Champions League

O Benfica consegue segurar a pressão do Ajax e volta de Amsterdã com uma saborosa classificação

O Benfica teve grande atuação defensiva para travar os espaços dentro de sua área e aproveitou uma das raras chances no ataque

O Benfica não vive a temporada mais serena. Trocou de treinador, passa longe das chances de título no Campeonato Português, sofreu derrotas duras. A Champions League, em compensação, alimenta sonhos aos encarnados. E a noite desta terça-feira seria inesquecível, com os lusitanos ignorando os prognósticos para eliminar o Ajax dentro da Johan Cruyff Arena, para delírio de uma torcida que cantou o tempo todo no setor visitante. O Benfica já tinha ressurgido no confronto pela reação nos 2 a 2 dentro do Estádio da Luz. Já em Amsterdã, uma grande atuação defensiva foi a chave para os benfiquistas. Os Ajacieden dominaram a partida desde o primeiro tempo e pressionaram, mas tiveram extremas dificuldades para finalizar com precisão. Méritos da atenção máxima dos benfiquistas na defesa, à espreita de uma mínima brecha no ataque. E ela veio no meio do segundo tempo, para que Darwin Núñez selasse o triunfo por 1 a 0. Após seis anos, os lisboetas voltam às quartas de final da Champions, deixando pelo caminho um adversário que vinha bem mais cotado.

O Ajax entrou em campo com uma escalação muito parecida com a do jogo de ida, exceção feita a André Onana, que substituiu o lesionado Remko Pasveer no gol. O restante da força se mantinha, sobretudo no quarteto ofensivo composto por Antony, Steven Berghuis, Dusan Tadic e Sébastien Haller. Ryan Gravenberch era outro que merecia atenção pela ótima fase na cabeça de área. O Benfica também repetiu seu 11 inicial da Luz. Everton Cebolinha e Rafa Silva entraram nas pontas, com Gonçalo Ramos na ligação e Darwin Núñez como homem de referência.

Primeiro tempo

O Ajax começou melhor a partida em Amsterdã. O Benfica teve uma escapada ao ataque durante os primeiros minutos, mas nada tão perigoso, e pressão na marcação imposta pelos anfitriões dificultava bastante as transições dos lisboetas. Os Ajacieden, além de recuperarem a bola no campo de ataque, também incomodavam em jogadas pelas pontas – sobretudo pelo lado esquerdo, com Tadic e Gravenberch avançando por ali. Numa dessas, aos sete minutos, o sérvio passou para Haller balançar as redes, em tento que acabou anulado por impedimento. Os holandeses também conseguiram conectar algumas cabeçadas na área, sem que Antony e Edson Álvarez pegassem em cheio na bola para realmente assustar.

O Benfica passou um bom tempo sem rondar a área de Onana, até ganhar uma sequência de escanteios já depois dos 20 minutos. Apesar das três bolas levantadas na área, os encarnados ainda não executaram qualquer finalização no alvo e a defesa do Ajax prevaleceu. Quando os holandeses responderam, Jan Vertonghen teve que se desdobrar para cortar uma bola perigosa na pequena área. Apesar do domínio territorial, os Ajacieden não conseguiam construir muito com a bola no chão e abusavam dos cruzamentos. A defesa benfiquista resistia, sem permitir finalizações limpas aos anfitriões. Berghuis até tentou, sem sucesso, isolando com um pouco mais de espaço numa sobra na entrada da área.

Diante das dificuldades do Ajax para penetrar na área, outro caminho era arriscar mais os chutes de longe. Isso aconteceu a partir dos 35. Antony foi o primeiro a testar Odysseas Vlachodimos, mas o goleiro fez uma defesa segura. Na sequência, Gravenberch chutou com veneno e o arqueiro precisou se esticar todo, para desviar com a ponta dos dedos à linha de fundo. Durante a reta final da primeira etapa, o Benfica conseguiu aliviar o abafa, mas sem pressionar tanto no ataque. De novo dependeu de bolas paradas e cruzamentos, que não resultaram em tanto perigo assim.

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Segundo tempo

O Benfica voltou para o segundo tempo com mudança. Adel Taarabt sentiu lesão e Soualiho Meité entrou para dar mais pegada no meio ao time de Nélson Veríssimo. O que não mudou foi a postura do Ajax, ainda mais presente no campo ofensivo e mordendo bastante sem a bola. Tadic aplicaria um lindo giro sobre Nicolás Otamendi fora da área e daria o primeiro aviso, num arremate que subiu demais aos quatro minutos. Neste princípio, Noussair Mazraoui passava a ser mais acionado na direita, mas Everton Cebolinha fazia bom trabalho na marcação para dificultar ao ofensivo lateral marroquino. Os benfiquistas se defendiam muito bem no geral, com Meité fechando mais a direita da defesa. Haller pouco era acionado no meio do pagode.

