Matador de gigantes: como um infalível Real Madrid derrubou adversários duríssimos no caminho da 14ª taça
Viradas incríveis no mata-mata ajudaram o time de Carlo Ancelotti a crescer como favorito
Se na fase de grupos, o Real Madrid passou um grande vexame contra o Sheriff Tiraspol, a realidade foi completamente outra a partir do mata-mata. O novo vencedor da Liga dos Campeões superou uma chave com Internazionale, Shakhtar e Sheriff com alguma facilidade, e a coisa esquentou a partir das oitavas de final.
Historicamente, um grande campeão é forjado nos desafios que mais exigem. Embora os títulos e decisões não sejam novidade para o Real, os adversários ajudaram bastante a consolidar a imagem de infalível do time de Carlo Ancelotti, nas mais extremas situações.
Paris Saint-Germain e o inimigo íntimo Mbappé
Logo de cara, um dos duelos mais aguardados da temporada dividiu a Europa. O Paris Saint-Germain de Kylian Mbappé, Neymar e Lionel Messi foi o adversário do Real. Era muito pouco provável que os espanhóis avançassem, pela forma com que o PSG vinha jogando na competição e pelo fato de que havia uma enorme vantagem adquirida.
Os parisienses venceram a ida e viram Mbappé ampliar o estrago no Santiago Bernabéu. Mas na hora decisiva, com falha de Gianluigi Donnarumma e uma atuação colossal de Karim Benzema, o jogo terminou 3 a 1 para os madridistas, uma amostra do poder e da força mental dos comandados de Ancelotti. O confronto marcou um encontro íntimo dos espanhóis com Mbappé, que estava bastante cotado a assinar com o clube ao fim de seu contrato. Sonho de criança, dizia o craque francês. Pois a novela se arrastou e teve desfecho ruim para a torcida que queria ter Mbappé vestindo branco. Essa vitória nas oitavas ficou ainda mais saborosa após o “não” do atacante.
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Chelsea: negócios mal resolvidos
Na temporada passada, o Chelsea passou pelo Real Madrid e se sagrou campeão, neutralizando completamente as ameaças do time então comandado por Zinedine Zidane. Muitas das peças eram as mesmas, mas a mentalidade mudou no vestiário do Real. Cheio de problemas, o Chelsea já sentia a turbulência da mudança de donos, forçada pela circunstância que girava em torno de Roman Abramovich. E isso talvez tenha tirado o foco do grupo na partida de Stamford Bridge, com um tropeço inacreditável de 3 a 1, contando até com vacilo de Edouard Mendy.
A questão parecia resolvida, e no Santiago Bernabéu, era pouco provável que houvesse uma resposta forte dos ingleses. Só que ela veio, e com direito a atropelamento. Os Blues abriram 3 a 0 e já comemoravam a surpreendente reviravolta quando, no minuto 80′, um gol de Rodrygo deu sobrevida ao Real. Na prorrogação, o Real cresceu, motivado pelo momento, puniu o desatento Chelsea com outro gol de Benzema e avançou.
Manchester City: virada para ninguém botar defeito
O Manchester City provavelmente foi o time mais acertado e fatal que o Real Madrid encontrou no caminho de sua 14ª conquista. Por uma série de motivos, a começar pela partida de ida. É verdade que os Citizens foram mal na defesa? Sim. E que poderiam ter feito uma goleada bem maior do que o 4 a 3? Verdade também. Nesse ponto, já se sabia que era preciso caprichar na surra para que o Real não voltasse mais forte, algo como um vilão quase indestrutível de filme de terror. E mesmo sendo massacrado, o time de Ancelotti saiu vivo da Inglaterra, podendo acontecer de tudo na volta.
Pep Guardiola, que não é bobo nem nada, estudou bem o histórico e não permitiu que seus atletas dessem o mesmo vacilo que o Chelsea. Tanto é que o City amassou igualmente na segunda partida e até abriu o placar, praticamente resolvendo o confronto. Novamente, a salvação saiu do banco: Rodrygo virou o jogo com dois gols aos 45 e 46 minutos da etapa final, levando o confronto para a prorrogação. O ex-santista viu Benzema resolver o confronto em um pênalti logo no começo do tempo extra. Mais uma vez, Guardiola viu o sonho europeu escorrer por entre os dedos.
Por mais bizarro que pareça, o jogo entre Liverpool e Real Madrid foi o que os espanhóis menos sofreram, apesar das chances criadas e salvas por Thibaut Courtois. Em nenhum momento os madridistas estiveram atrás no placar, o que mostra como o lado mental se fortaleceu conforme cada fase era pulverizada. A camisa pode até não pesar, dependendo do contexto, mas um time que não se intimida contra ninguém é sempre um forte candidato a qualquer disputa.



