Champions League

“Novo sistema de classificação para a Champions é um escândalo”, diz dirigente do Saint-Étienne

A partir da temporada 2018/19, um novo formato entrará em vigor na maior competição entre clubes europeus, a Champions League. A configuração consiste em aumentar o número de vagas diretas para times das quatro principais ligas do continente, de acordo com o ranking da Uefa. Tanto os quatro primeiros colocados de La Liga, quanto da Premier League, da Serie A e da Bundesliga terão a oportunidade de ingressar no torneio europeu logo na fase de grupos. Uma mudança que, a priori, parece legal. Mas que se pararmos para analisar, vemos que é excludente e desigual. E é neste ponto que toca Bernard Caiazzo, presidente do conselho do Saint-Étienne.

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Há um abismo entre a pontuação da França, quinta colocada, e a Itália, que ocupa a quarta posição no ranking de coeficientes de clubes das federações. Com essa nova resolução, a Ligue 1 é a que mais se prejudica, já que, atualmente, as três equipes que ocupam o topo da tabela do campeonato francês têm acesso à Champions League, assim como ainda acontece no Calcio (que entrará no novo esquema). Para Caiazzo, “a forma como essa nova estrutura da competição foi feita é um escândalo”. O dirigente ainda falou ao L’Équipe que “há, hoje em dia, um vácuo de poder na Uefa e na Associação de Clubes Europeus (ECA) que tem sido aproveitado para impor esta reforma com a ajuda de ‘apparatchiks’ da Uefa”.

“Na França, ninguém havia sido avisado sobre essas novas regras. Então por que Jean-Michel Aulas [presidente do Lyon], que faz parte do escritório executivo da ECA, não alertou ninguém da liga francesa sobre essas mudanças?”, questionou também Caiazzo, antes de acusar essa história envolvendo o outro dirigente de ser um golpe e frisar o que todo mundo já sabe: que a resolução não passa de uma maneira para que os ricaços da Europa enriqueçam ainda mais. “O que fizeram é só o primeiro passo para uma liga europeia fechada. É um jeito de permitir que os clubes ricos ganhem ainda mais dinheiro”, falou o cartola do clube dez vezes campeão francês.

Enquanto Caiazzo critica a reforma no sistema de classificação para a principal competição europeia, outro presidente da Ligue 1 vê a resolução como algo positivo se o terceiro colocado do campeonato tiver melhores chances de disputar de maneira regular a Champions League. Isso porque, com com essa mudança, as três vagas da liga francesa passarão a ser diretas. Jean-Lous Triaud, do Bordeaux, revelou ao L’Équipe que achou boa a mudança, e que considerava anormal a proposta feita pelo ex-presidente da Uefa Michel Platini, a qual oferecia mais lugares na fase de grupos para times de “pequenas nações”.

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Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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