Champions League

Macarronada sem molho

Do melhor time do mundo, sempre se espera um grande espetáculo. Embora o Barcelona contrarie a lógica e dê aulas de futebol com uma frequência sobre-humana, nem sempre as coisas funcionam bem assim. Nos intervalos de alguns jogos mais amarrados, dá vontade de pedir a palavra na preleção do Professor Guardiola para dizer aos seus comandados: “rapaziada, gol feio também vale, vamos lá!”. A constatação de que os culés podem jogar bem sem necessariamente darem show é sensata, na mesma medida em que é ilusória a impressão de que, sempre que o jogo do Barça não funciona, o mérito é da postura adversária.

O Milan dificultou bastante a vida culé na quarta passada. Começou marcando sob pressão, não deixando os catalães respirarem, que dirá iniciarem seu clássico tiki-taka. Parecia aquele primeiro rascunho de um Real que Mourinho aprimora até hoje para enfrentar o Barcelona. Os merengues já aprenderam que essa blitz (fica calmo, não é com você, Mano) funciona por um tempo, mas que ninguém é capaz de mantê-la até o final. Já no meio do primeiro tempo, o Barcelona tocava a bola com certa libertade, só sendo combatido por um mutirão em frente à grande área, coisa que todos fazem quando o enfrentam, seja o Real Madrid, seja o Getafe.

Acontece que o Barcelona jogou mal. Não esteve acomodado, como em algumas partidas do começo da temporada, esteve desinspirado. Refém das tabelas entre Messi e Xavi, não havia um elemento surpresa. Daniel Alves se desentendia fortemente com o gramado ruim do San Siro. Iniesta não estava em um bom dia e errava quase tudo o que tentava. Alexis Sánchez se embolava com a defesa adversária. Por alguma razão desconhecida, provavelmente física, Fàbregas não entrou em campo, enquanto Keita, que nem marcava direito, nem colaborava no ataque, continuou. Clara demonstração de respeito ao adversário por parte de Guardiola.

Desrespeitoso com o Milan está sendo quem acha que não tomar gol do Barcelona já está bom, por mais que a vantagem levada para o jogo de volta seja até interessante. Os italianos tiveram empenho elogiável, mas a atuação foi protocolar. Como canta o outro lá: “não vou dizer que foi ruim… também não foi tão bom assim”. Se até o APOEL, que já fez a sua parte, deveria ter um plano que fosse além de se defender, esperava-se que o Milan, no mínimo, tivesse um esquema de contra-ataque razoável.  Cheio de erros de passes, se limitou ao “dá pro Ibra que ele resolve”. E mais uma vez o sueco alimentou o estigma de que, na Champions League, ele não tem o hábito de resolver nada. Perdeu grande oportunidade, assim como Robinho, o coadjuvante que sentiu a falta do protagonista.

O confronto é o único das quartas-de-final que continua em aberto. Real e Bayern farão grandes semifinais e o Chelsea só não avançará até elas se Terry, Lampard e Drogba acordarem numa cinzenta manhã londrina com vontade de fritar o Di Matteo na manteiga. Dificilmente, o Barcelona passa em branco no Camp Nou, então o objetivo do Milan é um empate com gols. Bem possível, contanto que a equipe não se contente em atrapalhar os passes do adversário e pense também em ameaçá-lo, como fez durante a fase de grupos da mesma Champions League. Do contrário, terá de esperar o Barcelona jogar mal outra vez, o que está mais para um daqueles planos infalíveis do Coiote ou do Cebolinha.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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