O Bayern mudou um jogo que era perigosíssimo e ganhou do Barça no reencontro com o impreciso Lewa
O Barcelona foi amplamente superior no primeiro tempo, mas perdeu muitas chances inclusive com Lewa, e o Bayern esbanjou eficiência quando melhorou na segunda etapa
Robert Lewandowski atraía para si os holofotes na Allianz Arena nesta terça-feira. O reencontro do centroavante com o Bayern de Munique aconteceu cedo, logo na fase de grupos da Champions League. E os bávaros se deram melhor desta vez, com a vitória por 2 a 0 que reitera a supremacia recente contra o Barcelona. Não seria uma partida tão fácil para os alemães, porém. A equipe de Julian Nagelsmann sentiu falta de Lewa no primeiro tempo, com raras chances no ataque, mas paradoxalmente agradeceu ao polonês do outro lado. Descalibrado, o centroavante perdoava num primeiro tempo de muitas chances perdidas pelos blaugranas, que apostavam nos contra-ataques. O placar seguiu zerado para o intervalo e, no segundo tempo, o Bayern foi outro time. A entrada de Leon Goretzka ajudou na organização e os gols vieram antes dos dez minutos, com Lucas Hernández e Leroy Sané. A eficiência permitiu aos alvirrubros administrarem a vantagem em Munique, sem que o Barça indicasse uma reação depois de cair de produção. Os anfitriões riram por último contra o antigo ídolo.
O Bayern contava com retornos importantes em relação ao time que empatou com o Stuttgart no final de semana. Manuel Neuer era o goleiro, com a linha de zaga formada por Benjamin Pavard, Dayot Upamecano, Lucas Hernández e Alphonso Davies. Joshua Kimmich e Marcel Sabitzer compunham a dupla de volantes. Jamal Musiala atuava centralizado na armação, com Leroy Sané e Sadio Mané inicialmente abertos nas pontas, além de Thomas Müller mais adiantado. O Barcelona, por sua vez, alinhava aquela que parecia ser a escalação ideal vista por Xavi neste início de temporada. Marc-André ter Stegen resguardava a defesa com Jules Koundé, Ronald Araújo, Andreas Christensen e Marcos Alonso. Sergio Busquets era o vértice mais recuado no meio, com Gavi e Pedri. Raphinha e Ousmane Dembélé atuavam nas pontas, para municiar Robert Lewandowski.
Os primeiros minutos na Allianz Arena demoraram a ter um domínio claro. Era uma partida muito concentrada na faixa central, com as duas equipes tentando apertar a marcação e se empenhando nos desarmes. O Bayern até parecia vencer essa batalha inicial nas trincheiras, mas o Barcelona teve a primeira boa chance num contra-ataque, aos nove minutos. A bola rodou na borda da área, até que Pedri batesse rasteiro e Neuer repelisse com o pé. Pouco depois, Lewa recebeu um cruzamento da esquerda, mas pegou mal e cabeceou por cima. Sané, quando teve a oportunidade de resposta, não deu continuidade aos ataques dos bávaros. O Barça se mostrava mais ligado e um passe errado de Neuer que quase complicou indicava isso.
Muito do jogo do Bayern se concentrava pelo lado esquerdo de início, onde Alphonso Davies emendava dribles sobre Raphinha e Sadio Mané dava apoio mais à frente – embora não participasse tanto. Todavia, o passe final não vinha aos bávaros, com o time geralmente travado na hora de arrematar. E nisso a equipe corria risco nos contra-ataques. Aos 18, Dembélé desmontou a defesa com uma arrancada, em que abriu com Gavi. Lewandowski recebeu livre na área, mas bateu por cima da meta de Neuer em chance flagrante. Pavard precisou deixar o campo aos 20, em consequência de um choque de cabeça. Antes que Noussair Mazraoui entrasse, quase o rombo do lado direito custou caro. Por ali veio o cruzamento de Marcos Alonso para mais uma tentativa de Lewa, que cabeceou para uma defesaça de Neuer à queima-roupa.
Raphinha era outro que começava a se soltar no Barcelona. Mais uma finalização aconteceu aos 26 minutos, num lance em que Lewandowski fez o pivô, mas o ponta chutou ao lado da trave. Ter Stegen só precisou trabalhar no minuto seguinte, num chute fraco de Mazraoui que o goleiro pegou sem problemas. Não era uma boa jornada ofensiva dos bávaros, com pouca presença de área. Foi quando a equipe começou a arriscar mais, pela direita. Um passe de Musiala seria cortado dentro da área. Depois, Sané serviu para o chute de Sabitzer sem direção. Mas não que o Barça estivesse tomando só pressão. Os contragolpes seguiam encontrando uma defesa exposta e Davies foi providencial para cortar um passe dentro da área para Raphinha.
