Champions League

O Dortmund bem que lutou, mas o Manchester City forçou a virada e, pela primeira vez com Guardiola, vai à semifinal

Aurinegros saíram em vantagem no Signal Iduna Park, mas o City pressionou e selou a esperada classificação

O Borussia Dortmund se permitiu acreditar. Que o sorteio apontasse para uma provável eliminação, com o cruzamento diante do embaladíssimo Manchester City, os aurinegros não deixaram de lutar nas quartas de final da Champions League. O empenho permitiu que as distâncias diminuíssem, mas não que a superioridade dos celestes fosse sobreposta. A derrota por 2 a 1 em Manchester já tinha sido amarga pelo gol que o Dortmund concedeu no fim e, dentro do Signal Iduna Park, os anfitriões foram claramente melhores durante os primeiros minutos. Imprimiram um ritmo mais forte e saíram em vantagem. Todavia, por mais que tenha adiado a reação do City, o BVB não conseguiu impedi-la e pagou por erros pontuais. Com a nova vitória por 2 a 1, os Citizens voltam a uma semifinal de Champions após cinco anos, na melhor campanha sob as ordens de Pep Guardiola.

O Borussia Dortmund repetiu a escalação do jogo de ida. Jadon Sancho seguia indisponível, como principal desfalque dos aurinegros. Mats Hummels e Marco Reus, que eram dúvidas, foram para campo. Enquanto isso, Edin Terzic ainda confiava em garotos como Mateu Morey e Ansgar Knauff. O Manchester City, por sua vez, só trocava Oleksandr Zinchenko no lugar de João Cancelo na lateral esquerda. Pep Guardiola apostava outra vez numa formação de muita mobilidade e sem um atacante de referência, com Kevin de Bruyne ocupando o posto de falso 9, com Phil Foden, Riyad Mahrez e Bernardo Silva no apoio.

Se a atuação do Dortmund no Estádio Etihad tinha sido valente o suficiente, o mesmo se notou no Signal Iduna Park, com uma intensidade ainda maior. Os aurinegros começaram a partida mandando em campo e buscando o resultado. A equipe marcava com muita força desde seu campo de ataque e acelerava nas trocas de passes, com toques verticais. Assim, o Manchester City permanecia um tanto acuado, mesmo tentando responder na marcação, e as chances se acumulavam de um só lado.

Mahmoud Dahoud aparecia bastante, não apenas por sua capacidade de marcação, mas também pela aproximação do ataque. Foi dele a primeira finalização, aos sete, mas Ederson defendeu. E a velocidade do Dortmund garantiu o primeiro gol aos 15. A jogada começou com um excelente lançamento de Emre Can para Erling Braut Haaland no ataque. O centroavante passou para trás e Dahoud carimbou Rúben Dias. Na sobra, Jude Bellingham conseguiu limpar o lance na entrada da área e bateu com categoria, tirando do alcance de Ederson. O garoto, que já tinha sido um dos melhores em campo na ida, voltava a aparecer bem na volta.

O gol não foi suficiente para acordar o City de imediato. O segundo tento do Dortmund ainda poderia ter saído na sequência, em cabeçada livre de Manuel Akanji. Ederson defendeu com segurança. Entretanto, aos poucos, os celestes passaram a exercer seu domínio e a empurrar os aurinegros para trás. A partir dos 20 minutos, os Citizens já se impunham no campo de ataque e passavam a procurar brechas. Não era uma atuação tão virtuosa da equipe, sem que as individualidades aparecessem tanto e faltando mais urgência nas conclusões. Mas, pelo talento à disposição, logo a reação começou a se desenhar. O recuo de De Bruyne para armar o time ajudou bastante.

