Champions League

Lewa tem números tão absurdos que seu novo recorde na Champions nem causa tanto espanto quanto deveria

Lewandowski conseguiu marcar três gols em 23 minutos de bola rolando, com um intervalo de 11 minutos entre o primeiro e o último tento

Robert Lewandowski, tão acostumado a empilhar gols, vinha numa sequência magra de bolas nas redes. Nos quatro jogos anteriores, o camisa 9 do Bayern de Munique anotou “só” dois tentos – suficiente a muitos atacantes comuns, mas pouquíssimo a um dos maiores das últimas décadas. A resposta de Lewa, então, aconteceu nas oitavas de final da Champions League, para desespero do Red Bull Salzburg. O polonês anotou três gols nos primeiros 23 minutos de jogo, registrando a tripleta mais rápida da competição em sua era moderna. Foi o grande nome na arrasadora goleada por 7 a 1, ainda com mais uma assistência.

Olhando para os números frios de Lewandowski, os dois primeiros tentos de pênalti podem causar certas reticências. Quem viu o jogo, porém, percebeu o centroavante em seu máximo logo cedo. No primeiro minuto, o craque exigiu uma defesa difícil do goleiro Philipp Köhn. Pouco depois, deu um giro sensacional sobre o marcador que proporcionou o primeiro penal. Cobrou com enorme segurança. E o movimento se repetiria para gerar o segundo pênalti antes dos 20. De novo, a maestria do artilheiro prevaleceu na marca da cal.

O jogo parecia resolvido neste momento. Lewandowski queria mais e, na saída de bola, proporcionou o terceiro gol do Bayern aos 23. Num primeiro tempo em que tudo parecia dar certo ao time, o polonês também fazia dar certo. O tento saiu num lance de insistência, em que ele precisou disputar a bola duas vezes, inclusive com o goleiro Köhn. A batida espirrada parou na trave, mas o oportunismo permitiu que o camisa 9 estivesse antes de todos os outros para completar sua tripleta.

Para quem já anotou cinco gols num intervalo de nove minutos, os três tentos em 23 minutos parecem até uma longa espera para Lewandowski. Na história moderna da Champions League, porém, ninguém tinha marcado um hat-trick tão precoce num jogo da competição. Lewa superou os 24 minutos da tripleta de Marco Simone pelo Milan contra o Rosenborg em 1996. Considerando apenas jogos de mata-matas, os 11 minutos entre o primeiro e o terceiro tento também registram o intervalo mais curto necessário para um hat-trick no torneio.

Depois de marcar o quarto com Serge Gnabry pouco depois, o Bayern diminuiu o ritmo. Ainda assim, não se satisfez e pôde emplacar mais três gols no segundo tempo. Lewa se mostrou mais solidário, para abrir espaços aos companheiros e permitir que outros também dessem seus shows. Leroy Sané e Thomas Müller, em especial, cresceram neste momento. Porém, o grand finale da noite teria arte de Lewa. O sétimo gol, aos 40 da segunda etapa, veio com uma linda assistência de letra do centroavante. Dominou, esperou o momento certo e serviu a pancada de Sané. O prêmio de melhor em campo não tinha outro destino além das mãos do polonês.

Lewandowski atingiu um nível tão absurdo nos últimos anos que parece até estranho vê-lo em dois jogos consecutivos sem marcar. Isso só aconteceu duas vezes nessa temporada. Com os três gols desta terça, o polonês chega a 42 tentos em 35 partidas com o Bayern em 2021/22, algo excepcional – em média idêntica à de 2020/21 e ligeiramente superior que a de 2019/20. O atacante assume a artilharia isolada desta Champions e, de quebra, parece no caminho de alcançar mais um recorde. Com os 12 gols atuais, dá até para igualar os 17 estabelecidos por Cristiano Ronaldo como maior marca em uma única edição do torneio.

Por mais que o Bayern de Munique dependa de um coletivo azeitado para Lewandowski funcionar tão bem, está claro como o centroavante potencializa a força da equipe. Sua ausência teve um preço alto na edição passada, durante a eliminação contra o Paris Saint-Germain. E ter o melhor do artilheiro, sem dúvidas, é um motivo para reforçar o posto dos bávaros entre os favoritos à Orelhuda.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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