Pouco efetivo, Mané tentou cair um pouco mais pelo lado direito e não conseguiu muito. O Bayern tinha mais posse de bola, mas parava na proteção do Barcelona, com um trabalho importante de Gavi e Pedri para iniciar a pressão na marcação, além do controle de Busquets na cabeça de área. Quando finalmente surgiu uma bola limpa na área para os alemães, aos 40, num passe de Musiala, a trapalhada aconteceu: Müller e Mané se atrapalharam, trombando na hora do chute, e desperdiçaram o melhor lance da equipe na primeira etapa. Do outro lado, o Barça sempre encontrava mais espaço quando avançava, diante de uma defesa tantas vezes exposta. Aos 42, Pedri encontrou Lewa com espaço, mas Mazraoui deu um carrinho salvador na hora em que o artilheiro engatilhava o chute. Os blaugranas reclamaram também de um pênalti de Davies em Dembélé, numa marcação que seria justa, mas a arbitragem não deu.

O Bayern de Munique voltou com mudança para o segundo tempo, com a entrada de Leon Goretzka no lugar do amarelado Sabitzer. Não demorou nem um minuto para o Barcelona dar um grande susto, com Raphinha, ao receber de Pedri e bater cruzado rente à trave. Já o cartão de visitas de Goretzka veio numa pancada da entrada da área, que Ter Stegen espalmou para fora. Seria a chave para o primeiro gol da noite, anotado pelos bávaros aos cinco. Na cobrança de escanteio seguinte, o cruzamento fechado de Kimmich veio no primeiro pau. Lucas Hernández escapou de Marcos Alonso e cabeceou sozinho, se antecipando a Ter Stegen – que saiu mal. Bola nas redes que virava do avesso a narrativa do jogo até então.
O gol fez bem ao Bayern, mais confiante e eficaz em suas ações. O segundo tento demorou apenas quatro minutos, com a troca de passes pelo meio funcionando. Musiala arrancou e entregou para Sané, que se infiltrava entre dois defensores. Diante de Ter Stegen, o ponta deu um leve toque para deslocar o goleiro e marcar. Com a vantagem ampliada, o Bayern trabalhava com mais calma no ataque e rodava melhor a bola. Ganhava escanteios e também achava novos espaços para as finalizações. As primeiras mudanças do Barcelona aconteceram aos 15, com Frenkie de Jong e Ferran Torres nos lugares de Gavi e Raphinha.
A entrada de Goretzka parecia beneficiar o Bayern como um todo, com mais qualidade na construção e clareza de ideias. Musiala era quem mais se soltava, muitas vezes se associando com Sané. O garoto ameaçou de novo aos 16, em tiro que seguiu pela linha de fundo. Depois de muito tempo, o Barcelona voltou a encaixar um ataque aos 18. Desperdiçou outra vez. Pedri entrou pelo meio e tabelou com Lewandowski, mas, de frente com Neuer, tirou demais do goleiro e seu chute beliscou o pé da trave antes de sair. Os blaugranas enfim pareciam acordar depois do baque, com o ataque fluindo mais uma vez. O Bayern trocaria aos 25, com Serge Gnabry na vaga do apagado Mané, ainda assim muito aplaudido. Já a próxima substituição do Barça foi na zaga, com Christensen sacado para a entrada de Eric García.
A partida caía de ritmo, muito por causa do Bayern, que preferia administrar melhor a vantagem. A equipe recuava e protegia bem a sua área, com a defesa sem permitir as finalizações do Barça. Lewandowski se via encaixotado. Outra rodada de trocas aconteceu aos 35. O Bayern colocou Mathys Tel e Ryan Gravenberch, para as saídas de Musiala e Sané. O Barça apostou suas fichas em Franck Kessié e Ansu Fati, sacados Busquets e Dembélé. O tempo corria sem muitas emoções, com a marcação sólida dos alemães. Uma rara finalização dos catalães veio aos 42, num chute desviado para fora. E o Barça viveria de espasmos na reta final, sem sinais concretos de reação depois dos gols. Foi um segundo tempo frustrante da equipe de Xavi, ao se considerar os recursos e o banco de reservas que possui. A única notícia ruim para os alemães no fim ficou para a lesão de Hernández, ao sentir o músculo.
O maior mérito do Bayern na partida se deu pela maneira como o time melhorou de um primeiro tempo muito difícil, em que as coisas não funcionaram. A defesa até evitou o pior com os desarmes cirúrgicos de última hora, com elogios pertinentes aos combates de Upamecano, mas a sorte também pesou a favor pela falta de pontaria dos adversários. Já no segundo tempo, os bávaros acertaram os ponteiros e foram mais contundentes para o resultado. Tiveram mais consciência ofensiva, depois de 45 minutos iniciais bagunçados. O Barcelona, apesar dos indicativos de força, sabe que não é um time pronto. A quantidade de lances perdidos na primeira etapa diz isso, assim como a falta de resposta no segundo tempo. Lewandowski talvez tenha entrado demais na pilha da ocasião, pelas oportunidades que perdeu.
A vitória deixa o Bayern isolado na liderança do Grupo C da Champions, com seis pontos. É um passo importante para a classificação na chave mais dura da competição. Já o Barcelona, com três pontos, foi igualado pela Internazionale nesta rodada. O confronto direto terá grande peso na próxima rodada.



