Champions League

O ataque do Atlético de Madrid reviveu suas noites mais letais para atropelar o Leverkusen

O Atlético de Madrid vinha passando por momentos de provação. Jogos difíceis, longe do futebol eficiente exibido pelos colchoneros nos últimos anos. Nesta terça, porém, o Atleti reviveu o seu melhor sob as ordens de Diego Simeone, ao menos ofensivamente. Tomou alguns sustos na defesa, desfalcada principalmente de Diego Godín, e correu o risco de sofrer o empate, é verdade. Mas foi letal quando arrancou para atacar o Bayer Leverkusen – inclusive, poderiam ter aplicado até uma goleada. Os espanhóis saem da BayArena com uma valiosíssima vitória por 4 a 2, que os aproxima bastante da classificação às quartas de final da Liga dos Campeões. E deixa uma esperança de que o time posse crescer nos momentos decisivos da temporada.

Simeone escalou uma equipe leve para o confronto na Alemanha. E, diante do futebol burocrático do Leverkusen, abriu o placar aos 17 minutos. Jogadaça de Saúl Ñíguez, que arrancou da intermediária, dançou para cima da marcação e chutou na gaveta, em bola que ainda deu leve desvio no pé de Aleksandar Dragovic. Oito minutos depois, um contra-ataque ampliaria a diferença para o Atleti. Dragovic errou feio, após bola longa vinda da defesa colchonera, mas os méritos maiores foram de Kevin Gameiro. O francês arrancou, partiu até a entrada da área e puxou a marcação de dois jogadores. Teve calma suficiente para esperar e passar a bola para Antoine Griezmann, livre de marcação. O artilheiro não perdoou.

Os erros do Bayer Leverkusen na defesa eram recorrentes. E o time fazia pouquíssimo no ataque, exposto aos contragolpes. Se o Atlético de Madrid não ampliou antes do intervalo, foi por culpa de Bernd Leno. O goleiro fez duas grandes defesas no primeiro tempo, especialmente aos 34 minutos, quando Griezmann saía na cara do gol. Inflamada, a torcida madrilena chegava mesmo a abafar os anfitriões. O jeito para os germânicos foi esperar o intervalo e mudar a sua postura.

Assim aconteceu. O Leverkusen demonstrava muito mais calma para trabalhar a bola. Em uma ótima trama, descontou aos três minutos. Benjamin Henrichs foi lançado à linha de fundo e cruzou rasteiro para Karim Bellarabi escorar. Só que o Atlético de Madrid ainda encontrava os seus espaços para ameaçar. Gameiro quase fez o terceiro na sequência, carimbando a trave. Já aos 14, não teve o que impedisse o francês, nem mesmo a sina recente dos rojiblancos na marca da cal. Ele aplicou uma caneta desmoralizante em Dragovic e foi agarrado na área. Pênalti claro, que o próprio camisa 21 concluiu às redes.

No entanto, apesar da folga no placar, o Atleti começou a tomar pressão. Roger Schmidt mexeu bem no time e a posse de bola não era mais inútil, com o Leverkusen criando chances de gol. Aos 21, a partir de um cruzamento, Moyà espalmou a bola nas pernas de Stefan Savic e acabou tomando o gol contra. Os alemães partiam para cima, explorando os lados do campo e confiando nos cruzamentos. Filipe Luís era um gigante, salvando a pele dos rojiblancos de tomarem o empate.

O céu só clareou ao Atlético de Madrid aos 41 minutos, quando pareciam mais próximos de voltar para casa com a igualdade. Fernando Torres saiu do banco de reservas e aproveitou o ótimo cruzamento de Sime Vrsaljko, desviando de cabeça. O gol para assegurar a ótima vantagem no jogo de ida. No final, os espanhóis ainda poderiam ter marcado o quinto, em bom lance de Ángel Correa, mas Leno salvou outra vez o Leverkusen. A derrota já era ruim o suficiente para os anfitriões.

O Atlético de Madrid se encaminha para as quartas de final com o resultado. Difícil imaginar que permitirá três gols do Leverkusen no Vicente Calderón, e isso sem anotar um golzinho sequer contra uma defesa que se mostrou tão frágil. Obviamente, há problemas para se corrigir. Mas a ferocidade do ataque, sobretudo por Gameiro, mereceu os aplausos da torcida. Se as oitavas de final foram agônicas para os rojiblancos nas últimas duas edições da Champions, avançando nos pênaltis contra o PSV e contra o próprio Leverkusen em 2015, a calmaria agora vem para que o time possa se acertar também em La Liga.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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