Javi Martínez parece um novo jogador com Heynckes, e faz a diferença ao Bayern

Cinco anos depois de sua contratação, Javi Martínez permanece como o segundo jogador mais caro da história do Bayern de Munique. Corentin Tolisso o ultrapassou nesta temporada, mas por pouco. Ainda assim, em um mercado cada vez mais inflacionado, a marca demonstra bastante o tamanho da aposta que os bávaros fizeram ao comprarem a revelação do Athletic Bilbao. O basco não demorou a retribuir, sendo um dos pilares na conquista da Liga dos Campeões logo em seu primeiro ano. Contudo, o desempenho nas últimas temporadas deixou a desejar. E o meio-campista recobra o seu valor graças ao homem que foi buscá-lo no País Basco. Com Jupp Heynckes, Martínez volta a exibir seu melhor futebol, e nesta terça garantiu a vitória por 2 a 1 sobre o Celtic, que ratificou a classificação aos mata-matas da competição continental.
A queda de desempenho de Javi Martínez a partir de 2013 tem diferentes explicações. As seguidas lesões atrapalharam bastante o meio-campista. Sob as ordens de Pep Guardiola, não passou de 35 partidas pela Bundesliga, disputando apenas um jogo em 2014/15, ao romper o ligamento cruzado do joelho. Teve uma sequência um pouco maior com Carlo Ancelotti, mesmo assim sofrendo com problemas musculares na coxa e com uma fratura na clavícula. De qualquer forma, os meses no departamento médico são apenas uma parte do entrave. Afinal, o volante mal atuou no meio-campo durante os últimos quatro anos. Quase sempre era escalado na zaga, por seu porte físico e por sua combatividade.
Para Guardiola e Ancelotti, até parecia que Javi Martínez não tinha qualidade para jogar no meio. A mobilidade do basco, de fato, é um pouco mais limitada e ele demora para recompor. Independentemente disso, ele chegou a sua melhor forma atuando no Athletic Bilbao de Marcelo Bielsa, uma equipe extremamente ofensiva e que exigia bastante de seu cabeça de área na organização. Controlar o jogo e proteger a zaga nunca foram problemas para o camisa 8. Virtudes “redescobertas” por Jupp Heynckes. Desde que o treinador voltou à Baviera, Martínez reconquistou sua posição na meia-cancha. E tem jogado demais, para a alegria dos bávaros.
Atuando como volante mais fixo no sistema com dois cabeças de área, Javi Martínez se destacou na vitória sobre o RB Leipzig no final de semana. Marcou muito bem e deu uma assistência primorosa ao segundo gol, de Robert Lewandowski. Já nesta terça, o camisa 8 continuou no time misto escalado por Heynckes na visita a Glasgow. O treinador poupou alguns de seus principais jogadores, especialmente na linha de frente, com James Rodríguez entrando como uma espécie de ‘falso 9’ no ataque. E o mistão dos bávaros não fez a melhor de suas exibições, encontrando dificuldades ante o Celtic.
O Bayern abriu o placar aos 22 minutos. Um chutão de Sven Ulreich passou pela zaga do Celtic e Kingsley Coman teve liberdade suficiente para anotar. Ainda assim, os Bhoys não se intimidaram e iam criando oportunidades, ameaçando a defesa visitante, especialmente entre o fim do primeiro tempo e o início do segundo. Por mais que criasse uma chance ou outra, o Bayern sentia falta de Lewandowski na frente. E cedeu o empate aos 29, em passe fantástico de James Forrest com a parte de fora do pé, deixando Callum McGregor na cara do gol para fuzilar. A comemoração, todavia, durou pouquíssimo. Três minutos depois, após cruzamento de David Alaba, Javi Martínez surgiu como salvador. Um gol emblemático até pela cena posterior. Durante a cabeçada, o camisa 8 chocou seu rosto com o marcador. Cortou o supercílio e ficou completamente ensanguentado, lembrando um Rocky Balboa boleiro. Como o personagem do cinema, ressurge.
Além do gol, Martínez se destacou de outras maneiras. Continuou como uma barreira à frente da defesa, diante da insistência do Celtic. Contribuiu diferentes maneiras, seja bloqueando chutes, afastando o perigo ou desarmando. Já com a posse de bola, representou um dos principais desafogos do Bayern, segundo com mais passes na noite. E ainda fez a diferença em uma de suas subidas à área. Parece outro jogador com Heynckes, mais confiante e menos suscetível aos próprios vacilos. Um reforço gratuito aos bávaros, bem no meio da temporada. Aos 29 anos, tem muito o que render. Vontade, pelo visto, não falta.



