Antes que a bola rolasse no Estádio Ramón Sánchez-Pizjuán, o carregava o favoritismo no duelo pelas oitavas de final da Champions League contra o . A equipe de Julen Lopetegui se mostrava bem melhor estruturada, vinha de nove vitórias consecutivas e não havia sofrido gols em oito desses jogos. O BVB, em contrapartida, perde espaço na Bundesliga e não se encontrava sob as ordens de Edin Terzic. No entanto, o jogo virou na Andaluzia. O Dortmund é que apresentou uma relativa capacidade defensiva e construiu a vitória por 3 a 2. De qualquer maneira, como de praxe, os aurinegros ainda dependeriam do poder de fogo de Haaland para ganhar. O centroavante destruiu os rojiblancos, com dois gols e uma assistência – em noite na qual Dahoud, Reus e Sancho também seriam ótimos coadjuvantes.

O Sevilla entrou em campo precisando lidar com a ausência de Lucas Ocampos, seu jogador de maior talento individual. O destaque ficava por conta do trio de ataque composto por Suso, Youssef En-Nesyri e o novo contratado Papu Gómez. Já o Dortmund optou por uma formação em que o meio-campo estivesse mais preenchido, com a trinca formada por Emre Can, e Jude Bellingham no 4-3-2-1. Mais à frente, e eram os responsáveis pela ligação, enquanto encabeçava o ataque.

A partir do apito inicial, o Dortmund até buscava as primeiras movimentações. Porém, o Sevilla se defendia com segurança e logo parecia confirmar seu favoritismo, ao abrir o placar aos seis minutos. Fernando inverteu a jogada com Suso no lado direito do ataque e o espanhol foi ótimo, ao fintar a marcação de Sancho. Já depois de finalizar, o ponta também contou com a sorte, num desvio de Mats Hummels que tirou Marwin Hitz da bola. A partida parecia ainda mais favorável ao estilo de jogo dos andaluzes.

Depois do gol, o Borussia Dortmund retomou a posse de bola, mas as linhas de marcação do Sevilla eram bastante compactas. Estava difícil de romper as trincheiras e invadir a área. Assim, a solução dos aurinegros para o empate veio num chute de longe, aos 19 minutos. A jogada teve boa participação de Haaland no início, ao aplicar uma caneta e limpar o lance colado na lateral. Ainda assim, os maiores méritos recaem sobre Dahoud. O volante limpou o caminho e acertou um excelente chute de fora da área, que saiu do alcance de Bono e morreu no alto da meta. O gol também aumentou a confiança dos alemães.

O Dortmund aproveitou o momento para pressionar um pouco mais e reclamou de um pênalti ignorado pela arbitragem, por toque de mão de Papu Gómez. Nem faria falta, com a virada consumada aos 27. Numa transição rápida, Haaland pegou a intermediária aberta. A postura passiva de Diego Carlos também ajudou, recuando e chamando o centroavante. Haaland então abriu com Sancho e recebeu um lindo passe de primeira. Invadindo a área em velocidade, o norueguês passou nas costas de Jules Koundé e alcançou a bola com liberdade, dando um leve toque de carrinho por baixo de Bono. Era ele o nome da virada.

O segundo gol do Dortmund deixava clara a insatisfação de Lopetegui com a desatenção defensiva do Sevilla. E os 15 minutos finais do primeiro tempo guardaram momentos ainda piores aos andaluzes. Impelido a sair ao ataque, o time da casa mal criava chances, travado pelo trio de meio-campistas aurinegros. Do outro lado, o BVB era muito mais perigoso. Numa arrancada pela esquerda aos 34, Haaland chutou firme e Bono fez uma defesa difícil. Depois, Hummels também levou perigo ao completar a cobrança de escanteio. Por fim, o terceiro gol veio aos 43. Reus interceptou um passe de Ivan Rakitic a Papu Gómez e arrancou no contragolpe. No limite da área, rolou a Haaland e o artilheiro definiu no contrapé de Bono.

Na volta ao segundo tempo, Lopetegui acionou Nemanja Gudelj no lugar de Rakitic. Ganhou um jogador mais defensivo para a faixa central e soltou os alas, quando o placar exigia outra postura. Fernando, recuado à zaga, seria bem mais rígido na marcação de Haaland. A partida reiniciou num ritmo mais lento, sem que os andaluzes ameaçassem muito além dos cruzamentos. Até por isso, o Sevilla realizou mais três mudanças aos 15 minutos – com as incursões de Luuk de Jong, Munir El Haddadi e Óliver Torres. Os rojiblancos mantinham a postura de insistir nas bolas espetadas, mas a defesa do Dortmund vivia uma noite surpreendentemente precisa.

O Dortmund também precisava fazer um pouco mais no ataque para não ficar tão submetido à pressão. Levaria um tempo até que os aurinegros voltassem a trabalhar com a bola no campo ofensivo, mas sem as facilidades vistas no primeiro tempo. Quando Bellingham tentou o gol, Bono defendeu bem. Neste momento, Lopetegui gastou sua última troca com a entrada de . O substituto quase descontou numa cobrança de falta aos 29, mas acertou a trave, em bola que ainda bateu na mão de Hitz antes de ser rifada. Os anfitriões pareciam acordar.

A reta final prometia uma partida mais travada. Quando o Dortmund ia à frente, não tinha espaços, contra um Sevilla mais combativo. Até rolaram alguns atritos por entradas mais firmes dos andaluzes. E o time de Julen Lopetegui pelo menos levaria um prejuízo menor no placar, ao descontar a diferença. Aos 39, Óscar Rodríguez cobrou falta pela esquerda e Luuk de Jong passou livre no segundo pau para fuzilar. Os minutos finais voltariam a pegar fogo e ficaram mais corridos, com espaços aos contragolpes aurinegros. Sancho quase marcou o quarto aos 45, num tiro que passou lambendo a trave. Também haveria uma reclamação de pênalti para os espanhóis durante os acréscimos, que o VAR não concedeu. Ficaria nisso.

O Sevilla leva um saldo desfavorável para o reencontro na Alemanha. Que o Borussia Dortmund venha num momento instável, não será tão simples reverter a situação no Signal Iduna Park. Os andaluzes dependerão de uma atitude ofensiva que não é muito a sua, depois de verem a aclamada defesa ruir diante de Haaland. Esperava-se muito mais da equipe de Julen Lopetegui, mas pelo menos o gol tardio de Luuk de Jong reaviva as esperanças.

Já no lado do Dortmund, os comentários óbvios recaem sobre Haaland. Quando teve mais espaço, o centroavante implodiu a defesa andaluz. Os adversários só acertaram a marcação no segundo tempo, fechando melhor os espaços, mas já era tarde. Além do artilheiro, Terzic também merece elogios pela maneira como armou seu meio de campo e garantiu o triunfo durante a primeira etapa. Dahoud brilhou com um pouco mais de espaço, enquanto Reus e Sancho foram importantes mesmo sem um posicionamento tão aberto nas pontas. Resta aos aurinegros manterem tal postura também na Alemanha. Todavia, a irregularidade recente ainda exige cautela.