Champions League

O caldeirão ferveu e o Maccabi Haifa botou pressão no PSG, mas o talento dos craques prevaleceu para a virada

O Maccabi Haifa peitou o PSG durante todo o primeiro tempo e o início do segundo, mas o trio de craques fez valer o favoritismo dos parisienses em Israel

As preliminares da Champions League apresentaram as virtudes do Maccabi Haifa. Os alviverdes aproveitaram o atalho da Rota dos Campeões, é verdade, mas superaram adversários mais badalados – e com autoridade. O futebol agressivo, nesta quarta-feira, seria acompanhado por um clima fantástico no Estádio Sammy Ofer. Para quem não conhece o fanatismo das torcidas israelenses, foi uma ótima amostra, que deixou o Paris Saint-Germain em maus lençóis no caldeirão. O Maccabi abriu o placar e, mesmo depois de tomar o empate, criou chances para o segundo. Porém, toda a energia do primeiro tempo se perdeu no segundo e, no fim, a qualidade dos parisienses prevaleceu para a virada no placar. Mais especificamente, o talento de seus três tenores. Messi conduziu o triunfo por 3 a 1, em que Mbappé e Neymar também participaram da construção do placar.

O Maccabi Haifa entrou com um time cheio de nomes que mostraram serviço nas preliminares da Champions. O lateral direito Dolev Haziza é importante no apoio. O meio conta com a trinca formada por Tjaronn Chery, Neta Lavi e Mohammad Abu Fani. Já na frente, Omer Atzili e Frantzdy Pierrot se movimentam bastante. Christophe Galtier, por sua vez, alinhava o PSG no 3-4-3 que marca o início da temporada. Danilo Pereira e Nordi Mukiele eram as únicas novidades em relação à estreia contra a Juventus. O meio trazia Vitinha e Marco Verratti. Mais à frente, o trio composto por Neymar, Lionel Messi e Kylian Mbappé.

O Paris Saint-Germain parecia interessado em marcar o gol logo cedo. Mbappé forçaria uma ótima saída do goleiro Josh Cohen aos dois minutos, antes de Neymar ser bloqueado dentro da área. Porém, uma panela de pressão apitava em Haifa. O estádio era um verdadeiro caldeirão e o Maccabi não demorou a crescer junto com sua torcida. Depois de dez minutos mais duros, os alviverdes começaram a sair mais para o ataque e a buscar o lado direito, com Haziza. Gianluigi Donnarumma foi testado aos 11, num chute de longe dado por Abu Fani. Depois, seria a vez de Pierrot arriscar de fora e parar no goleiro. O PSG errava bastante na construção e recuava. Quando Mbappé partiu sozinho, vacilou demais diante de Cohen e perdeu a bola. A confiança se tornava maior do lado israelense.

No momento em que o PSG indicava respirar um pouco mais no ataque, o Maccabi Haifa encontrou os espaços necessários para abrir o placar, aos 24 minutos. Após uma roubada de bola, Haziza apareceu do lado direito com um cruzamento preciso. Chery se infiltrou na área e esticou o pé para finalizar. O gol era merecido e incendiava mais a torcida da casa. Os parisienses não conseguiam uma resposta imediata e, quando Neymar partiu sozinho em contra-ataque, pediu um pênalti ao tentar driblar o goleiro. A marcação do Maccabi também era bem firme nos combates. E quase os franceses tomaram o segundo num contra-ataque: Pierrot saiu sozinho nas costas da zaga e balançou as redes, mas o tento acabou anulado por impedimento.

Finalmente o PSG conseguiu se impor de maneira mais contínua no ataque depois dos 30 minutos. O gol de empate aconteceu nesse abafa, aos 36. Mbappé pegou na ponta esquerda e pedalou para cima da marcação, antes de cruzar rasteiro. A zaga afastou só parcialmente e a sobra ficou para Messi, que não perdoou dentro da área. O tento conteve a torcida do Maccabi Haifa. Neymar reapareceu pouco depois, num lindo passe por elevação, mas desta vez Mbappé conectou mal a batida de primeira. Apesar da participação no gol, era um primeiro tempo ruim do francês, errando demais. Mais contido, o Maccabi voltou a contragolpear aos 43, mas Atzili arrematou pela linha de fundo. E os alviverdes ainda contaram com uma jogadaça de Cherry, que limpou com muita categoria o lance e soltou o petardo de longe, para Donnarumma espalmar no canto.

A postura destemida do Maccabi Haifa se preservou no segundo tempo. Atzili seria o primeiro a testar de fora da área, mas o PSG realmente temeu pelo pior aos sete, quando Pierre Cornud fez um cruzamento fechado e Pierrot desviou para fora. Nenhum dos três astros parisienses fazia algo digno de nota na frente. A equipe só melhorou um pouco a partir dos 15 e exerceu certa pressão. Primeiro, Messi encontrou uma brecha para chutar rasteiro, mas o goleiro Cohen rebateu. Logo depois, o camisa 30 tabelou com Neymar e fez fila. Parou de novo em Cohen, com uma defesaça com a ponta dos dedos, antes que a zaga travasse Mukiele diante das redes vazias.

A virada do PSG começava a amadurecer, até que se concretizasse aos 24 minutos. Messi de novo fez a diferença, com um passe em profundidade para que Mbappé acelerasse do lado esquerdo da zaga. Diante de Cohen, o atacante fez o simples e tirou do alcance do goleiro. O Maccabi Haifa ainda tentava uma saída ou outra, mas a partida era mais controlada pelo PSG neste momento. Fabián Ruiz se tornou uma alternativa no meio, no lugar de Vitinha. Os israelenses sentiam o desgaste de uma partida tão intensa e não tinham o mesmo ímpeto de outros momentos.

O PSG conseguia controlar a partida na reta final, sem tantos riscos à sua vantagem. E a equipe definiu o placar aos 43, com o gol de Neymar. Verratti deu um excepcional lançamento em profundidade, para o camisa 10 avançar por trás da defesa. Matou na coxa e bateu rasteiro, sem dificuldades. A comemoração do atacante fazendo sua costumeira careta acabou rendendo um cartão amarelo e ele saiu de imediato, mas parecia bem mais erro de interpretação do árbitro do que provocação ao adversário. Partida resolvida, apesar de algumas bolas alçadas pelo Maccabi e de tiros bloqueados do PSG nos acréscimos.

O Grupo H da Champions tem dois times à frente, PSG e Benfica, ambos com seis pontos. As duas equipes se enfrentam na próxima rodada pela liderança isolada e também para se distanciar de qualquer reação da Juventus. Os parisienses têm mais qualidade à disposição, mas nem sempre conseguem se apresentar em seu máximo. Precisam ter cuidado contra os benfiquistas, de ótimo início de temporada. Já o Maccabi Haifa, apesar de zerado, precisa ser respeitado por uma Velha Senhora capenga.

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Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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