Champions League

Lo Celso se redescobre no Villarreal e sai da vitória sobre o Bayern como exemplo da excelência de seu time

Lo Celso teve uma excelente atuação diante do Bayern de Munique, ditando o ritmo do time e muito atento na marcação

Giovani Lo Celso não pode reclamar de suas chances no futebol europeu. O meio-campista chegou muito novo ao Paris Saint-Germain e teria uma temporada como titular da equipe. Podia faltar “grife”, algo tão exigido no Parc des Princes, mas não faltaram minutos para tentar deslanchar. Cedido ao Betis, viveu um ano espetacular, que rendeu sua venda ao Tottenham. Seriam dois anos e meio em Londres, bem mornos, em que o meia não conseguiu corresponder na intensidade da Premier League. A transferência para o Villarreal, em janeiro, poderia parecer um passo atrás para alguns. Após os primeiros meses, Lo Celso volta a ascender. E seria um símbolo da partidaça do Submarino Amarelo nesta quarta, com a vitória por 1 a 0 sobre o Bayern de Munique na Espanha.

Lo Celso não se provou como coadjuvante num nível de exigência alto, seja no PSG ou na Premier League. O Villarreal oferece outro tipo de ambiente, outras dimensões, outra realidade. O argentino se mostra bem mais à vontade, tal qual aconteceu nos tempos de Betis. E se prova importante, em tão pouco tempo. Não é uma campanha goleadora como foi na Andaluzia, mesmo atuando agora mais próximo do ataque, muitas vezes substituindo Gerard Moreno. Ainda assim, a confiança adquirida nos últimos meses seria importante para a recuperação. Até que o camisa 17 sobrasse contra o Bayern.

Desta vez, Lo Celso atuou aberto pelo lado direito do meio-campo. Protegido por Juan Foyth, tinha carta branca para avançar. O argentino se combinava muito bem com Gerard Moreno, que se movimentava nas costas de Alphonso Davies. E seria numa tabela entre os dois que nasceu o primeiro gol, até que o passe fosse concluído por Dani Parejo e desviado por Arnaut Danjuma. Seu protagonismo já ficava claro.

Um dos méritos do Villarreal na partida foi a maneira como a equipe fechou os espaços na defesa. O Submarino Amarelo estava sempre muito atento e em cima do lance para evitar oportunidades claras ao Bayern. Lo Celso seria ótimo no aspecto defensivo, mesmo precisando lidar com Davies por ali. O comprometimento e o cumprimento da parte tática auxiliou bastante o sucesso dos espanhóis. Para quem muitas vezes era visto como desligado, Lo Celso deixou para trás tal fama nesta noite. Foram quatro interceptações, três desarmes e um chute bloqueado. Ajudou a frustrar os alemães.

O melhor de Lo Celso, mesmo assim, esteve quando o Villarreal recuperava a bola. Afinal, o Submarino Amarelo não se contentava em entregar a pelota para os adversários. A equipe também jogava. E dependia do meia em sua organização. O argentino foi excelente para ditar o ritmo e também construir os ataques. Muitas vezes, o time pendia para o lado direito por isso. Não à toa, criou muitas chances, com cinco finalizações dos companheiros surgidas em passes seus. No final, seguia com fôlego para puxar os contragolpes. Teve um no qual demorou para definir, mas chegou a entregar um presentaço que Alfonso Pedraza desperdiçou.

Lo Celso ganhou o prêmio de melhor em campo da Uefa. Merecido. E ter essa recuperação em sua carreira é importante não apenas para sua perspectiva em clubes, mas também para a seleção argentina, onde manteve o status de titular mesmo com a decepção no Tottenham. O meio-campista permanece sob contrato com os Spurs e seu empréstimo se encerra em junho. Não é de se duvidar que ele deixe a Premier League e volte a La Liga em definitivo. Alguns bons jogadores realmente não se sobressaem em clubes midiáticos, e não parece mal nenhum querer ser ídolo num Villarreal. Até porque o sucesso continental do Submarino Amarelo nos últimos anos permite que seus atletas consolidem suas carreiras e ganhem um reconhecimento até maior que o concedido aos coadjuvantes de PSG ou da Premier League.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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