Champions League

O Chelsea começou melhor, mas o Real Madrid buscou a igualdade e a definição fica para a volta

Num jogo que foi de mais a menos, os dois times não se expuseram tanto na reta final do empate por 1 a 1

Real Madrid e Chelsea deixarão para resolver o classificado à decisão da Champions League na próxima semana, em Londres. Nesta terça, dentro do Estádio Alfredo Di Stéfano, a igualdade prevaleceu. Os Blues tiveram mais presença ofensiva e capitalizaram no excelente início para abrir o placar. Os merengues, por outro lado, contaram com o poder de decisão de Karim Benzema e acertaram sua marcação no segundo tempo. O empate por 1 a 1 não ofereceu um jogo tão intenso, com o ritmo caindo na metade final e os destaques individuais se concentrando no setor defensivo. Se o resultado fora de casa parece satisfatório ao Chelsea, também não é tão ruim ao Real Madrid dentro das circunstâncias da noite, considerando que o encaixe dos visitantes foi melhor.

O Real Madrid apostava mesmo numa formação com três zagueiros. Sem que Sergio Ramos estivesse em condições, o setor foi composto por Éder Militão, Raphaël Varane e Nacho, à frente da meta protegida por Thibaut Courtois. Marcelo e o recuperado Dani Carvajal apareciam nas alas, com a trinca central alinhada com Casemiro, Luka Modric e Toni Kroos. Já na frente, Karim Benzema se combinava com Vinícius Júnior. O Chelsea vinha igualmente com três atrás. Édouard Mendy era o goleiro, com o trio de zaga reunindo Andreas Christensen, Thiago Silva e Antonio Rüdiger. No meio, Jorginho e N’Golo Kanté tinham a companhia de Mount na ligação, com Ben Chilwell e César Azpilicueta nas alas. Mais à frente, Timo Werner e Christian Pulisic.

A partida se concentrava no meio-campo durante os primeiros minutos, mas logo o Chelsea mostrou quem ditava o ritmo. Os Blues ficavam mais com a bola e se mostravam bem mais ligados no jogo. A defesa do Real Madrid não estava suficientemente protegida e as chances de gol apareceram cedo. O tento poderia ter vindo aos 10, num ótimo contragolpe puxado por Mount. O jovem arrancou pela esquerda e cruzou para o segundo pau, onde Pulisic ajeitou de cabeça. Werner, então finalizou com liberdade, mas não olhou o posicionamento de Courtois e carimbou o goleiro. Foi uma defesaça, mas o atacante poderia ter finalizado melhor. Ao menos, o erro não custaria tão caro, com o placar aberto quatro minutos depois.

A jogada nasceu num excelente lançamento de Rüdiger. O zagueiro achou Pulisic nas costas da marcação e o atacante invadiu a área. Com a defesa merengue preferindo proteger a linha do gol, o americano ficou de frente com Courtois e teve tempo suficiente para driblar o goleiro, antes de definir à meta aberta, sem que ninguém conseguisse salvar. O gol premiava a intensidade do Chelsea, que poderia fazer uma atuação mais controlada com a vantagem, explorando melhor a velocidade de seu ataque.

O Real Madrid ficaria um pouco mais com a bola nos minutos seguintes. Tinha dificuldades para abrir a marcação do Chelsea e errava muitos passes. Enquanto isso, cada subida dos Blues parecia pronta a causar perigo, com a aceleração máxima dos três atacantes e a defesa madrilena exposta. Os merengues só tiveram um respiro quando sobrou um espaço para Benzema arriscar de longe e, com uma batida colocada, o atacante carimbou a trave aos 23. Ainda assim, era mais uma iniciativa mais individual que coletiva. Os Blues quase sempre matavam as jogadas dos adversários na intermediária, com uma marcação bem compacta.

Se o jogo parecia ruim ao Real Madrid, Benzema mais uma vez aliviou a barra de seus companheiros. Aos 29, o centroavante achou uma brecha ao empate. Depois do escanteio, Marcelo cruzou, para Casemiro e Militão disputarem a bola no alto. Mesmo cercado por adversários, Benzema dominou de cabeça e emendou uma chicotada para o fundo da rede, sem chance de reação a Mendy. Os merengues ganharam confiança com o tento e Kroos arriscaria um chute para fora. Porém, logo o equilíbrio voltaria, com o Chelsea travando novamente o meio. A chuva também deixava o embate mais pegado. Antes do intervalo, rolaram duas escapadas de Werner, sem sucesso na conclusão.

O segundo tempo recomeçou num cenário parecido com o primeiro: o Chelsea apertava a marcação e não permitia que o Real Madrid progredisse muito. Ao menos, a defesa merengue não se mostrava tão exposta, conseguindo evitar os riscos diante da superioridade dos londrinos. A velocidade dos Blues não era tão grande, ainda que N’Golo Kanté fizesse uma partida monstruosa na meia-cancha, se multiplicando entre os combates e as transições. As primeiras mudanças vieram apenas aos 20. Zinédine Zidane mandou Eden Hazard no lugar de Vinícius Júnior. Já Thomas Tuchel apostaria em Hakim Ziyech e Kai Havertz nas vagas de Pulisic e Werner, enquanto Reece James substituiu César Azpilicueta – sentindo dores.

As mudanças teriam um pouco mais de impacto no Chelsea, que seguia em seu momento ofensivo, mas parava nos esforços da marcação do Real Madrid. Os merengues chegavam mais duro nas divididas e não concediam espaços para finalizações tão claras dos Blues. Militão era um porto seguro no setor. E se o Real precisava apresentar mais na frente, viria com outras duas trocas aos 32: Álvaro Odriozola e Marco Asensio eram as novidades, mandando ao banco Carvajal e Marcelo. A partida, de qualquer forma, seguia morna entre as alternâncias dos times e as raras emoções. Nenhum dos times parecia suficientemente disposto a se expor, embora o Real Madrid tenha se tornado um pouco mais agressivo, dando certo abafa nos escanteios. Nos acréscimos, Rodrygo ainda entrou, mas mal participou.

Os primeiros 90 minutos não oferecem muita abertura para cravar o classificado em Stamford Bridge. Coletivamente, o Chelsea pareceu melhor estruturado, mas não soube converter seus momentos necessariamente numa vitória. Ficou faltando um pouco mais. Já o Real Madrid, que vinha de boas atuações em duelos de peso, desta vez ficou abaixo. A qualidade individual e a experiência é expressa entre os merengues, mas precisarão buscar o resultado fora de casa.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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