Manchester City tem atuação do tamanho dos seus sonhos para varrer o Real Madrid e vai à final da Champions
Com um jogo do mais alto nível, os comandados de Pep Guardiola fizeram uma partida praticamente impecável, que leva o Manchester City para a sua segunda final de Champions
O Manchester City sabia o desafio que tinha pela frente. Mesmo sendo um time do mais alto nível, viveu, na temporada passada, o drama de ser eliminado pelo Real Madrid em um jogo que foi melhor quase o tempo todo. Por isso, desta vez o Manchester City não deu a menor chance. Foi uma atuação do tamanho do sonho do clube de chegar ao título da Champions League. Do tamanho que é necessário para eliminar um colosso como é o Real Madrid por um placar inquestionável: 4 a 0. Um jogo que contou com uma simbiose de um time espetacular e uma torcida que atuou junto, se fez presente e se fez ouvida.
O que se viu no Etihad Stadium foi um time que amassou o rival ao longo dos 90 minutos. Uma atuação magnífica, com nomes como Bernardo Silva, Kyle Walker e Jack Grealish tendo atuações memoráveis. O time de Pep Guardiola se notabiliza pela atuação ofensiva, mas o que vimos em Manchester vai além disso. Foi uma atuação defensiva das mais sólidas. Vinícius Júnior, Rodrygo, Benzema e companhia foram sufocados. Mal tinham espaço para uma troca de passes. Nomes como Luka Modric e Toni Kroos passaram o jogo sem ter muitas opções para os passes.
Escalações: quase sem alterações
O Manchester City foi a campo com a mesma escalação do primeiro jogo. Assim, manteve o esquema com três zagueiros, com Bernardo Silva e Jack Grealish atuando como espécie de alas. John Stones jogou como volante, atuando ao lado de Rodri. Ilkay Gündogan e Kevin De Bruyne atuavam puxando as cordinhas pelo meio. Erling Haaland, como sempre, comandando o ataque.
Já o Real Madrid foi a campo com uma mudança em relação ao primeiro jogo: Antonio Rüdiger, que fez um grande jogo, deu lugar a Éder Militão. Havia uma dúvida se o brasileiro voltaria ao time titular ou se Alaba não seria deslocado para a lateral esquerda, de forma a dar mais segurança, mas isso não aconteceu. Quem atuou na lateral esquerda foi mesmo Eduardo Camavinga, assim como no primeiro jogo. Isso significa também que Rodrygo atuou na ponta direita, com Vinícius Júnior na esquerda, e o meio-campo foi formado com Toni Kroos, Luka Modric e Federico Valverde.
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Primeiro tempo: sufoco total sobre o Real Madrid
Os primeiros minutos foram do Manchester City fazendo o que se espera: pressionando no campo de ataque tentando criar os espaços. E eles surgiram aos seis minutos, quando Erling Haaland saiu da área, buscou o espaço, Militão saiu para marcar, De Bruyne recebeu a bola e Haaland partiu em velocidade, acionado pelo meia belga. Ele driblou o goleiro Thibaut Courtois, só que ficou sem ângulo e cruzou da linha de fundo para trás, para ninguém. Camavinga ficou com a bola com tranquilidade, mas ele geraria outra chance: errou o passe, Bernardo Silva tomou, tocou para Rodri e o meio-campista espanhol limpou a jogada, dentro da área, e finalizou cruzado, mas mandou fora. Dois sustos seguidos para o Real Madrid.
Aos 12 minutos, o Manchester City chegou novamente com perigo. Jack Grealish pedalou pelo lado esquerdo, cruzou perigosamente para a área na direção de Haaland, que tocou de cabeça, mas Coutois fez a defesa e Alaba, atentou, afastou a bola dali. Mais um susto para o Real Madrid.
A pressão aumentou. Aos 21 minutos, depois de troca de passes curtos após escanteio, De Kruyne achou um cruzamento para Manuel Akanji, que ajeitou para Haaland cabecear e exigir uma defesa fantástica de Courtois. Só que o gol não demoraria a sair. Em nova cobrança de escanteio curto, Walker acionou Kevin De Bruyne e o belga colocou na área para Bernardo Silva, incrivelmente livre. O português tocou no canto de Courtois para colocar na rede: 1 a 0.
O Real Madrid, então, reagiu. Primeiro, Vinícius Júnior foi acionado pela esquerda e, rapidamente, antes da marcação apertar, ele lançou de três dedos para Karim Benzema, mas a bola foi um pouco forte demais e o goleiro Ederson chegou antes para ficar com a bola.
Aos 33 minutos, Toni Kroos abriu espaço e soltou uma paulada de pé direito que explodiu no travessão. O goleiro Ederson pareceu que não chegaria na bola. Um lance que, enfim, deu um susto no Manchester City – o primeiro no jogo. O problema é que um novo susto viria para os merengues.
Novamente trocando passes, o Manchester City chegou de novo. Grealish, na esquerda, tocou para Gündogan, que recebeu dentro da área, ajeitou e chutou de pé esquerdo. A bola bateu em Militão e subiu, sobrando para Bernardo Silva, livre dentro da área. O português tocou de cabeça para marcar, já sem goleiro, mas tirando também do alcance de David Alaba, que estava em cima da linha: 2 a 0, aos 36 minutos.
Bastou uma saída de bola errada, novamente com Camavinga, que o Manchester City mais uma vez foi para cima e pressionou e por pouco não chegou a mais um em uma chance, que passou por Grealish, Gündogan, Haaland e até Akanji, que finalizou forte e quase marcou também. O árbitro apitou o fim do primeiro tempo com 2 a 0 e saiu barato para o Real Madrid. Poderia ter sido muito pior.
