Champions League

O Barça caiu nas oitavas da Champions pela primeira vez em 14 anos, mas ao menos resta uma ponta de brio pelos novos ares

O Barcelona amarga uma eliminação precoce na Champions League como não vivia há 14 anos. Desde 2006/07, os blaugranas não eram despachados nas oitavas de final do torneio continental. Naquela ocasião, o Liverpool se tornou algoz da equipe que acabava de reconquistar o título continental, encerrando um jejum de 14 anos. Desta vez, até pela goleada do Paris Saint-Germain na ida, o Barça já tinha digerido o fracasso e dificilmente escaparia da queda. Ainda assim, o clima não seria tão catastrófico depois do empate por 1 a 1 no Parc des Princes – em que os catalães foram melhores e mais ofensivos.

O torcedor do Barcelona já está calejado com as pancadas. As eliminações vexatórias na Champions League viraram padrão, seja com uma virada incrível como a do Liverpool em 2019, seja com uma goleada impiedosa como os 8 a 2 do Bayern em 2020. Assim, a derrota para o Paris Saint-Germain dói, mas parece ser mais consequência do projeto malfadado dos últimos anos que necessariamente uma novidade. Cair nas oitavas, nas quartas ou nas semifinais hoje parece muito mais um detalhe sem tanta importância. Uma estatística que não faz diferença.

A mentalidade no Barcelona precisa ser de renovação, o que ficou mais claro depois dos 4 a 1. E que agora tem motivos para acontecer, com a eleição de Joan Laporta. As possibilidades de Lionel Messi ficar aumentam com o novo presidente, assim como se acredita em um bom trabalho no plano esportivo e econômico, que contenha o cenário tenebroso deixado por Josep Maria Bartomeu. O pleito desta semana serviu para renovar um pouco as energias. A Champions, apesar da missão quase impossível, não cortou esse barato vivido no Camp Nou.

O Barcelona saiu de campo no Parc des Princes com a sensação de que poderia ter provocado uma reviravolta. Teve postura para isso, mas parou nos detalhes. Keylor Navas jogou muito, Dembélé perdeu ótimas chances, Messi desperdiçou um pênalti. O empate por 1 a 1 nem fez jus à atuação positiva do time de Ronald Koeman. Ficou algum brio, apesar da eliminação praticamente incontornável. Agora, é olhar para frente.

O restante da temporada será para o Barcelona repensar seu futuro. O título de La Liga ainda parece possível, mas perdê-lo não será o fim do mundo. Já na Copa do Rei, falta um jogo para coroar uma campanha de superação. Levar um dos títulos seria uma motivação a mais para o próximo ano, mas tantas vezes as mesmas taças serviram de paliativo para muita coisa que acontecia de forma errada no Camp Nou e maquiaram os problemas. A esta altura, pelo menos fica a honra da luta. A boa partida contra o PSG mostra como nem tudo está perdido e a reconstrução em campo pode acontecer desde já, pensada por Koeman. Recentemente, afinal, a equipe tem correspondido melhor.

Nas redes sociais, alguns jogadores parabenizaram seus companheiros. Gerard Piqué e Sergi Roberto exaltaram a postura da equipe em campo. Já a principal mensagem veio de Laporta. “Temos um time, foi um orgulho. Conseguimos competir, merecíamos ganhar e passar”, declarou, ao jornal Sport. Se a parte da classificação soa como exagero, a renovação das perspectivas parece real, mesmo que o antigo presidente vitorioso não seja necessariamente uma garantia de voltar ao topo. O Barça sabe o tamanho de seus problemas e que muitos deles não se resolverão tão facilmente assim, especialmente pelas enormes dívidas. Mas, neste momento, a tempestade parece menos intensa no horizonte e a postura em Paris sinaliza isso.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo