Champions League

Noite cardíaca: Dortmund teve forças para buscar o empate contra o Real nos minutos finais

Tecnicamente, pelo futebol ofensivo que os dois clubes costumam representar, não foi o melhor dos jogos. Mas que partidaça recheada de emoção viveu o Signal Iduna Park nesta terça-feira, no encontro entre favoritos do Grupo F na Liga dos Campeões. O Borussia Dortmund manteve o domínio na maior parte do tempo, embora tenha cedido e ficado duas vezes em desvantagem contra o Real Madrid. Entretanto, os aurinegros tiveram forças para arrancar o empate por 2 a 2 nos minutos finais, o suficiente para satisfazer as pretensões de ambos os lados, mesmo não sendo o melhor resultado. Prévia para outro ótimo embate que se promete para o Santiago Bernabéu, no returno.

Thomas Tuchel veio com mudanças pontuais no Borussia Dortmund. A mais significativa aconteceu na faixa central, onde Gonzalo Castro ganhou vez, enquanto Raphaël Guerreiro foi deslocado à ponta esquerda, provavelmente para conter as subidas de Dani Carvajal. Já pelo Real Madrid, Zinedine Zidane continua sem Casemiro e manteve Toni Kroos na cabeça de área. Improvisou Danilo na lateral esquerda e trouxe James Rodríguez de volta ao meio. Já no ataque, o trio BBC estava completo.

A partida começou a mil por hora, com uma boa chance a cada lado do campo, em cobranças de falta que Roman Bürki e Keylor Navas pararam. Entretanto, o Dortmund impunha o seu domínio em casa. Trabalhava a bola no campo de ataque, com Weigl mandando prender e soltar na organização, e tentava encontrar espaços na defesa merengue, bem postada naquele início. Embora o Real tivesse dificuldades para sair da pressão na marcação, os aurinegros também erravam demais no passe final. E pagaram caro por isso aos 17 minutos. Em contra-ataque que começou com lançamento magistral de Modric, Bale invadiu a área e passou para Cristiano Ronaldo chutar no cantinho, abrindo o placar.

O gol botou pressa no Dortmund. A equipe insistia no ataque e tentava ocupar as pontas, mas tinha pouca qualidade na criação. Ousmane Dembélé era um dos que mais apareciam, infernizando Danilo. Entretanto, a cada drible que acertava, eram duas bolas perdidas, e muitas finalizações fora do alvo. Já Aubameyang teve seu melhor lance em belíssimo giro sobre Sergio Ramos, antes de acertar o travessão, mas estava impedido. Até que o oportunismo do artilheiro aparecesse aos 42. Keylor Navas vinha pegando muito, mas espalmou para frente uma cobrança de falta de Raphaël Guerreiro. A bola bateu em Raphaël Varane, antes que Auba completasse em cima da linha. Antes do intervalo, Cristiano Ronaldo até chegou a balançar as redes pela segunda vez, mas estava impedido, em tento bem anulado pela arbitragem.

Se alguém esperava um ímpeto maior do Dortmund na volta para o segundo tempo, se enganou. O time até começou melhor, com Dembélé quase anotando um golaço, mas se acomodou. Bom para o Real Madrid, que ganhou espaço no ataque e começou a apostar fortemente no jogo aéreo. As bolas paradas eram uma constante, cruzando a área de Bürki. Não deu para fugir do segundo gol, anotado aos 23, após cobrança de escanteio: Cristiano Ronaldo cruzou e Benzema carimbou a trave. No rebote, Varane não teve muito trabalho para escorar.

Só então o Dortmund voltou a acordar para a vida. Tuchel, que já tinha botado André Schürrle na vaga de Mario Götze, apagado, apostou também em Emre Mor e Christian Pulisic. Já Zidane preferiu se resguardar um pouco mais, com Mateo Kovacic na vaga de James Rodríguez. A partir de então, o que se viu foi um bombardeio em amarelo e preto. Navas já havia se redimido da falha, acumulando ótimas defesas. Enquanto isso, a velocidade de Schürrle, Pulisic e Mor incomodava demais os merengues, cada vez mais acuados. Do outro lado, o Real atacava menos, e mesmo assim Cristiano Ronaldo fez Bürki trabalhar de novo.

O merecido empate, enfim, saiu aos 42 do segundo tempo. Pulisic fez uma excelente jogada em diagonal, mandando a bola na área. Aubameyang tentou um chute acrobático, mas não conseguiu acertar a bola. A sobra ficou limpa para Schürrle, livre na entrada da área, e o alemão encheu o pé para um chutaço no ângulo, sem qualquer chance de reação para Keylor Navas. Nos acréscimos, eletrizantes, qualquer time ainda poderia ter vencido. Schmelzer executou um desarme primordial em Morata, enquanto Navas saiu nos pés de Castro para evitar a virada.

Ambos os times têm os seus méritos, mas as falhas também se expuseram. As duas defesas apresentaram fragilidades, enquanto os dois setores de armação ficaram devendo. O Real Madrid dependeu muito do jogo aéreo, sucumbindo outra vez nos minutos finais, e o Dortmund não conseguiu as tabelas que resultaram nas goleadas das últimas semanas. No saldo final, o empate é mais lamentado pelos aurinegros, ainda que os merengues também pudessem ter vencido, com suas chances claras. A liderança da chave, que é o que interessa para ambos, dependerá do embate em Madri. E isso se ambos conseguirem se impor sobre o Sporting, que já demonstrou na rodada inicial que não se interessa pelo papel de figurante.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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