Um dos desafios do Benfica no ataque era explorar mais a explosão de Darwin Núñez. Quando o uruguaio descolou um escanteio, os encarnados tiveram sua melhor oportunidade até então, em cabeçada de Vertonghen que cruzou a pequena área aos 12. Apesar disso, a posse de bola permanecia com o Ajax. Num avanço com Daley Blind pela linha de fundo, Antony acertaria a melhor cabeçada da equipe aos 16, mas ainda um pouco acima do travessão. A paciência prevalecia no toque de bola dos Ajacieden, sem que o passe final viesse com tanta frequência. As incursões na área não geraram mais que um par de reclamações de pênalti infundadas por Gravenberch. Apesar da falta de efetividade de Berghuis pelo meio, Erik ten Hag não sinalizava trocas.

Aos 27 minutos, o Benfica ganhou mais presença ofensiva para as ligações diretas, com Roman Yaremchuk no lugar de Everton – repetindo a troca que deu tão certo em Lisboa. De fato, os encarnados passaram a reter mais a bola no campo de ataque. Acabariam abrindo o placar aos 31, a partir de uma falta sofrida por Gonçalo Ramos na lateral direita da área. Alejandro Grimaldo cruzou rumo à linha da pequena área, Darwin Núñez subiu mais que Jurriën Timber e Onana saiu mal, permitindo que o uruguaio desferisse uma cabeçada fatal à meta aberta. O Ajax dependeria da contundência que não se via até então.

O drama no final

Darwin Núñez não ficaria muito tempo em campo, lesionado, dando lugar a Diogo Gonçalves aos 36. No mesmo momento, Davy Klaassen e Brian Brobbey vieram nas vagas de Álvarez e Berghuis, dando muito mais capacidade ofensiva ao Ajax. Os holandeses precisavam de mais atitude, já que ainda seguiam barrados pelas trincheiras encarnadas. As dificuldades para finalizar permaneceram e o time da casa se mostrava mais exposto aos contragolpes dos lusitanos, se defendendo no limite. Quando Haller finalmente surgiu livre para cabecear no segundo pau, aos 43, tentou o passe para o meio da área e desperdiçou a rara brecha. O tempo passava, com os benfiquistas também gastando o tempo, antes das saídas de Gilberto (em ótima noite) e Gonçalo Ramos, para as entradas de Valentino Lazaro e Paulo Bernardo.

Os sete minutos de acréscimos ainda garantiam uma sobrevida ao Ajax. Mas parecia que, dentro de campo, a bola não corria, com os atendimentos médicos e paralisações. O Benfica sabia como fechar os espaços e evitar um abafa mais perigoso. O trabalho defensivo dos encarnados seguia em uma intensidade impressionante, sem sucumbir à insistência pouco incisiva dos holandeses. O desespero também batia nos Ajacieden e a entrada de Mohammed Kudus já no último minuto, no lugar de Timber, era a cartada final. Numa bola perdida, Yaremchuk invadiu a área e quase causou problemas sérios, até ser desarmado. Já no último lance, Brobbey teria uma grande oportunidade, ligeiramente impedido, mesmo assim parado numa defesa monumental de Vlachodimos no contrapé. Último ato antes da merecida celebração lusitana.

O Ajax deixa a Champions com a impressão de que as expectativas criadas pela excelente fase de grupos não se cumpriram. O time vinha dando alguns sinais de queda nas últimas semanas e o domínio na Johan Cruyff Arena se mostrou insuficiente, com tantas dificuldades na finalização – das 16 tentadas, só duas foram no alvo, ambas de fora da área. Repete-se também a frustração dentro de casa, algo comum ao clube na Champions, sem ganhar um mata-mata na Arena há 26 anos. O Benfica, ainda assim, tem muitos méritos por isso. Num jogo duríssimo no Estádio da Luz, os encarnados renasceram. Já em Amsterdã, o nível competitivo durou do primeiro ao último minuto para segurar um oponente tão ofensivo. O gol de Darwin Núñez (a única finalização certa das quatro tentadas) decidiu a um time que não vive boa temporada no geral, mas faz grandes jogos na Champions e por isso chega às quartas de final.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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