Champions League

Num jogo de Libertadores pela Champions, o Atleti se agigantou na batalha com o Porto e renasceu rumo às oitavas

O Atlético resistiu à pressão e teve nervos no momento em que o jogo pegou fogo, para sair da lanterna do Grupo B e buscar a classificação

O Atlético de Madrid conquistou nesta terça-feira uma vitória para sublinhar mais uma vez o caráter competitivo do time de Diego Simeone. Os colchoneros não vivem um bom início de temporada e isso era evidente na Champions League, com o time ocupando a lanterna do Grupo B antes da última rodada. Precisava vencer o Porto no Estádio do Dragão e ainda secar o Milan contra o classificado Liverpool. No primeiro tempo, apesar de uma grande chance perdida, o Atleti passou sufoco. Tomou pressão dos portistas e contou com um milagre de Oblak. O goleiro seguia salvando a equipe na volta ao segundo tempo, até que um gol improvável ao cenário da partida desse a vantagem aos rojiblancos. Então, os espanhóis tiveram muito mais nervos num duelo que entrou em ebulição. Mais parecia um jogo de Libertadores, com expulsões e confusões. Ainda assim, o Atlético manteve sua força mental para devorar os anfitriões nos contra-ataques e vencer por 3 a 1, num atuação enorme de Griezmann. Os madrilenos ressurgem na Champions, com a vaga nas oitavas marcada a ferro e fogo.

O Porto vinha desenhado num 4-4-2. Pepe era a referência na linha de zaga. Marko Grujic e Vitinha formavam a dupla de volantes, com Luis Díaz e Otávio nas pontas. Evanílson acompanhava Mehdi Taremi no ataque. Já o Atlético apostava num 3-4-3, com uma linha de zaga formada por Sime Vrsaljko, Geoffrey Kondogbia e Mario Hermoso. Marcos Llorente e Yannick Carrasco ganhavam liberdade nas alas, enquanto Koke e Rodrigo de Paul fechavam a cabeça de área. Thomas Lemar e Antoine Griezmann apareciam no apoio, atrás de Luis Suárez.

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O Atlético de Madrid tentava encaixar seu jogo nos primeiros minutos, com espaço aos alas, mas o Porto marcava com agressividade e saía em velocidade. E os temores dos colchoneros se tornaram maiores aos 13, quando Luis Suárez sentiu e deu lugar a Matheus Cunha. Com o passar dos minutos, os portistas acertaram sua marcação e passaram a avançar mais em campo. Contudo, sobravam brechas aos rojiblancos e o gol quase saiu aos 22. Ferreira Carrasco fez uma jogadaça pela esquerda e rolou para Lemar, que exigiu uma grande defesa do goleiro Diogo Costa. O rebote ainda ficou vivo na área e, depois que Griezmann furou, Llorente esbarrou em outra defesaça do goleiro lusitano.

A chance cristalina do Atlético, no entanto, seria uma exceção. A reta final do primeiro tempo viu o Porto arreganhar os dentes e dominar completamente o duelo, mal deixando os espanhóis construírem suas saídas de bola. Jan Oblak faria uma defesaça aos 31, se esticando todo para rebater um tiro rasteiro de Luis Díaz. No rebote, Llorente ainda evitou que Taremi marcasse. Os portistas cresceram e aumentava o abafa. Outro susto veio aos 40, num escanteio fechado que Lemar desviou e quase marcou contra. Os lusitanos seguiam em cima a partir das bolas cruzadas, mas paravam em Oblak. Grujic também testaria o goleiro, que responderia com uma defesa segura. Os colchoneros poderiam se considerar sortudos, por resistirem às seguidas investidas dos anfitriões até o intervalo.

O segundo tempo começaria aberto, com o Atlético saindo um pouco mais. Porém, as aberturas ao Porto seguiam maiores. Depois de um erro de Carrasco, Otávio serviu Taremi, que bateu para fora em boas condições. Já aos sete, num contragolpe, Luis Díaz deu um bolão para Taremi, que chutou no contrapé e viu outra defesaça de Oblak. Num momento em que o gol portista parecia questão de tempo, os colchoneros conseguiram abrir o placar, aos 11 minutos. Após uma cobrança de escanteio pela direita, Taremi deu uma casquinha e a bola chegou limpa no segundo pau a Griezmann. O francês escorou até meio no susto, mas pôde botar seu time em vantagem. Neste momento, com a virada do Liverpool sobre o Milan, a vaga caía no colo dos madrilenos, embora o empate seguisse bastando aos lusitanos.

