulho. O gosto de se colocar de novo entre os maiores do continente e, quem sabe, atrapalhar um rival com mais força atualmente – mas não necessariamente mais história. O Napoli sucumbiu desta maneira. O que basta para o Marakana lotar mais uma vez e os torcedores cantarem mais alto no próximo compromisso.O passado é o que reluz.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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