Segundo tempo: Real Madrid aparece, mas é atropelado
Os times voltaram sem alterações do intervalo. O Real Madrid tentava reagir e, em uma troca de passes, Vinícius Júnior, caindo pela direita, foi derrubado. Na cobrança, David Alava cobrou com muito perigo e obrigou Ederson a fazer uma excelente defesa, colocando para escanteio.
A torcida jogava junto do Manchester City, marcando os jogadores do Real Madrid no grito. Os merengues, por sua vez, confiavam em pilares que se caracterizaram nesses anos de sucesso pela frieza, como Toni Kroos, Luka Modric e Karim Benzema. O time, porém, tinha dificuldades diante de um Manchester City em grande atuação até ali.
O Real Madrid conseguia jogar no segundo tempo, tinha mais a bola e começava a chegar na área adversária, mas ainda faltava precisão, especialmente nos passes finais. O técnico Carlo Ancelotti, então, mudou o time aos 19 minutos. Sacou Luka Modric, que errava mais que o habitual, e colocou em campo Antonio Rüdiger. Com isso, deslocou David Alaba para a lateral esquerda, Camavinga avançou para o meio-campo, dando mais liberdade para Toni Kroos. A dupla de zaga passou a ser formada por Militão e Rüdiger.
O jogo ficou mais aberto. Com o Real Madrid mais postado no ataque, dava espaços na defesa. Kevin De Bruyne passou a ser quase um segundo atacante, sempre próximo de Haaland para tentar contra-ataques. No seu ataque, o Real Madrid ainda errava passes demais, muito também pelo excelente posicionamento defensivo do Manchester City, que fechava as principais opções de passes.
Aos 24 minutos, veio mais uma mudança no Real Madrid de Ancelotti: colocou em campo Marco Asensio e sacou Toni Kroos. O meio-campo ficaria comprometido, pensando em tentar ter mais presença ofensiva. O problema para o Real Madrid é que nada parecia funcionar. O time seguia sofrendo para sair jogando na maioria das vezes e, já no ataque, via todos os caminhos fechados.
Pior que isso era que o Manchester City continuava perigo e, aos 27 minutos, veio mais uma vez um grande lance do City. Haaland tocou para Gündogan, que devolveu de calcanhar, de forma brilhante, e Haaland ficou na cara do goleiro Courtois, mas com a bola no pé direito. Ele tocou por baixo, mas Courtois defendeu, a bola subiu e tocou no travessão antes de sair.
Talhado pelo que aconteceu na temporada passada, o City continuou tentando mais um para não dar a menor chance de reação. E aos 30 minutos, veio o golpe de misericórdia. Depois de falta em Jack Grealish no lado direito, Kevin De Bruyne cruzou para a área, na direção de Akanji, mas quem tocou foi Éder Militão, que acabou marcando contra. Placar de 3 a 0 para o Manchester City no Etihad, com explosão de alegria dos torcedores, aos 31 minutos.
Com esse placar, atuando como estava e jogando em casa, nem mesmo um milagre parecia capaz de tirar a classificação do Manchester City. Por isso, logo em seguida vieram mudanças nos dois times. Guardiola sacou Gündogan, o controlador de jogo, e colocou Riyad Mahrez. O Real Madrid sacou Daniel Carvajal, Rodrygo e Camavinga para colocar Lucas Vazquez, Dani Ceballos e Aurélien Tchouaméni. Poucos minutos depois, Guardiola sacaria Kevin De Bruyne para colocar Phil Foden.
A sensação que dava olhando para os jogadores do Real Madrid, a postura, a energia, era que o jogo tinha acabado. Ainda tinha alguns minutos em campo, mas parecia uma mera formalidade para a festa que o Etihad Stadium fazia. E para gastar ainda mais tempo, Guardiola parou o jogo aos 43 minutos para tirar Erling Haaland e colocar em campo Julian Álvarez.
Foi justamente Julian Álvarez que transformou o que era uma vitória enorme em uma goleada histórica. Em jogada que teve passe de Phil Foden, Álvarez apareceu na cara do gol e tocou com tranquilidade e qualidade para marcar 4 a 0. Um placar do tamanho da atuação, do tamanho que foi a diferença dos dois times em campo. O Manchester City foi avassalador, devastador e impecável. Nem toda mística, nem toda a história foi capaz de impedir esse brilhante time comandado por Pep Guardiola.
O Manchester City chega à final da Champions League como o grande favorito, assim como foi em 2021, contra o Chelsea. Só que o time não só parece melhor em termos de atuação, mas também em termos de reforços. Tem Erling Haaland, um fenômeno, com uma temporada de mais de 50 gols. Tem um técnico que já se acostumou a chegar nestas fases avançadas da competição. Tem Kevin De Bruyne em uma fase monumental.
Depois de tantos adversários pesos pesados ao longo da sua campanha. Passou com tranquilidade em um grupo que teve Borussia Dortmund, Sevilla e Copenhague. Passou por cima do RB Leipzig, Bayern de Munique e agora o Real Madrid. Só resta um adversário. A Internazionale é o último obstáculo antes de alcançar o sonho da Champions League. Uma classificação gigantesca para uma atuação do mesmo tamanho. A torcida do Manchester City irá em peso para Istambul na final do dia 10 de junho. Falta só um jogo para chegar ao tão sonhado título. E que pode vir em uma tríplice coroa que só o rival Manchester United conseguiu. E um sonho que é mais possível do que nunca.
Finalizado
4
-0
Man City - Real Madrid
UEFA Liga dos Campeões - Etihad Stadium
2° Turno
Man City
Real Madrid