O Dortmund pode se considerar com sorte de não tomar o empate antes do intervalo, porque as chances surgiram. De Bruyne foi o primeiro a assustar, aos 25. Depois de recuperar a bola na entrada da área, o belga estalou o travessão. Bernardo Silva mandou para fora no rebote. Pouco depois, Morey salvou um passe de De Bruyne para Foden na área. Já aos 32, Bellingham ainda tirou uma bola quase em cima da linha, quando Mahrez já tinha tirado do alcance de Marwin Hitz. O goleiro também pegaria uma cabeçada de Zinchenko. Do outro lado, até o intervalo, os aurinegros dependeram de espasmos. Até encaixaram um contra-ataque ou outro, mas sem conseguir ações tão contundentes quanto nos primeiros minutos. Ao menos, a disciplina se mantinha na marcação e conseguia segurar a blitz inglesa.

Os times não voltaram com substituições para o segundo tempo e a história seguiu sob o mando do Manchester City. Os celestes insistiam e passaram a aproveitar mais as bolas aéreas. E na tentativa de encontrar uma oportunidade, o City ganhou um pênalti aos sete minutos. Emre Can foi muito imprudente ao cabecear uma bola com o braço aberto e provocar o próprio toque. O VAR manteve a marcação do campo e, na cobrança, Mahrez chutou firme para superar Hitz, que ainda se aproximou da bola. Neste momento, a situação do Dortmund não se complicava tanto, faltando um gol para forçar a prorrogação. Mas o bom futebol do primeiro tempo não se repetiria.

O Borussia Dortmund cometia mais erros e sofria mais com os perigos causados pelo Manchester City. Emre Can vivia uma jornada bastante infeliz, enquanto De Bruyne gerava os principais lances do outro lado. Os celestes, além do mais, podiam administrar melhor sua vantagem sem tanta pressa. Os aurinegros até tentavam escapar ao ataque, mas sem encaixar tão bem seus avanços, com uma marcação colada. Somente aos 24 minutos é que os alemães voltaram a ameaçar, mas a cabeçada de Hummels após cobrança de falta foi para fora. Knauff deu lugar a Giovanni Reyna, antes que Thorgan Hazard entrasse na vaga de Dahoud.

Nos 20 minutos finais, o Dortmund voltou a ficar mais com a bola e avançou em campo. Não significava, porém, que o Manchester City enfrentasse tantos problemas. Os contragolpes celestes se tornavam mais numerosos e poderiam ajudá-los a resolver a parada. O gol da classificação veio aos 30, depois de Hitz salvar um chute de De Bruyne, em grande lance individual, e conceder um escanteio. Na cobrança curta, Foden recebeu o passe na entrada da área e chutou firme, no cantinho. Com a visão encoberta, Hitz não chegou a tempo. Neste momento, o BVB dependia de mais três gols. Julian Brandt e Steffen Tigges entraram, mas o estrago estava feito. O jogo cairia de ritmo e os alemães não apresentaram muitas forças à reação. O terceiro do City era até mais provável, com contra-ataques desperdiçados, mesmo depois da entrada de Raheem Sterling.

O Borussia Dortmund se despede da Champions de cabeça erguida. O melhor do clube na temporada veio na competição e, em especial, contra o Manchester City. E essa inconstância na Bundesliga pode custar caro aos aurinegros nos próximos meses, com a perda de possíveis destaques. As quartas de final reforçam como Jadon Sancho é importante ao time, sobretudo pela forma como Haaland foi bem marcado, mesmo participando da construção dos dois gols. Quem sai mais em alta pelos serviços prestados é Jude Bellingham, com muita maturidade nos 180 minutos. Mas a luta dos aurinegros acabou se tornando insuficiente, mesmo contendo todo o furor que se esperava dos celestes.

O Manchester City, por sua vez, derruba uma barreira importante nas quartas de final da Champions. A equipe não foi brilhante, como havia acontecido em outras eliminações de Pep Guardiola, mas soube conter a vontade dos adversários e construiu o resultado quando necessário, mesmo sob pressão de corresponder. Kevin de Bruyne foi o grande nome do duelo, enquanto Ilkay Gündogan e Phil Foden se saíram muito bem. Além disso, Rúben Dias e John Stones deram conta de Haaland na maior parte do tempo. As preocupações na próxima fase aumentam, encarando um Paris Saint-Germain de maiores talentos e maiores recursos que o Dortmund. Ainda assim, este é o momento para o City se provar.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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