Champions League

Milan teve uma reação fulminante, mas Liverpool se impôs em um Anfield pulsante para vencer

O Liverpool foi avassalador nos primeiros 40 minutos, mas levou a virada no final do primeiro tempo antes de gerar o êxtase das arquibancadas de Anfield

Retornar à Champions League depois de tanto tempo, como faz o Milan, é geralmente complicado. Não é raro cair em um grupo complicado, por causa do coeficiente baixo, e ter um elenco inexperiente na principal competição europeia. Logo, o primeiro jogo do clube rossonero no torneio que ele venceu sete vezes seria naturalmente complicado e, para piorar, ele aconteceu no reencontro das noites europeias com Anfield lotado. A energia das arquibancadas impulsionou o Liverpool a uma das suas melhores atuações desde o começo da pandemia e, apesar da reação fulminante dos visitantes, os Reds se impuseram novamente depois do intervalo e venceram por 3 a 2.

Pelo estilo de jogo proposto por Jürgen Klopp, de muita pressão e intensidade, o Liverpool se beneficia de ter torcedores nas arquibancadas para retirar energia e manter a concentração. Durante os primeiros 40 minutos, foi novamente o time que conquistou a Champions League e a Premier League. Talvez da maneira mais completa em mais de um ano e meio. Desarmava no meio-campo, pressionava nos dois lados do gramado, recuperava a bola no campo ofensivo e atacava, atacava e atacava. Os italianos não conseguiam manter a posse de bola. Não conseguiam sequer respirar.

Klopp começou jogando com Divock Origi como titular, poupando Sadio Mané, Naby Keita no meio-campo e Van Dijk também na reserva para dar lugar a uma dupla de zaga com Joel Matip e Joe Gomez. Em relação à equipe que enfrentou a Lazio no fim de semana, Stefano Pioli colocou Simon Kjaer no lugar de Romagnoli, Bennacer na vaga de Tonali ao lado de Kessié e Saelemakers em vez de Alessandro Florenzi na linha de armação.

Empurrado pela torcida, o Liverpool estava em modo sufocante, e isso se refletiu rapidamente em resultados concretos. Logo aos cinco minutos, Jota recebeu dentro da área, após erro do Milan na saída de bola, deu o corte e bateu de esquerda. O desvio de Kessié mandou para escanteio. Matip subiu alto para cabecear a cobrança, mas não desviou direito, e Maignan agarrou. Dois minutos depois, Alexander-Arnold recebeu pela direita, tocou para Salah e se projetou. Recebeu de volta, entrou na área e tentou o cruzamento. Fikayo Tomori bloqueou e matou o goleiro francês, contratado para substituir Donnarumma.

O gol cedo não diminuiu o ímpeto do Liverpool e, aos 13 minutos, Ismaël Bennacer barrou chute de Robertson com o braço aberto, e o árbitro marcou pênalti. Após 17 acertos consecutivos, porém, Salah desperdiçou sua primeira cobrança desde 2017, e Maignan ainda defendeu o peixinho de Jota no rebote. Aos 22 minutos, eram 12 finalizações inglesas contra zero italianas.

A intensidade do Liverpool finalmente diminuiu por volta dos 25 minutos. O Milan conseguiu ficar um pouco mais com a bola, mas sem chegar perto de ameaçar o gol de Alisson. Salah exigiu outra grande defesa de Maignan com um chute forte da entrada da área. O primeiro tempo caminhava ao fim com um domínio absoluto dos anfitriões e, aí, de repente, tudo mudou.

Kjaer começou a jogada, e Brahim Díaz encontrou um bom passe nas costas de Keita para acionar Saelemakers. Ele passou a Rafael Leão (pelo meio de Keita), que deixou na medida para Rebic chegar batendo na saída de Alisson e empatar. O Liverpool se lançou à frente imediatamente para tentar retornar à frente do placar antes do intervalo, mas foi punido no contra-ataque. Leão arrancou pela esquerda, deixou Fabinho para trás e abriu com Rebic – Matip errou o corte. O passe para o meio encontrou Theo Hernández, e Robertson ainda salvou em cima da linha, mas a sobra ficou para Díaz concluir uma virada fulminante e inesperada.

A contenção de danos foi imediata. No terceiro minuto da etapa final, Salah recebeu na entrada da área e deixou com Origi, que devolveu com uma cavadinha. O egípcio deixou a bola pingar e tocou no canto de Maignan para empatar. A dinâmica do jogo passou a ser uma versão light do primeiro tempo, digamos assim. O Liverpool pressionava e dominava o jogo, mas de maneira mais cadenciada. O Milan ainda não tinha muito volume de jogo, mas parecia um pouco mais propenso a realmente ameaçar Alisson quando recuperava a bola.

Após cerca de 20 minutos procurando um espaço, o Liverpool o encontrou graças a Matip. Com uma arrancada pela meia esquerda, o zagueiro invadiu a área e foi desarmado. A sobra ficou com Diogo Jota, que abriu à perna direita e bateu forte. Kjaer se jogou para bloquear. A zaga do Milan afastou o escanteio, e Jordan Henderson emendou um chute rasteiro na entrada da área para fazer 3 a 2 a favor do Liverpool.

Klopp colocou Thiago no lugar de Keita, pouco depois, para tentar melhorar o controle do meio-campo e administrar os minutos finais. Mas foi o Milan quem acabou ficando um pouco mais com a bola. No entanto, dessa vez, o sistema defensivo do Liverpool não permitiu que chances claras fossem criadas e alguns contra-ataques para matar o jogo acabaram desperdiçados. Sadio Mané, que entrou na vaga de Origi, especialmente, não estava em uma noite muito inspirada.

Brahim Díaz, no apagar das luzes, soltou um chute de fora da área, por cima do gol de Alisson, no último ato do retorno do Milan à Champions League. Foi um retorno valoroso. Não era justo esperar que arrancasse algo contra um time que passou por essa mesma situação alguns anos atrás, mas agora está muito mais acostumado às noites europeias, a especialidade de Anfield.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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