O gol afetou o Porto, que quase tomou o segundo na sequência. Matheus Cunha fez uma jogadaça individual e arrancou abrindo a defesa. Deu um toquinho na saída de Diogo Costa, mas Pepe afastou em cima da linha. No rebote, Koke ainda emendou um calcanhar e mandou para fora. Logo aconteceriam as primeiras alterações, com Wendell na vaga de Zaidu e Ángel Correa substituindo Lemar. E o clima no Estádio do Dragão pegaria fogo aos 20 minutos, com uma série de confusões e expulsões – em decisões talvez exageradas do árbitro Clement Turpin, mas que pelo menos mantiveram certo critério entre si.

O primeiro entrevero aconteceu entre Otávio e Carrasco, numa disputa para cobrar um lateral. O brasileiro provocou e, com um tapa, tirou a bola da mão do belga, que respondeu acertando o adversário com o braço. Só Carrasco recebeu o vermelho direto e um grande empurra-empurra se formou. Otávio, Correa e Pepe ganhariam amarelos. Quando o jogo foi retomado, os dois times seguiram se pegando e, nem um minuto depois, seria a vez de Wendell perder a mão. O lateral empurrou o pescoço de Matheus Cunha com o cotovelo e, diante da valorização do atacante, também recebeu o vermelho direto. Outro entrevero se viu e Wendell até tentou seguir em campo, antes de sair chorando. Sobraria inclusive para Agustín Marchesín, goleiro reserva portista, expulso no banco. O árbitro tentou acalmar os ânimos, falando com os capitães Koke e Pepe, e só depois a poeira baixou.

O tempo perdido e o destempero atrapalhavam o Porto, que precisava do empate. Tanto é que o Atlético retomou o jogo melhor, com um chute para fora de Correa e melhor manejo da posse. Os portistas levariam um tempo até se restabelecerem no campo ofensivo, embora esbarrassem na marcação adversária. Por isso, o técnico Sérgio Conceição viria com uma mudança quádrupla aos 37 – com as entradas de Sérgio Oliveira, Toni Martínez, Fábio Vieira e Tecatito Corona. Taremi, Otávio, Grujic e João Mário foram sacados. Já Simeone responderia com Renan Lodi no lugar de Matheus Cunha.

O Atlético ainda seguia mais perigoso. Aos 40, Griezmann deu um ótimo passe e Lodi isolou em boas condições, mas estava impedido. Oblak só voltaria a trabalhar depois disso, sem soltar o tiro de Fábio Vieira no meio do gol. Com os colchoneros postados todos ao redor da área, os portistas rodavam a bola sem encontrar muitos espaços. E o gol da classificação madrilena surgiu aos 45, num contra-ataque perfeito do Atleti. Griezmann foi excepcional ao puxar a jogada pelo lado direito e descolar uma assistência magistral a Ángel Correa. O argentino passava em velocidade com o campo aberto e, no momento em que a marcação dupla vinha, mandou o chute cruzado no cantinho. As esperanças do Porto ruíam de vez.

E o Atlético ainda conseguiria fazer o terceiro gol nos acréscimos, num momento em que o Porto estava totalmente desorganizado. De Paul roubou a bola no campo de ataque e rolou para Griezmann, que foi bloqueado. Contudo, o rebote seguiu solto dentro da área e o próprio De Paul sacramentou o resultado. Os gritos da torcida visitante ecoava no Estádio do Dragão, enquanto Simeone saltava de alegria à beira do campo pelo épico do seu time. O momento dos rojiblancos, de fato, não é dos melhores. Mas não dá para falar que falta caráter ou espírito de luta ao time. Depois disso, o Porto até descontaria num pênalti cometido por Hermoso em Evanílson, que Sergio Oliveira converteu. Nada que mudasse a história do grupo.

O Atlético de Madrid fecha o Grupo B na segunda colocação, com sete pontos. Da lanterna, vai direto às oitavas. O Porto terá que se consolar com a Liga Europa, ainda em terceiro, com cinco pontos. Já o Milan sequer cumpriu sua parte, ao perder em casa para o time misto do Liverpool, e termina na última colocação. A força dos Reds, com 18 pontos, surpreende numa chave que se prometia equilibrada. Mas, no fim das contas, a história da rodada final é mesmo essa ressurreição heroica dos colchoneros rumo aos mata-matas. Daqueles jogos que viram parte da mística dos rojiblancos.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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