Champions League

Messi inaugurou sua contagem pelo PSG com um lindo gol, que ainda definiu a vitória sobre o City em Paris

City dominou grande parte do jogo, mas o PSG foi mais eficiente e contou com uma pintura de Messi para selar o triunfo

O Paris Saint-Germain não é dos clubes mais simpáticos do mundo – muito pelo contrário, a rejeição ao redor dos parisienses é enorme. Messi, por outro lado, possui um talento ímpar para encantar multidões. E fica mais fácil simpatizar com o craque quando todo mundo sabe que o final de sua carreira se aproxima. Nesta terça, em plena Champions League, a lenda mereceu mais aplausos ao inaugurar sua contagem de gols no novo clube e, de quebra, definir uma vitória gigante ao PSG. No geral, o Manchester City dominou o duelo no Parc des Princes. Controlou a bola, arriscou mais e perdeu até um gol incrível. A eficiência do PSG, porém, foi maior. Os franceses marcaram com firmeza e contaram com boas defesas de Donnarumma. Mas, ainda que Mbappé ou Verratti tenham feito grandes partidas, foi uma noite de Messi. Numa linda jogada, o camisa 30 concluiu o triunfo por 2 a 0 e resolveu o jogo difícil à sua equipe. Adicionou mais um brilho na sua condecorada história na Champions.

Mauricio Pochettino escalou o PSG num 4-3-3. A defesa tinha Gianlugi Donnarumma fazendo sua estreia em Champions, além de Achraf Hakimi e Nuno Mendes nas laterais. A trinca de meio-campo era formada por Marco Verratti, Idrissa Gana Gueye e Ander Herrera. Já na frente, Lionel Messi e Neymar apareciam mais abertos, com Kylian Mbappé centralizado e circulando. O Manchester City também vinha num 4-3-3. Rúben Dias e Aymeric Laporte lideravam a defesa. No meio, o trio com Rodri, Kevin de Bruyne e Bernardo Silva. Já na frente, Riyad Mahrez e Jack Grealish apoiavam o centralizado Raheem Sterling.

A intensidade do jogo era imensa desde os primeiros minutos, mas com o Manchester City querendo ditar as ações. Quando o PSG conseguiu encaixar seu primeiro ataque, balançou as redes logo aos oito minutos. Mbappé se desmarcou pela direita e tocou da linha de fundo para trás. Neymar não conseguiu concluir, mas Gana Gueye tinha espaço e emendou um chute perfeito, no ângulo, sem qualquer chance para Ederson. Os parisienses aproveitaram o momento para seguir em cima. Contavam com boas combinações entre Messi e Hakimi pela direita.

O City levaria um tempo para acordar, mas aumentaria a pressão na sequência do primeiro tempo. Mais do que a postura ofensiva, impressionava a fome dos ingleses sem a bola. Os celestes sitiavam o campo de ataque e dificultavam muito a saída de bola, ainda que Verratti fizesse um ótimo trabalho para coordenar os passes. Em meio a este momento favorável, os Citizens desperdiçaram uma oportunidade inacreditável aos 26. Primeiro, Sterling apareceu na área para completar o cruzamento de De Bruyne e carimbou o travessão. O rebote sobrou limpo para Bernardo Silva na pequena área e o português só precisava escorar, mas ele fez o mais difícil e acertou o travessão de novo. Ninguém parecia botar fé no que havia acabado de acontecer.

Apesar do erro gritante, o Manchester City continuou sua blitz. Donnarumma aparecia nas saídas pelo alto. E logo o PSG conseguiu encaixar alguns contra-ataques. Aos 35, Messi deu um passe excelente para Neymar, mas o atacante acabou batendo para fora. Pouco depois, Mbappé acelerou e serviu Ander Herrera, que mandou uma paulada rebatida por Ederson. Após a cobrança do escanteio, a bola ainda atravessou a área sem que ninguém completasse um cruzamento de Mbappé. Todavia, o respiro dos parisienses seria breve. A pressão dos Citizens se mantinha, com Rúben Dias exigindo uma boa defesa de Donnarumma, após cabeçada. A bola cruzava a área dos franceses, mas faltava precisão aos ingleses na definição.

O Manchester City retomou o segundo tempo com a mesma vontade. Quando João Cancelo acionou Sterling, o atacante não pegou bem na bola. E quem também permanecia atento era Donnarumma. O goleiro chegou a soltar alguns cruzamentos, mas se agigantou para desviar com a perna um tiro de De Bruyne aos nove minutos. Os Citizens trabalhavam sobretudo pelos lados do campo, mas sentiam falta de mais presença dentro da área. O PSG fazia um bom trabalho defensivo com Marquinhos e Presnel Kimpembe, ainda que as respostas do outro lado fossem raras.

O PSG teve seu primeiro bom ataque da etapa final aos 20 minutos, numa combinação entre Messi e Neymar. O brasileiro invadiu a área e poderia ter passado para Mbappé, mas preferiu arriscar o chute mesmo pressionado e acertou o lado de fora da rede. Seria um breve escape diante da posse do City, que ganharia Phil Foden no lugar de Grealish aos 23. E o garoto, em sua primeira participação, já causou perigo num cruzamento. Todavia, qualquer esperança de uma melhora seria enterrada aos 27, com o segundo gol dos parisienses. O primeiro gol de Messi pelo clube.

Até aquele momento, Messi não fazia a atuação mais participativa, mas apresentava parte de seu repertório nas trocas de passes. E o espaço concedido pelo City permitiu o belo tento do camisa 30. Messi partiu em velocidade pela direita, tabelou com Mbappé e, de fora da área, deu um tapa para tirar a bola do alcance de Ederson. O goleiro sequer se mexeu. Foi um tremendo banho de água fria sobre as pretensões dos celestes e um toque de qualidade digno do gênio. O tento, aliás, pareceu representar um golpe no ânimo dos Citizens.

Do outro lado, quando Mahrez tentou de novo, Donnarumma seguiu intransponível. E o Manchester City, mesmo sem abrir mão do jogo, não indicava realmente acreditar na reação. A defesa do PSG continuou sólida, com boas ações especialmente de seus zagueiros, e Donnarumma seguiu bem quando exigido. O apito final premiaria uma noite esforçada dos parisienses, que precisaram manter o alto nível de concentração contra um adversário coletivamente superior. No entanto, as individualidades dos franceses são imensas e, numa noite em que vários dos astros apareceram, Messi ainda recebe as manchetes.

O Paris Saint-Germain se recupera no Grupo A da Champions e chega aos quatro pontos. Curiosamente, a equipe divide a zona de classificação com o Club Brugge, que conquistou uma excelente vitória por 2 a 1 sobre o RB Leipzig – de virada e fora de casa. Já o Manchester City, com três pontos, precisará se recuperar na sequência da chave.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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