Ao decidirem não retornar ao jogo de terça-feira (8), no Parque dos Príncipes, devido ao episódio de racismo do quarto árbitro Sebastian Coltescu contra Pierre Webó, da comissão técnica do Basaksehir, os jogadores do PSG e do time turco marcaram um momento icônico no combate ao preconceito racial no futebol e, no rescaldo do incidente, se orgulham da atitude. Kylian Mbappé, estrela do Paris Saint-Germain, destacou que, nesses casos, não há palavra que possa ser melhor do que a ação.

Nas entrevistas de pós-jogo na quarta-feira (9), data na qual o jogo foi retomado, já com outra equipe de arbitragem, vários dos atletas do PSG falaram sobre o episódio. Mbappé foi enfático ao dizer: “Estamos cansados, não queremos passar por isso novamente”. O francês, ao lado de Neymar, foi um dos mais vocais ao expressar que não jogaria com Coltescu presente em campo na terça-feira.

“É claro que estou orgulhoso do que fizemos. Não ficamos decepcionados em não jogar. Tomamos aquela decisão, estamos orgulhosos. Muitas coisas foram ditas, mas, na verdade, não há nada melhor do que a ação”, comentou o jovem atacante.

Neymar, em entrevista à RMC Sport, afirmou que não havia escolha diante daquela situação. “Às vezes, em circunstâncias extremas, essas coisas precisam ser feitas para ver se o mundo pode mudar um pouco. O que aconteceu foi inaceitável. Na época em que vivemos, não Podemos aceitar que diferenciações sejam feitas assim sobre cor ou raça. (O racismo) Não tem espaço no futebol, na vida ou em qualquer esporte, então nossa atitude foi perfeita.”

Verratti evocou o papel dos jogadores como exemplos a serem seguidos para explicar a decisão conjunta de PSG e Basaksehir em deixar o gramado: “Foi difícil para todo mundo, para nós no campo, para todos vendo a partida. É algo que não deveria acontecer. Deveríamos ser exemplo, especialmente porque somos acompanhados por milhões de pessoas. É por isso que tivemos um gesto forte e decidimos, com o outro time, não jogar”.

Técnico do PSG, Tuchel revelou que já no vestiário tinha ficado claro para ele que a partida não prosseguiria como programado. “Eles tomaram uma forte decisão, ficaram ao lado do outro time e tomaram uma decisão corajosa. No vestiário, ficou claro que eles queriam mostrar essa reação”, contou.

A Uefa investiga o incidente e estuda punir o quarto árbitro Sebastian Coltescu, que se referiu a Pierre Webó como “o negro ali”. Em sua defesa, a equipe de arbitragem explica que a expressão usada por Coltescu, “negru”, não tem conotação racista em romeno. Além disso, lançaram outra acusação, de terem ouvido alguém se dirigir a eles como “ciganos”. Tudo isso deverá ser analisado por meio das imagens e áudios capturados durante o jogo, possivelmente com mais rapidez que o comum, já que os olhos do mundo todo estão voltados para qual atitude a Uefa tomará diante dessa mancha em sua principal competição de clubes.