Champions League

Lá vem eles de novo! Mesmo com tripleta-relâmpago de Lewa, Bayern não se satisfez e enfiou 7×1 no Salzburg

Lewandowski precisou de 23 minutos para fazer os três primeiros gols do jogo, num novo recorde da Champions League, e o Bayern continuou surrando mesmo em ritmo mais baixo no segundo tempo

O Bayern de Munique não vinha em sequência tão constante nas últimas semanas. Nas cinco partidas anteriores, os bávaros registraram apenas duas vitórias e passavam por uma “seca” rara de se ver nos últimos anos. O Red Bull Salzburg tinha sido um daqueles a tirar uma casquinha, em boa atuação durante a ida das oitavas de final da Champions League, com o empate por 1 a 1 cedido apenas no fim. Nesta terça-feira, então, o Bayern retomou toda a sua fúria na Allianz Arena. Os alemães foram impiedosos, com a goleada por 7 a 1 na volta contra os Touros Vermelhos. Durante o primeiro tempo, tudo pareceu dar certo aos bávaros, especialmente a Lewandowski. O centroavante marcou três gols em 23 minutos, tripleta mais rápida da Champions na era moderna. E, mesmo tirando o pé na segunda etapa, a equipe dilatou o placar com lindas tramas que pareciam até fáceis. O favoritismo se reafirma com contundência no torneio continental.

O Bayern de Munique tinha retornos importantes, especialmente com Manuel Neuer no gol. Julian Nagelsmann escalou a equipe num 3-2-4-1, com Benjamin Pavard, Niklas Süle e Lucas Hernández na zaga. O meio era muito ofensivo, com Joshua Kimmich e Jamal Musiala de volantes, além do quarteto composto por Serge Gnabry, Thomas Müller, Leroy Sané e Kingsley Coman. Na frente, Robert Lewandowski era o homem de referência. O Red Bull Salzburg tinha como destaque a dupla de ataque formada por Karim Adeyemi e Chukwubuike Adamu, além de Brenden Aaronson na ligação. Outro destaque era o volante Mohamed Camara, melhor do time na ida.

O Bayern de Munique precisou de um minuto para ameaçar o primeiro gol. Numa jogada pelo centro do campo, Thomas Müller serviu e Lewandowski bateu rápido. Parou numa grande defesa do goleiro Philipp Köhn, que buscou o tiro rasteiro. Do outro lado, a resposta seria imediata, com a jogada de Adeyemi pela esquerda. Na hora do chute, Nicolás Capaldo seria travado por um corte providencial de Coman. O início da partida era bastante intenso, entre os alemães com sua proposta mais ofensiva e os austríacos que não perdiam agressividade por isso, seja pela marcação adiantada ou pelos toques rápidos.

Aos 11 minutos, o Bayern abriu seu caminho com um pênalti claríssimo. Coman cruzou pela esquerda, Lewandowski girou bonito na área e Maximilian Wöber acertou só a perna do atacante. O próprio Lewa cobrou e deslocou o goleiro para abrir a contagem. A diferença no placar, de qualquer forma, não parecia algo para fazer o Salzburg se apequenar. A resposta aconteceu pouco depois, num chute frontal de Nicolas Seiwald que exigiu uma grande defesa de Neuer, em leve desvio para fora. O problema seria outro pênalti para o Bayern, aos 20, num lance praticamente idêntico ao primeiro.

Lewandowski girou, Wöber pegou a perna do polonês e, embora a falta tenha sido marcada inicialmente fora da área, o VAR flagrou que o toque aconteceu sobre a linha. Até a cobrança foi muito parecida, com Lewa repetindo o canto e Köhn pulando no outro. Diferente mesmo foi a maneira como o Bayern, na sequência, puniria o Salzburg também com o terceiro gol aos 23, logo na saída de bola. Após um chutão de Neuer, os bávaros pegaram a defesa adversária desmontada. Lewandowski seria desarmado, mas a sobra ficou com Müller, que deu o passe em profundidade. O goleiro Köhn até chegou antes de Lewa, mas o camisa 9 veio com tudo na dividida e prevaleceu. A rebatida tocou na trave e, na pequena área, o artilheiro estava sozinho para completar o rebote.

Desta vez, o baque nos ânimos do Salzburg estava bem claro. E o Bayern aproveitou para fazer mais um, o quarto, aos 31. Depois de uma bola roubada, Coman pegou no meio e abriu o passe na direita. Gnabry tinha muito espaço e bateu rasteiro, sem que Köhn conseguisse defender. A reta final do primeiro tempo seria administrada pelo Bayern, contra um Salzburg perdido em campo, cometendo muitos erros. Os bávaros eram mais perigosos a cada chegada e pareciam dispostos ao quinto. As escapadas dos Touros Vermelhos eram raras. Pavard deu um grande susto aos 39, em cabeçada que passou ao lado da trave. De qualquer maneira, o ritmo da partida se reduzia, com mais trocas de passes dos alemães.

O Bayern de Munique retornou do intervalo com fome renovada. Isso levava o time de volta ao ataque, com uma pressão grande. Nem mesmo as duas mudanças realizadas pelo Red Bull Salzburg deram algum respiro aos visitantes. E o quinto gol surgiu aos nove minutos, numa ótima troca de passes. Sané encontrou Müller na entrada da área, para uma ótima virada e o chute indefensável no canto inferior. A impressão era de que uma goleada histórica poderia se desenhar. Os austríacos não encaixavam nem os contragolpes. O jeito era apostar em novos nomes, com os apagados Adeyemi e Adamu dando lugar a Benjamin Sesko e Maurits Kjaergaard.

As alterações do Bayern vieram todas até os 21 minutos. Serviam mais para dar confiança a jogadores como Bouna Sarr, Dayot Upamecano, Tanguy Nianzou, Eric Maxim Choupo-Moting e Marc Roca. Nada que alterasse muito o desenho do jogo. Foi nessa que o Salzburg marcou o gol de honra, aos 25, num contragolpe bem encaixado. Aaronson arrancou por todo o campo de ataque e rolou para Kjaergaard. O dinamarquês de 18 anos encaçapou no ângulo de Neuer. Os Touros Vermelhos até pareciam capazes de mais, em avanços rápidos que exigiam da defesa alterada do Bayern. A esta altura, contudo, nada que causasse temores.

O Bayern nem se esforçava muito. Até por isso, o sexto gol pareceu muito fácil, aos 38. Thomas Müller partiu da direita para o meio, tabelando. O atacante passou para Sané na esquerda, que devolveu e permitiu que o camisa 25 marcasse mais um em batida de primeira. Ainda assim, os bávaros viriam de novo. Numa roubada de bola no campo de ataque, os anfitriões destroçaram a defesa adversária. O toque de classe ficou por conta de Lewandowski, que deu um passe lindo de letra, em assistência para Sané invadir a área e chutar firme. O estrago estava completo.

A goleada acachapante não anula a campanha digna do Red Bull Salzburg na Champions, com sua inédita classificação aos mata-matas. De qualquer forma, enfatiza a diferença entre os times e mostra como o empate por 1 a 1 na Áustria, mesmo cedido no fim, foi um excelente resultado. Já o Bayern ganha uma injeção de confiança necessária neste momento da temporada. Depois das atuações errantes das últimas semanas, ver o time novamente em seu máximo num jogo deste peso é importante. O Salzburg, ainda assim, não é o adversário mais temido. O nível de exigência também aumentará nas próximas fases. Os bávaros impõem muito respeito.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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