Champions League

Na grande atuação defensiva do Real, Casemiro imperou no meio de campo

Casemiro anotou o gol que selou a classificação do Real Madrid às quartas de final da Liga dos Campeões. Assim como tinha acontecido contra Juventus e Napoli na temporada passada, contribuiu ofensivamente para uma vitória dos merengues nos mata-matas da competição continental. Mas se o volante merece destaque neste texto, é por outro motivo. Defensivamente, o time de Zinedine Zidane fez uma partida praticamente perfeita no Parc des Princes. Não se intimidou com a pressão do ambiente e anulou as principais virtudes do Paris Saint-Germain. Permitiu que, quando tomassem a bola, os madridistas pudessem jogar à vontade. E dentro da noite de concentração impressionante do Real na contenção, mais uma vez, Casemiro foi soberano. Atuação maiúscula do camisa 14, por fim coroado com um gol.

Zidane escalou um time mais “operário” ao Real Madrid. Priorizou o encaixe da defesa e o trabalho intenso dos pontas na marcação. Com Lucas Vázquez e Marco Asensio ajudando os laterais a bloquearem as saídas do PSG pelas pontas (além, é claro, de serem decisivos no ataque), a missão dos merengues ficou mais fácil. Sergio Ramos liderou a linha de zaga com um tempo de bola fantástico em Paris, talvez na sua melhor exibição da temporada, e teve o atento complemento de Raphaël Varane. Já na cabeça de área, mesmo com Luka Modric e Toni Kroos à disposição, recuperados de problemas físicos, o treinador optou pelo empenho de Mateo Kovacic e Casemiro.

De um lado, Kovacic foi incansável. Correu demais para bloquear a armação de jogo do PSG, com Marco Verratti e Adrien Rabiot inoperantes. Ao seu lado, contava com solidez de Casemiro, um general na intermediária. O brasileiro esteva muito firme nos combates, chegando em cima dos adversários, sem conceder espaços. Edinson Cavani foi claramente aquele que mais se incomodou. Desde o primeiro tempo, o centroavante demonstrou seu nervosismo na partida, um tanto quanto pilhado. E saiu do sério nos encontros com o camisa 14 merengue. Casemiro, tranquilo, não caiu na dele e seguiu priorizando a bola. Nada mais correto, em confronto nas mãos do Real.

Casemiro teve um problema na partida. No lance do gol do PSG, talvez pudesse ter feito melhor, em uma bola que espirrou nas suas pernas e sobrou para Cavani. Mas se redimiu pouco depois, ao aparecer no ataque e contar com um desvio na defesa para anotar o segundo gol. Nos minutos finais, o símbolo da grande noite que viveu em Paris. Cavani tentava o último suspiro dos parisienses, mas acabou travado pelo brasileiro. Merecidos aplausos por tudo o que protagonizou, das coberturas aos desarmes.

Ao final, os números só corroboram a partida excelente de Casemiro no Parc des Princes. Na defesa, foram 11 bolas recuperadas, além de cinco bloqueios. Cometeu apenas uma falta. E errou um mísero passe, em 57 tentados. Já na frente, em aparições esporádicas, deu dois passes para finalização dos companheiros e anotou seu gol no único chute que deu. Aproveitamento fantástico, em influência inegável aos rumos do triunfo.

Em uma temporada na qual não vinha fazendo o seu melhor, o Real Madrid cresce no momento certo. E, outra vez, conta também com o crescimento de Casemiro. O volante foi um dos pontos centrais no sucesso de Zidane durante os dois últimos anos. Já na principal missão até o momento em 2017/18, correspondeu muito bem. Sem necessariamente fazer o papel que está acostumado, atrás de outros dois meio-campistas de extrema qualidade técnica, cumpriu a nova missão com simplicidade e eficiência. Não à toa, se colocou entre os melhores em campo. O camisa 14 é uma confiança a mais para os merengues sonharem com o tri.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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