Champions League

O Lille bem que lutou, mas o Chelsea buscou a virada na França e se classificou com segurança

O Lille teve uma boa postura para buscar o resultado após a derrota na ida, mas a eficiência do Chelsea preponderou na virada

O Chelsea, por ora, tem motivos para comemorar. Apesar de todas as turbulências das últimas semanas em seus bastidores, os Blues conquistaram uma classificação sem tantos riscos nas oitavas de final da Champions League. É verdade que o Lille provocou temores e foi melhor durante boa parte do jogo desta quarta-feira, abrindo o placar. No entanto, os Blues se valeram do talento à disposição e acabaram sendo mais eficientes para construir a virada no Estádio Pierre Mauroy. Depois dos 2 a 0 na ida, os 2 a 1 na volta confirmam a passagem do time de Thomas Tuchel.

O Lille vinha em seu tradicional 4-4-2, com o destaque para Jonathan David e Burak Yilmaz na linha de frente. Jonathan Bamba era boa opção na ponta direita, enquanto Sven Botman e José Fonte formavam uma defesa respeitada. No gol estava o brasileiro Léo Jardim. Já o Chelsea tentava rechear mais o meio no 3-5-2. N’Golo Kanté, Jorginho e Mateo Kovacic fechavam a faixa central. Mais à frente, Kai Havertz e Christian Pulisic formavam uma linha ofensiva mais leve.

O Lille teria uma postura corajosa desde os primeiros minutos. Diante das necessidades, os Dogues se impuseram no campo ofensivo e empurraram o Chelsea para trás. A equipe da casa tinha pressa e seu domínio logo se converteu nas primeiras chances. Burak Yilmaz era quem mais tentava. Teria uma pancada bloqueada por Thiago Silva, antes de uma cobrança de falta que passou por cima da meta adversária. O LOSC conseguia trabalhar bem pelos dois lados do campo, mas encontrava os Blues bem posicionados atrás. Mas não que os londrinos tivessem muita saída de bola para ameaçar.

O Chelsea aliviou um pouco a barra a partir dos 20 minutos, quando controlou o ímpeto do Lille. A intenção da equipe era administrar o resultado sem se expor, o que não gerava muitos lances de ataque. Aos 33 minutos, Thomas Tuchel precisou realizar sua primeira substituição, quando Andreas Christensen sentiu e deu lugar a Trevoh Chalobah. O substituto entrou mal e tomou um cartão logo de cara, cometendo falta perigosa. Na cobrança, um toque de braço de Jorginho garantiu um pênalti ao Lille, aos 38. Burak Yilmaz cobrou com muita potência, no alto da meta, e Édouard Mendy não passou perto de defender, mesmo acertando o canto.

O gol dava confiança para o Lille, que parecia vivo no confronto e precisava de apenas mais um gol. Quando o Chelsea despertou, porém, indicou sua capacidade em pouco tempo. Os Blues avançaram em campo nos minutos anteriores do intervalo e exerceram mais pressão sobre os franceses. O gol de empate saiu aos 48, graças a um passe excepcional de Jorginho. O meio-campista deu uma metida com o peito do pé e a tacada de sinuca encontrou Christian Pulisic entrando do lado direito da área. O ponta também teve muita precisão no chute, em tiro rasteiro que entrou rente à trave.

O Chelsea voltou para o segundo tempo com Mason Mount no lugar de Kovacic, o que dava mais velocidade na ligação. O Lille, apesar do baque pelo empate sofrido, retomou as rédeas. Ia para cima e daria seu primeiro aviso novamente com Yilmaz, em cabeçada que passou ao lado da trave, após uma jogadaça de Bamba. O problema seria a lesão de Botman, que deixou o campo aos 11 minutos, para a entrada de Amadou Onana. No mesmo momento, Timothy Weah suplantou Zeki Çelik, deixando os Dogues mais agressivos. E isso surtiu efeito desde cedo. O americano entrou bem na ponta esquerda. Num momento de blitz dos franceses, Yilmaz cruzou e Xeka mandou uma cabeçada na trave aos 18.

O Chelsea tinha o relógio a seu favor e passou a usar isso para esfriar o Lille. Os Blues não tinham pressa, seja no toque de bola ou na reposição. Uma brecha bastaria, e ela veio aos 26. Depois de um lançamento longo, Marcos Alonso ajeitou de cabeça e Mount apareceu livre na esquerda. O jovem cruzou para o segundo pau e César Azpilicueta entrou com tudo para completar de joelho. O segundo gol dos londrinos resolvia o confronto. O banho de água fria sobre os Dogues se tornava maior. A partir de então, o duelo caiu de ritmo.

Romelu Lukaku e Ruben Loftus-Cheek entrariam no Chelsea, antes de Hakim Ziyech também participar. O Lille viria com três mudanças, incluindo Hatem Ben Arfa e Ángel Gomes. Mas não que os times arriscassem tanto, com as ações concentradas no meio. Os franceses aceleraram em um avanço ou outro na reta final, mas nada que realmente preocupasse Édouard Mendy. A tranquilidade dos Blues era total. Marcos Alonso ainda quase fez o terceiro nos acréscimos, mas Léo Jardim saiu bem em seus pés para evitar estrago maior. Ao apito final, ficou a festa da torcida francesa, que empurrou seu time durante os 90 minutos e não diminuiu o volume nem mesmo com a eliminação.

O Lille sabidamente corria por fora no confronto. Os Dogues conseguiram competir durante os 180 minutos e a atuação nesta quarta era positiva. No entanto, o time desabou com o segundo gol e não teria forças para reagir. Não é mais tão eficiente quanto na temporada do título. Já o Chelsea segue em frente para defender seu reinado na Champions. O momento é muito instável, especialmente fora de campo, mas os Blues permanecem com time para chegar longe. Desta vez, aproveitaram o caminho aberto num duelo mais acessível.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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