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Lozano aproveitou os espaços e serviu os companheiros para também se tornar uma arma do Napoli na Alemanha

Osimhen e Kvaratskhelia continuam como enormes protagonistas do Napoli, mas foi Lozano quem recebeu o prêmio de melhor em campo na ida contra o Eintracht Frankfurt

Qualquer time que enfrente o Napoli sabe que possui duas preocupações principais: Victor Osimhen e Khvicha Kvaratskhelia. Os dois estão pelo menos num Top 10 de melhores jogadores da temporada e decidem partidas numa frequência absurda, tantas vezes juntos. O Eintracht Frankfurt não teve remédio para ambos nesta terça-feira de Champions League. Kvara perdeu pênalti, Osimhen teve gol anulado. Mesmo assim, o centroavante anotou o gol que abriu o placar no primeiro tempo e o ponta deu uma assistência mágica de calcanhar para Giovanni Di Lorenzo no segundo, fechando a conta em 2 a 0. E o ponto é que os napolitanos, jogando por música, também proporcionam chances para outros brilharem. O melhor em campo na Alemanha não foi Osimhen ou Kvaratskhelia. Hirving Lozano ganhou o troféu oficial da Uefa.

Lozano já é um veterano no ataque do Napoli, em sua quarta temporada pelo clube. Depois de ótimos momentos no PSV, o mexicano não emplacou de imediato no Estádio Diego Armando Maradona. Seu melhor momento aconteceu na segunda temporada, em 2020/21, quando teve melhor sequência e também maior rendimento. Porém, não conseguiu se fazer tão importante desde a chegada de Luciano Spalletti e passou a alternar um pouco mais entre os titulares. Tem seus problemas, claro. É um jogador que peca excessivamente na tomada de decisões e muitas vezes exagera no individualismo. Mas oferece velocidade e voracidade para também contribuir em momentos pontuais.

Na atual temporada, Lozano é um coadjuvante do Napoli. Não tem como roubar o protagonismo de Osimhen e Kvaratskhelia no ataque. O mexicano acaba se tornando a peça mais suscetível às mudanças, até pela sombra de Matteo Politano no setor. De qualquer maneira, Lozano consegue ter seus lampejos. Marcou gols e deu assistências importantes para sustentar a sequência invicta na Serie A. Já na Champions teve papel de destaque mesmo quando passou em branco, a exemplo dos 6 a 1 sobre o Ajax em Amsterdã. E se a sequência do ponta direita não impressiona tanto quanto as de seus companheiros, ele aproveitou os espaços para brilhar contra o Eintracht Frankfurt.

Muito do jogo do Napoli no primeiro tempo contava com a profundidade de Lozano. O atacante aproveitava o corredor na lateral da área do Eintracht Frankfurt e provocava um desencaixe no sistema com três zagueiros. Vários lances dos celestes passavam pelo camisa 11. Foi num chute na trave de Lozano que surgiu o pênalti, desperdiçado por Kvaratskhelia. Nada que fizesse falta, quando o ponta direita serviu Osimhen logo depois e garantiu a assistência para o primeiro gol. As combinações do mexicano com o nigeriano eram um tormento.

Osimhen teve o gol anulado logo depois também num passe de Lozano. E o ponta continuou produzindo no segundo tempo, quando o Eintracht Frankfurt precisava se segurar de uma goleada. O camisa 11 parou em Kevin Trapp quando tentou deixar o seu, enquanto Kvara também não aproveitou uma oportunidade posterior. O mexicano deixou o campo aos 35 minutos, substituído por Eljif Elmas. Já tinha feito o suficiente para ser eleito pelo comitê técnico da Uefa como melhor em campo.

A imagem de Lozano por vezes é inflada pela expectativa que a torcida mexicana tem sobre o seu futebol. O ponta possui seus predicados, mas também defeitos que atravancam seu rendimento. Mas, num Napoli tão bem encaixado como o de Spalletti, ele pode explorar as oportunidades como um nome constante como titular. Foi o que fez nesta ida das oitavas de final da Champions e pode fazer com mais frequência. O atacante tem a chance de aprender um pouco mais com os companheiros inspirados, servi-los quando oportuno e também aproveitar seus espaços. Nesta terça, foi um bom complemento para proporcionar o triunfo celeste no Deutsche Bank Park.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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