Champions League

Neymar e Suárez foram os heróis do Barcelona do contra-ataque e enterraram os sonhos do Bayern

Guardiola havia contrariado as expectativas na entrevista coletiva antes da partida desta terça-feira. “O Bayern de Munique vai atacar?” era a pergunta mais óbvia, precisando reverter uma derrota por 3 a 0 no jogo de ida, mas o treinador reforçou a importância de defender bem. Porque sofrer um gol na Allianz Arena significaria ter que fazer cinco. Significaria, praticamente, o fim de qualquer possibilidade de sonhar com vaga na decisão de Berlim. Ficou no discurso. Em campo, os alemães deram tanto espaço quanto no jogo de ida, e contra Messi, Suárez e Neymar, isso costuma significar derrota.

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Principalmente quando esses jogadores estão em estado de graça. A apresentação de Messi foi menos inspirada que a da semana passada, mas Neymar, e principalmente Suárez, compensaram com sobras. Em duas estocadas pela direita, o uruguaio deixou o brasileiro na cara do gol e anulou o tento da esperança marcado por Benatia, logo no começo da partida de volta. Uma derrota irrelevante para o Barcelona por 3 a 2, mas mais uma pesada de Guardiola nas semifinais. Após levar 5 a 0 do Real Madrid, no placar agregado, tomou um 5 a 3 do Barcelona, fazendo dois gols depois de tudo já estar decidido.

Não tinha que jogar em casa para minimizar os danos. Acertou ao buscar o resultado, mas mais uma vez brincou com o perigo. A estratégia que já conhecemos e que já havia deixado o Bayern de Munique em apuros na Catalunha. Linhas avançadas e pouca cobertura para os zagueiros. Contra uma equipe que não é mais a representação da posse de bola, mas do mais letal e objetivo contra-ataque do mundo, com três atletas rápidos, habilidosos e artilheiros.

Aproveitando a altura da defesa, Messi enfiou a bola para Suárez, pela direita, que apenas teve o trabalho de rolar para Neymar. Depois, um lançamento pelo alto para o uruguaio e o brasileiro reprisarem a primeira cena, em um espaço de 15 minutos. Há dois tipos de frieza no futebol. Uma delas passa mais a impressão de alienação, aquele jogador que não sente a importância dos grandes jogos. A outra é a que tem Neymar. Como no Camp Nou, quando puxou o contra-ataque do terceiro gol e tocou na saída de Neuer com muita calma, não importou para o camisa 11 estar em uma semifinal de Champions League, diante do melhor goleiro do mundo. Poderia muito bem estar na sétima rodada do Paulistão em algum estádio do interior. Completou as duas jogadas de Suárez sem afobação. Chegou a 13 gols na carreira pela Champions League em duas temporadas. É o 19º maior artilheiro brasileiro. Tem 23 anos.

Antes do trio sul-americano do Barcelona enterrar as esperanças alemãs, Benatia havia aberto o placar com uma cabeçada precisa, em uma das raras vezes em que Ter Stegen não alcançou a bola. Porque além de tudo, o goleiro dos visitantes esteve em um dos seus melhores dias. Primeiro, buscou no ângulo uma cabeçada bem colocada por Müller. Depois de algumas defesas corriqueiras em comparação, Lewandowski teve uma chance à queima-roupa. Deixou a bola quicar. Mirou. Encheu a barrinha de força e chutou no contrapé do goleiro adversário. Ter Stegen conseguiu abafar com a mão esquerda e foi buscar em cima da linha.

Quando acabou o intervalo, o Bayern de Munique voltou a campo precisando fazer cinco gols para se classificar. Sabia que não conseguiria. Luis Enrique também. Tanto que tratou de poupar Suárez para o confronto contra o Atlético de Madrid, no final de semana, que pode definir o título espanhol. Colocou Pedro como poderia ter colocado um torcedor sorteado da arquibancada. Porque não havia mais muita coisa pela qual brigar. O time da casa buscou ao menos não perder, e Lewandowski foi muito bem nessa empreitada com um golaço da entrada da área, no qual fez Mascherano dançar. A quinze minutos do fim, Schweinsteiger arrumou para Müller acertar o canto e ao menos garantir a vitória.

Prêmio de consolação. Todos sabiam desde antes da bola rolar que seria muito difícil algum milagre em Munique. Os 90 minutos que decidiram o confronto foram na Espanha, com show de Messi. Suárez e Neymar, como bons braços direitos e esquerdos, assumiram a responsabilidade de fechar o negócio no jogo de volta. Contra Juventus ou Real Madrid, Luis Enrique conta com os três para conquistar a Champions League na sua primeira temporada como treinador do Barcelona, como fez Guardiola. Mas em contraste com o time de posse de bola do seu ex-colega, com três flechas letais para contra-atacar.

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Equipe Trivela

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