Champions League

O ataque irresistível do Monaco terminou de amassar o Dortmund com outro baile

Cada jogo do Monaco é um deleite para quem assiste – exceto para quem torce ao adversário da noite. Os alvirrubros exibem nesta temporada um futebol bastante prazeroso. O time de Leonardo Jardim atua de maneira ofensiva e impetuosa, combinando velocidade e precisão. Além disso, conta com diversos jovens talentos, sedentos por seu lugar ao sol. Uma combinação explosiva, que vem angariando vários fãs aos monegascos e, mais do que isso, causa impacto nas competições. Que se pese o atentado ocorrido na última semana, o Monaco não tomou conhecimento do Borussia Dortmund nas quartas de final da Liga dos Campeões. Os líderes da Ligue 1 venceram os dois jogos. E nesta quarta, com o ambiente sem a mesma tensão no Estádio Louis II, a equipe do principado amassou os aurinegros: 3 a 1 no placar, em resultado merecido – e que ficou barato, pelas chances desperdiçadas no segundo tempo.

Um dos diferenciais do Monaco está em sua escalação. Leonardo Jardim sabe muito bem tirar o melhor de suas peças. E possui um elenco profundo, que consegue absorver os desfalques. Nesta quarta, o treinador não contou com Fabinho e Djibril Sidibé. Nada que tenha atrapalhado o estilo de jogo dos anfitriões. Por outro lado, Thomas Tuchel apostou alto e pagou caro. Entrou no 3-4-3, deixando Ousmane Dembélé no banco de reservas. Penou na marcação durante os primeiros minutos, decisivos para os rumos da noite.

Absorvendo a atmosfera eletrizante nas arquibancadas, a partida começou franca. As duas equipes buscavam o ataque em alta velocidade. Marco Reus, de volta ao time titular, encabeçava as melhores jogadas do Dortmund. Contudo, um erro de Roman Bürki acabou sendo fatal para que o Monaco abrisse o placar logo aos três minutos, com Kylian Mbappé. Benjamin Mendy chutou forte de fora da área, o goleiro rebateu para frente e o garoto não perdoou. O prodígio chegou a cinco gols na competição, todos anotados nos mata-matas. Ao lado de Raúl, é um dos únicos atletas que balançaram as redes cinco vezes pela Champions antes de completar 19 anos.

Apesar da lamentação, o Dortmund não acuou e tinha mais posse de bola. Seguiu o ritmo intenso do jogo, lá e cá. Reus e Bernardo Silva protagonizaram chances de gol de cada lado. Já aos 14, Nuri Sahin quase marcou um golaço cobrando falta. O meio-campista bateu na bola com curva, mirando o ângulo. A finalização triscou na parte interna da trave e caprichosamente seguiu para fora. Centímetros que poderiam recolocar os aurinegros na partida, mas terminaram proporcionando mais frustração. Afinal, o Monaco ampliou logo na sequência. Thomas Lemar cruzou e Radamel Falcao García foi decisivo outra vez, completando de cabeça.

O que se via era um baile pelo flanco esquerdo do Monaco. Mendy e Lemar voavam por ali, apoiados por Mbappé. Erik Durm não dava conta do serviço, enquanto Lukasz Piszczek também não fazia bom trabalho na sobra. Não à toa, Tuchel queimou sua primeira substituição já aos 27 minutos. Sacou Durm para a entrada de Dembélé, remontando a equipe no 4-2-3-1. Com o francês caindo pela direita, Lemar e Mendy tinham que se preocupar um pouco mais com a marcação. Os alemães melhoraram e se impunham no campo de ataque, embora tivessem dificuldades para finalizar, errando demais na construção.

Já na volta do intervalo, o Dortmund veio com mais uma mudança, tirando Sahin para a entrada de Marcel Schmelzer, com Raphaël Guerreiro deslocado ao meio de campo. E os alemães esboçaram uma reação ao diminuírem a diferença aos dois minutos. Dembélé fez uma jogadaça pela direita, deixando Mendy no chinelo, e cruzou para Reus bater de primeira, sem chances de defesa para Danijel Subasic. Ainda assim, o Monaco respondeu de imediato, com Bürki salvando o terceiro gol.

O Borussia Dortmund tinha ainda mais posse de bola, mas não conseguia encontrar espaço nas duas linhas de marcação dos monegascos. Pierre-Emerick Aubameyang estava anulado, enquanto Dembélé chamava a responsabilidade, iniciando a maioria das jogadas. Entretanto, o Monaco conseguia ser bem mais perigoso. Mbappé puxava os contra-ataques com habilidade e potência. Tornou a vida de Sokratis Papastathopoulos um verdadeiro inferno, perdido na marcação. Em um dos lances, deixou o grego na saudade antes que Bürki salvasse com o pé. Pouco depois, foi a vez de Falcao García quase marcar um golaço. Dominou com estilo, driblou a marcação e tentou a cavadinha, mas a bola saiu por cima da meta.

Tuchel tentou a sua última cartada aos 26, com Christian Pulisic no lugar de Raphaël Guerreiro. Pouco adiantou. Na melhor chance de empatar, Dembélé e Kagawa prepararam ótima trama, mas Reus chutou em cima de Subasic, defendendo em dois tempos. Já aos 35, o Monaco matou o jogo. Mbappé saiu de campo ovacionado, substituído por Valère Germain. E o reserva precisou de apenas 22 segundos para balançar as redes. Assim como no primeiro jogo, Piszczek deu uma bola de graça para os adversários. Lemar arrancou e serviu o companheiro, chutando de primeira, por entre as pernas de Bürki. O Dortmund até manteve a honra, buscando o gol até os últimos instantes, mesmo sem tanta intensidade. Fato é que foi engolido pelos alvirrubros – com dificuldades psicológicas, mas também com claros problemas técnicos e táticos.

O Monaco vai para sua quarta semifinal de Liga dos Campeões, recorde entre os clubes da Ligue 1 desde 1955/56, superando o Olympique de Marseille. Além disso, desde o advento da Champions, em 1992/93, os monegascos possuem um aproveitamento invejável na competição: são quatro semifinais em sete campanhas, incluindo aí o vice-campeonato de 2004. Pelos oponentes classificados à próxima etapa, os alvirrubros possuem o time menos tarimbado na competição, mas não por isso o mais fraco. Diante da maneira como a equipe de Leonardo Jardim bateu de frente com Tottenham, Manchester City e Borussia Dortmund, não há como sustentar qualquer desconfiança. Além disso, o ataque irresistível já demonstrou bem o que pode causar, tanto dentro quanto fora de casa. Será um rival duríssimo para qualquer um.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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