Champions League

Nunca Guardiola enfrentou um ataque tão mais efetivo que o de seu time: o Monaco ameaça

Goste você ou não de Pep Guardiola, é necessário admitir a influência que o catalão exerceu sobre o futebol ao longo da última década. Contando com grandes craques no Barcelona e no Bayern de Munique, seu estilo de jogo ofensivo desviou rotas e impactou o pensamento tático em diferentes cantos do mundo. Dá até para dizer que também impulsionou uma “contrarreforma” através de outros clubes que aprimoraram o esquema baseado nos contra-ataques e na verticalidade. Ainda assim, em todos os seus trabalhos, os times de Guardiola quase sempre jogaram como responsáveis por atacar, salvo raras exceções – como diante de suas “criaturas” blaugranas. Nesta terça, contudo, o desafio do treinador será diferente. Difícil encontrar em toda a sua carreira um adversário com um desempenho ofensivo tão superior quanto o Monaco de Leonardo Jardim. Oponente que promete dar trabalho ao Manchester City na Liga dos Campeões.

Tudo bem, o nível da Ligue 1 é inferior ao de todas as outras grandes ligas da Europa. Mas não dá para negar a excelência que o ataque do Monaco vem demonstrando nesta temporada. Os alvirrubros anotaram 76 gols em 26 rodadas na competição, média de quase três por jogo – e 25 a mais do que os anotados pelo City na Premier League, em comparação. Os números caem na Champions, com 16 tentos em 10 partidas, incluindo as preliminares. Mesmo assim, não minaram a liderança dos monegascos em um grupo bastante parelho, o que valeu a eliminação do Tottenham.

Por mais que anote muitos gols, porém, o Monaco de Leonardo Jardim não é um time que exerce pressão, como manda a cartilha de Guardiola. Pelo contrário, o time do principado se aproxima muito mais dos ensinamentos da “contrarreforma”. Mesmo na Ligue 1, é apenas o sexto em posse de bola, o sétimo em total de passes. Mas não deixa de ser agressivo. Os alvirrubros prezam pela verticalidade e pelo jogo nas pontas. Costumam se posicionar adiantadamente, para pressionar a saída de bola dos adversários e dar o contragolpe rápido. E também representam um grande perigo nas bolas paradas.

O fato de enfrentar o Manchester City de Pep Guardiola, obviamente, tende a adaptar o Monaco à ocasião. Em especial, sua defesa não deverá expor tanto as costas à velocidade que os ingleses também contam em sua linha de frente. Mas, caso Leonardo Jardim mantenha a solidez defensiva, a ameaça aos Citizens será iminente. Afinal, os alvirrubros costumam ter um bom aproveitamento diante da meta adversária. O melhor ataque das cinco grandes ligas europeias é apenas o 24° que mais chuta a gol. Em compensação, é o sexto com mais finalizações certas. Grande trabalho do setor comandado pelo renascido Radamel Falcao García, mas que divide bem as incumbências – com Valère Germain, Kylian Mbappé, Thomas Lemar, Bernardo Silva, entre outros, desempenhando papeis importantes na produtividade ofensiva.

Logicamente, o Manchester City não deverá ser mera presa ao Monaco. Especialmente por começar jogando em casa, é de se esperar que a iniciativa parta do time de Guardiola. O que nem sempre vem funcionando nesta temporada – como bem serve de exemplo o empate sem gols contra o Huddersfield Town, pela Copa da Inglaterra, no final de semana. Além disso, o time passou certos apuros na fase de grupos da Champions, com apenas duas vitórias em seis partidas. O Celtic, sobretudo, soube como anular as investidas dos ingleses, arrancando dois empates.

A vaga nas quartas de final fica restrita ao que acontecerá nos 180 minutos que se iniciam nesta terça-feira. De qualquer maneira, com as cartas na mesa, dá para perceber que o Monaco está distante de ser o adversário mais acessível no sorteio. Já derrotou o Tottenham em duas oportunidades e mostrou que o sucesso não se limita apenas à Ligue 1. É ver como o City e Guardiola se portarão diante de um ataque sobre o qual não poderão se descuidar.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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