Não é só a Conmebol: Ceferin diz que “é possível” pensar numa final da Champions em Nova York
Em entrevista a um podcast dos EUA, Ceferin elogiou a força do mercado americano e não negou uma final europeia em Nova York
Uefa e Conmebol andam bastante alinhadas nos últimos tempos. E isso até nas ideias mais absurdas. O presidente Alejandro Domínguez já flertou com a possibilidade de levar a decisão da Libertadores para os Estados Unidos. Agora, Aleksander Ceferin comentou abertamente o assunto e disse que existe uma possibilidade de ver a final da Champions em Nova York um dia. É verdade que a declaração do esloveno foi condicionada, dada ao podcast americano Men In Blazers. De qualquer forma, mostra como o pensamento comercial dos dirigentes se impõe até mesmo na Europa. E as aspas do presidente da Uefa, obviamente, logo geraram insatisfação em torcedores de seu continente.
“É possível fazer uma final da Champions em Nova York. Começamos a discutir esse assunto, mas aí vem a Copa do Mundo, a Eurocopa. A final de 2023 será em Istambul, em Londres em 2024 e em Munique em 2025. Depois disso, vamos ver. É uma possibilidade factível”, declarou Ceferin, ao podcast, após já ter avaliado a atratividade do mercado americano. “Os Estados Unidos são um mercado muito importante e promissor para o futuro. O ponto é que estamos vendendo os direitos de transmissão muito bem, patrocínios dos Estados Unidos estão mais ou menos agora, mas a comercialização é completamente diferente que na Europa. Americanos são mais talentosos que nós nisso”.
Se por um lado a final da Conmebol encontra muitos entraves na América do Sul em seu formato de jogo único, com menos opções de cidades e claras dificuldades econômicas que reduzem o público, o modelo da Champions é um sucesso há décadas. A Uefa consegue promover um evento atrativo e bastante rentável, mesmo quando causa uma catástrofe logística, como na última decisão. Também não faltam cidades e países distintos para uma rotação de sedes. De qualquer maneira, Ceferin parece disposto a ganhar ainda mais dinheiro. Resta saber se a sua ideia teria a aprovação de outros executivos, especialmente os ligados aos clubes, quando a pressão popular começar.
Um dos pontos que fazem Ceferin crescer os olhos sobre o mercado americano é a audiência massiva dos eventos: “O que me chocou, na verdade, é que as nossas finais da Eurocopa, de seleções nacionais europeias, foi assistida por mais gente nos Estados Unidos que as finais da NBA. O que me chocou é que 30 partidas da Euro tiveram uma audiência do tamanho do Super Bowl, cada partida. Então, acho que estamos fazendo bem. O problema é o fuso horário. Porque se você joga às terças e quartas às três da tarde em Los Angeles, é um problema. Poderíamos ter uma audiência muito maior”.
Além disso, Ceferin também exaltou uma cultura americana de valorizar o evento: “Futebol é extremamente popular nos Estados Unidos hoje em dia. Europeus estão prontos para pagar um tanto para o melhor, outro tanto para algo um pouco pior e mais um tanto por um negócio pior ainda. Os americanos estão dispostos a pagar esse tanto pelo melhor e nada pelo pior. Eles acompanham o futebol europeu, assim como os europeus que gostam de basquete assistem à NBA”.
Durante os últimos anos, a Uefa conseguiu ampliar o número de países da Europa que recebem as competições continentais. A criação da Conference League passou a contemplar estádios menores e países sem tanto poderio econômico, enquanto o fim da sede fixa da Supercopa Europeia também auxiliou nesse sentido. Todavia, há outros escopos para a Champions. E o presidente da entidade máxima do futebol europeu não vê problema em levar a maior final do continente para outro canto do planeta, desde que signifique ganhar mais dinheiro com isso. Nada surpreendente, dentro do que é a gestão de Ceferin e dos efeitos um tanto quanto impensados que a pressão da Superliga Europeia gera na Uefa.



