Champions League

Militão precisou de tempo, mas está se transformando em um futuro importante ao Real Madrid

O defensor brasileiro teve mais uma atuação de destaque contra o Chelsea

O Real Madrid não teve seus dois principais zagueiros para enfrentar o Liverpool nas quartas de final da Champions League. Zidane precisou escalar Nacho Fernández e Éder Militão para enfrentar Salah, Mané, Firmino e companhia. Apesar da temporada ruim do adversário, ainda era uma perspectiva que poderia causar calafrios ao torcedor merengue. Mas ambos lidaram bem com a situação e, nesta terça-feira, Militão confirmou que está em um momento de ascensão com outra atuação excelente no empate por 1 a 1 com o Chelsea no estádio Alfredo di Stéfano.

Essa trajetória ascendente existe, com essa ênfase, apenas porque temos muita pressa. Militão chegou ao Real Madrid aos 21 anos, com menos de 50 partidas no futebol europeu, tendo que brigar por posição em uma defesa com Sergio Ramos e Varane, embora também possa ser usado como lateral direito. Uma posição mais aberta, mas, em condições normais, Dani Carvajal costuma ocupá-la. É natural que tenha tido dificuldades, inclusive porque Zidane ainda está mais empenhado em tirar os últimos suspiros dos jogadores experientes do que em preparar os jovens.

Mas ele sabe que a natureza é implacável e uma hora a renovação terá que acontecer. Por isso, é importante que Militão, entre o assustado e o inseguro em muitos dos 35 jogos que fez desde que foi contratado no começo da temporada passada, apareça como uma opção para o futuro que já está ambientada a um clube com tantas características peculiares como o Real Madrid.

Militão liderou o seu time com 15 ações defensivas: sete desarmes corretos (quase o dobro de qualquer outro jogador em campo – Toni Kroos, com quatro), três interceptações, quatro rebatidas e um bloqueio. Também participou do gol de Benzema, ganhando pelo alto a bola que o atacante francês acabou convertendo para arrancar o empate dos espanhóis.

A escalação de Zidane com três zagueiros também o ajuda. Lateral direito no São Paulo, muitas vezes também no Porto e convocado por Tite para a seleção brasileira nesta posição, Militão encontra em um sistema de três zagueiros um meio-termo perfeito entre ter a proteção dos seus companheiros e menos responsabilidade ofensiva apoiando o ataque. Pode atuar de uma maneira mais confortável, o que é importante para lhe dar um pouco mais de confiança.

Não haveria cenário muito maior para que Militão tivesse uma atuação dessa, e o fato de a ter tido dá muita segurança ao Real Madrid em um momento no qual precisará tomar algumas decisões. O contrato de Sergio Ramos termina ao fim dessa temporada e, por mais que um ídolo desse tamanho mereça o direito de ficar quanto tempo quiser, está sendo uma negociação na qual o clube fica mais confortável se souber que tem mais opções. Varane também está próximo do fim do seu vínculo – quando a temporada 2021/22 terminar.

Ainda é muito cedo para ter certeza que Militão chegará ao nível de Varane, ainda mais de Sergio Ramos, ou de um zagueiro para ser titular do Real Madrid durante uma década. Mas tudo faz parte do processo e, por mais que as dificuldades fossem naturais, é muito legal quando a promessa toma ares concretos. Isso certamente está acontecendo em um mata-mata de Champions League para o qual ele poderá apontar como um momento determinante de sua carreira.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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