Champions League

O Club Brugge estragou a badalada estreia do PSG, com uma partidaça para segurar o trio de craques e ainda quase arrancar a virada

Club Brugge fez uma partida bastante agressiva, enquanto o PSG não encontrou seu ritmo e dependeu de Navas para sair com o empate

O Paris Saint-Germain escalou pela primeira vez seu estelar ataque com Messi, Neymar e Mbappé. A estreia da trinca de craques na Champions League, porém, seria bastante decepcionante. Os parisienses fizeram uma partida morna na visita ao Estádio Jan Breydel, na Bélgica. Os astros tiveram um lampejo ou outro, mas pouco se entenderam durante os 90 minutos. E a atuação ruim do PSG não diminui a partidaça do Club Brugge. O “primo pobre” do Grupo A flertou com a vitória em diferentes momentos. A equipe dirigida por Philippe Clement marcou muito bem, encarou os favoritos sem temor e criou mais chances claras. Não fosse Keylor Navas, o resultado para os franceses seria pior que o 1 a 1 final do placar.

Foi a primeira vez que Mauricio Pochettino usou juntos os seus três principais destaques. Lionel Messi, Kylian Mbappé e Neymar formavam a linha de frente, na equipe que tinha Ander Herrera, Leandro Paredes e Georginio Wijnaldum compondo o meio-campo. Enquanto isso, Keylor Navas se mantinha no gol, sem que Gianluigi Donnarumma estreasse na Champions. Do outro lado, Noa Lang e Charles De Ketelaere eram as principais apostas no setor ofensivo do Club Brugge, além da tarimba do capitão Hans Vanaken.

Durante os primeiros minutos, o PSG tinha controle da posse, sem apresentar muito entrosamento na frente. Enquanto isso, o Club Brugge não demorou a mostrar suas credenciais. Os anfitriões adiantavam sua marcação, com uma surpreendente postura agressiva. E já deram seu aviso. Numa cobrança de escanteio, quase os franceses se complicaram, mas De Ketelaere pegou sem força e Navas defendeu. Apesar do susto, os parisienses abriram o placar aos 16 minutos. Mbappé fez grande jogada para cima de Clinton Mata e cruzou para Ander Herrera definir dentro da área, tirando do alcance de Simon Mignolet.

O momento parecia favorecer o PSG. Mignolet faria grande defesa diante de Mbappé na sequência, em lance iniciado por Messi. Porém, os franceses concediam muitos espaços atrás, sobretudo nas laterais, e pagaram caro por isso. O empate do Club Brugge saiu logo aos 27. Após ótima ultrapassagem pela esquerda, Eduard Sobol cruzou rasteiro e Vanaken apareceu para concluir de primeira, encontrando enorme brecha diante da lenta recomposição dos oponentes. O chute desviou em Presnel Kimpembe e tirou Navas da jogada, morrendo nas redes. Apesar do baque, Messi teve seu primeiro grande lance na resposta. O craque bateu da entrada da área e carimbou o travessão de Mignolet. Todavia, a reação dos visitantes não passaria disso.

Os 15 minutos finais do primeiro tempo seriam amplamente dominados pelo Club Brugge, que mordia na marcação e atacava com vigor. Não fosse Keylor Navas, a virada teria saído. O goleiro realizou uma defesaça aos 32, buscando no cantinho uma falta cobrada por Vanaken. Os belgas se impunham no campo de ataque e de novo o arqueiro seria exigido, agora para salvar uma batida forte de De Ketelaere que tinha endereço. Acuado, o PSG não conseguia encaixar suas jogadas e os três craques mal apareciam.

Para o segundo tempo, Pochettino mandou a campo Julian Draxler e Danilo Pereira, mudando a configuração no meio-campo nos lugares de Paredes e Wijnaldum. Contudo, o Brugge seguia com a faca entre os dentes e pressionava. Navas faria mais uma defesa primordial, ao fechar o ângulo de Noa Lang. Depois, Jack Hendry apareceu livre para finalizar dentro da área e acabou carimbando Kimpembe. Como se não bastasse, Mbappé se lesionou e deu lugar a Mauro Icardi aos seis minutos. Somente depois disso os parisienses respirariam, mas Sobol travaria Icardi em jogada do apagado Neymar.

A partida continuou aberta, entre um Club Brugge em grande intensidade e um PSG que demorava a encontrar seu ritmo. De Ketelaere dava muito trabalho à marcação adversária e quase criaria outra ocasião para a virada. Enquanto isso, os parisienses se limitavam a espasmos. Messi muitas vezes vinha buscar a bola mais atrás e só voltaria a levar perigo aos 25, num chute que Mignolet espalmou. Na resposta, Noa Lang tentou marcar um golaço de bicicleta e mandou com perigo para fora.

A entrada de Nuno Mendes dava mais vigor ao PSG pelo lado esquerdo e a equipe melhorou a partir dos 30 minutos, com o fôlego renovado. Faltava acertar as jogadas, com um ótimo passe de Nuno Mendes isolado por Messi na conclusão. O Club Brugge dava sinais de desgaste e encontrava dificuldades para ameaçar novamente. Já os parisienses ficavam mais tempo no campo de ataque, mas girando a bola sem a efetividade necessária. Icardi, sobretudo, colecionava impedimentos. E na apatia durou até o fim, sob vaias dos torcedores belgas e um espírito de luta que prevaleceu no time da casa até o apito derradeiro.

O Club Brugge mostra como não haverá jogo ganho de véspera no Grupo A. Os bicampeões belgas fizeram boas aparições recentes na Champions e, nesta primeira rodada, apresentam uma organização maior que o RB Leipzig. O PSG aprendeu a lição e perdeu pontos, quando uma derrota dos favoritos seria até compreensível por aquilo que se viu em campo na Bélgica. Quem esfrega as mãos é o Manchester City, mais contundente na estreia e pronto para bater de frente com os franceses pela primeira colocação.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo