Champions League

Monchengladbach deixou o Manchester City para trás a caminho do seu bicampeonato da Copa da Uefa em 1979

Borussia Monchengladbach e Manchester City entrarão em campo nesta quarta-feira pelas oitavas de final da Champions League com um favoritismo muito claro a favor dos ingleses: eles têm mais recursos financeiros, o melhor técnico do mundo e estão em uma sequência de 18 vitórias consecutivas. Mas, 41 anos atrás, os papéis estavam invertidos quando se encontraram pelas quartas de final da Copa da Uefa. Eram os alemães de Udo Lattek o time dominante.

Lattek, que virou jogador profissional de times modestos quando se preparava para ser professor e se juntou à comissão técnica da seleção quando pensava em ser jornalista esportivo, é um dos profissionais mais condecorados do futebol alemão. Conquistou dois tricampeonatos da Bundesliga com o Bayern de Munique, um nos anos setenta e outro nos anos oitenta, e foi campeão europeu pelos bávaros em 1973/74.

Uma fase ruim em 1975 o deixou sem emprego. Para a sorte do Borussia Monchengladbach, que já era o principal rival do Bayern no âmbito doméstico e agora contaria com o seu comandante. Lattek chegou para a temporada 1975/76 e levou mais duas Salvas de Prata, completando o tricampeonato dos Potros. Tinha à sua disposição nomes como Allan Simonsen, Jupp Heynckes e Berti Vogts. Chegou perto de alcançar também a maior glória europeia, mas seu Gladbach não foi páreo para o grande time do Liverpool de Bob Paisley.

O sucesso no continente acabou vindo pela Copa da Uefa, repetindo o feito de 1974/75. O Gladbach havia deixado o título alemão escapar para o Colônia no saldo de gols e perdera a influência de Jupp Heynckes, aposentado e começando a estudar para se tornar outro dos grandes treinadores da Alemanha. Passou sem problemas pelo Sturm Graz, da Áustria, venceu o Benfica por uma margem apertada e despachou o Slask Wroclaw, da Polônia, para chegar às quartas de final.

Enfrentaria um Manchester City que estava dez anos distante de seu período mais glorioso. No final dos anos sessenta, com a parceria entre Joe Mercer e Malcolm Alisson, conquistou seu primeiro título inglês do pós-Guerra, papou as duas copas nacionais e levou seu primeiro, e ainda único, troféu europeu na Recopa de 1969/70. No entanto, a dupla foi desfeita no começo da década seguinte, e o City caiu para a mediocridade do meio da tabela.

Tony Book, lateral direito do time de Mercer-Alisson, assumiu a equipe em 1974 e conseguiu tocar uma relativa reconstrução. Ganhou mais uma Copa da Liga Inglesa e foi vice-campeão inglês, apenas um ponto atrás do Liverpool. A temporada em que chegou às quartas de final da Copa da Uefa, porém, seria a sua última no cargo principal. Após um 15º lugar na liga, Alisson seria convocado para tentar subir de patamar – e não conseguiria. Book seguiria atuando em outras funções dentro dos Citizens.

De qualquer maneira, o time de Book era conhecido pelo futebol atraente, em linha com a filosofia dos seus mestres Mercer e Alisson, e contava com jogadores como Colin Bell, Brian Kidd e as pratas da casa Gary Owen e Peter Barnes, cujas vendas seria um dos pontos de fricção na segunda passagem fracassada de Big Mal.

Michael Channon pegou um rebote para abrir o placar para o Manchester City, aos 26 minutos do primeiro tempo da partida de ida, no Maine Road, mas Ewald Lienen invadiu a área e bateu na saída do goleiro para arrancar o empate fora de casa. Na Alemanha, nenhuma chance. Christian Kulik acertou o canto de Joe Corrigan para fazer 1 a 0, ainda no primeiro tempo. Hans-Günter Bruns apareceu na pequena área para completar uma jogada de contra-ataque bem construída do Glabdach e Karl Del’Haye fechou a conta. Kazimierz Deyna descontou com um lindo chute de primeira quando já era tarde demais.

A Alemanha dominou aquela Copa da Uefa. A semifinal tinha outros dois clubes. O Gladbach passou pelo Duisburg, com uma goleada por 4 a 1 em casa, enquanto o Estrela Vermelha eliminava o Hertha Berlim. Na decisão, após empate por 1 a 1 em Belgrado, um gol de pênalti de Simonsen deu aos Potros o bicampeonato da Copa da Uefa.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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