Champions League

Ludogorets perdeu, mas temos de celebrar o modo como encarou o Real Madrid

Todos pensaram que o Ludogorets seria mais um adversário sobre o qual o Real aplicaria uma daquelas goleadas que já viraram rotina nas campanhas dos merengues na fase de grupos da Champions League. Com Cristiano Ronaldo a três gols de igualar Raúl como maior artilheiro da história da competição, a quebra da marca era inclusive dada como muito provável por várias pessoas. Pois o visto em campo passou longe das expectativas, e o time de Razgrad chegou perto de protagonizar mais um épico na Liga dos Campeões desta temporada. Acabou derrotado por 2 a 1 pelos espanhóis, mas, pela superação que teve para jogar de igual para igual com o atual campeão, merece nosso reconhecimento.

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Há pouco mais de um mês, o Ludogorets conseguiu o maior triunfo de sua história. Depois de perder para o Steaua o jogo de ida nos playoffs classificatórios da Champions, venceu por 1 a 0 e, nos pênaltis, com o zagueiro Moti no gol, conseguiu a vaga inédita para a fase de grupos da competição. A estreia foi justamente contra o Liverpool, no Anfield, no retorno dos ingleses após cinco anos. Assim como nesta quarta, contra o Real, ignorou a camisa que estava do outro lado e bateu de frente com o adversário. Acabou derrotado, mas não sem resistir bravamente.

É bom pontuar que o Real Madrid não fez uma boa partida. Isco e Illarramendi foram titulares e não conseguiram manter o nível do setor de meio de campo que Kroos e James vinham mostrando. Isso teve como consequência uma transição afobada do time na primeira etapa, com ligações diretas para Cristiano Ronaldo, Bale e Chicharito e a falta de criação de jogadas trabalhadas. Mencionado isso, ainda não há como não destacar o trabalho defensivo elogiável dos búlgaros.

Sem a bola, o Ludogorets se posicionava em duas linhas de quatro marcadores cada e fechava os espaços dos espanhóis. Mesmo quando o Real se acertou, após o intervalo, e passou a tentar mais trocas de passes curtos, esbarrou na forte marcação. E embora o trabalho defensivo dos azarões fosse muito bom, isso não lhes impedia de atacar –  e com perigo. Fizeram Casillas trabalhar mais que esperava antes do jogo, com certeza. A diferença no número de chances criadas entre os dois lados foi muito menor que a discrepância de níveis poderia sugerir. Enquanto o estrelado time merengue teve oito finalizações à meta, por exemplo, a equipe de Razgrad mandou quatro bolas em direção ao gol. Metade do que conseguiu o Real, é verdade, mas a sensação durante boa parte do jogo foi de que os donos da casa poderiam, sim, sair com a vitória. O volume de ataque passava essa impressão.

Embora a vantagem do Ludogorets no placar tenha durado apenas 19 minutos, com Cristiano Ronaldo convertendo um pênalti – após perder outro minutos antes -, ainda na metade da primeira etapa, a constância com que os búlgaros chegavam ao ataque nos fazia acreditar que estávamos diante da possibilidade de uma verdadeira zebra, de um épico dos novatos. Tudo isso ruiu com o gol de Benzema já aos 32 minutos da etapa final. Um gol que pareceu representar toda a injustiça que o futebol às vezes é capaz de proporcionar, mas que não foi suficiente para diminuir o tamanho da atuação do Ludogorets nesta quarta.

Foi muito no sufoco que os búlgaros conseguiram sua vaga para essa Champions, e quem diria que os grandes feitos não parariam naquelas duas defesas do zagueiro Moti contra o Steaua? Nas duas rodadas já terminadas da Liga dos Campeões até agora, não há história tão legal quanto a do Ludogorets. Liverpool e Real, dois gigantes, dois dos maiores na história da competição, tiveram que suar muito para passar por aquele que antes era visto como o provável saco de pancadas do grupo. O que a terceira rodada,  com os búlgaros pegando o Basel, nos reserva?

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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