Champions League

O Benfica engoliu o Zenit como sua tradição manda e chega embalado às quartas da Champions

O Benfica possui uma história gigantesca na Champions. Os bicampeões europeus na década de 1960 até viveram outros momentos de brilhantismo, mas sem o mesmo sucesso. Nesta temporada, ao menos, os encarnados poderão se colocar entre os oito melhores times do continente pela quarta vez desde que a antiga Copa dos Campeões se transformou em Liga. E com uma imponência que faz os benfiquistas sonharem com uma inédita semifinal no novo formato. Afinal, por mais que tenha feito uma das melhores campanhas da fase de grupos, o Zenit acabou engolido. Após a derrota por 1 a 0 no Estádio da Luz, os russos tiveram que engolir a virada por 2 a 1 dentro do Estádio Petrovskiy, com dois tentos no final.

A vantagem no placar agregado ou o fato de jogar fora de casa não influenciou a mentalidade do Benfica. Os portugueses começaram a partida jogando de igual para o Zenit, distantes de uma postura defensiva que pudesse se sugerir. E criaram boas ocasiões, parando no goleiro Lodygin. Enquanto isso, quem se destacava mais uma vez era o volante Renato Sanches. O meio-campista de 18 anos dava mais uma prova de maturidade, ajudando a manter a solidez dos encarnados. Por mais que os russos buscassem o gol que os mantivessem vivos na disputa, não conseguiam criar ocasiões tão claras.

O desespero fez com que o Zenit partisse de maneira mais agressiva na segunda etapa. E, apesar de uma oportunidade não aproveitada por Jonas do outro lado, a insistência acabou ajudando os anfitriões a abrirem o placar. Zhirkov ganhou disputa na esquerda e cruzou da linha de fundo para Hulk marcar, aos 24. O tento que levaria à disputa por pênaltis, porém, não agradava o Benfica. E aí os portugueses que passaram a se arriscar mais no ataque. Conseguiram o empate já aos 40, com Nico Gaitán aproveitando o rebote em chutaço de Raúl Jiménez, que mudou o jogo após sair do banco. A partir de então, o Zenit precisava anotar dois gols para avançar. E Anderson Talisca sacramentou a classificação benfiquista ao balançar as redes no último lance da partida e garantir a vitória.

Nas quartas de final, o Benfica surge como um desafiante às grandes potências. Mas vivendo um momento favorável para sonhar com mais. Os encarnados assumiram a liderança isolada do Campeonato Português, após o triunfo no clássico contra o Sporting, e venceram 16 dos 17 jogos que disputaram desde 20 de dezembro. Obviamente, a Champions deverá oferecer um adversário maior que os torneios portugueses. Todavia, a maneira como os benfiquistas peitaram o Atlético de Madrid na fase de grupos serve de bom indício, especialmente pela vitória conquistada dentro do Estádio Vicente Calderón.

Mesclando jogadores tarimbados e outros jovens talentos, o Benfica apresenta um elenco qualificado, ainda que a maratona no final da temporada possa pesar. De qualquer forma, o embalo apresentado nas últimas semanas serve de motivação para a Champions. E, por mais que não tenha tantas estrelas, a camisa benfiquista é pesada o suficiente para diversos confrontos, assim como a torcida no Estádio da Luz pode fazer a diferença. Como em qualquer mata-mata, o sorteio é o que realmente determinará as chances dos encarnados. Mas o momento atual também contribui para uma pontinha de esperança, especialmente para quem chegou a duas finais da Liga Europa nas últimas três temporadas.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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