Guia das oitavas de final da Champions League: Tottenham x RB Leipzig
Um confronto que já era interessante no sorteio ganhou ainda mais elementos. RB Leipzig e Tottenham se enfrentam pela Champions League e perderam e ganharam ao longo da janela de inverno e também mudaram sua situação nos seus campeonatos nacionais. O duelo entre Inglaterra e Alemanha nesta partida tende a ser muito interessante também pelas ausências, por suspensão ou lesão, ao longo dos dois confrontos, pelos técnicos e, claro, pelos times. Mostramos os principais pontos de destaques dos dois times para ficar de olho no confronto.
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Tottenham
Por Felipe Lobo

Como foi a campanha na fase de grupos
O Tottenham teve uma fase de grupos bastante atribulada. Depois de ser vice-campeão na temporada anterior, o time teve dois jogos com resultados decepcionantes. No primeiro, fez um bom início, mas cedeu empate para o Olympiacos, na Grécia. Depois, o ponto mais baixo: em casa, os Spurs tomaram 7 a 2 do Bayern de Munique. Um jogo que colocou o time em crise. Depois, veio uma leve recuperação, com os 5 a 0 sobre o Estrela Vermelha. Na volta, fora de casa, 4 a 0 diante do Estrela Vermelha na Sérvia.
Houve a troca de técnico com a queda de Mauricio Pochettino e a chegada de José Mourinho, um treinador que tem grande experiência na Champions League. Precisando de uma vitória, passou com sofrimento por 4 a 2, em um jogo que contou com a participação especial de um gandula. A derrota na última rodada diante do Bayern de Munique, na Alemanha, por 3 a 1 não influenciou na classificação do time, já garantida a essa altura.
Como vem desde então
Desde que Mourinho chegou ao Tottenham, o time só somou menos pontos na Premier League que o Liverpool. Ou seja: os Spurs vêm muito bem e já se aproximam da zona de classificação à Champions League, que parecia tão distante. Quando o técnico assumiu, o Tottenham era 14º colocado na Premier League, a 11 pontos da zona de classificação à Champions League – o Manchester City, quarto colocado naquela 12ª rodada, tinha 25 pontos contra 14 dos Spurs.
Desde então, o time está com viés de alta. Estamos na 26ª rodada e o Tottenham tem 40 pontos, um ponto atrás do Chelsea, quarto colocado e último classificado à Champions League. O time de Mourinho está na briga pelo chamado Top 4 mais do que nunca. O problema é que ao longo do cainho, Mourinho perdeu seus dois principais jogadores de ataque: Harry Kane e Son Heung-min, os dois provavelmente ora até o fim da temporada, ou quase isso. Então, o time terá que se virar como pode para lidar com todas as ameaças que vem pela frente.
As novidades do mercado de inverno
Os Spurs tiveram poucas mexidas no elenco, mas significativa. Em termos de saída, Christian Eriksen deixou o clube, depois de seis meses de incertezas, e se transferiu para a Inter de Milão por € 20 milhões. O lateral esquerdo Danny Rose também deixou o clube, por empréstimo, para o Newcastle.
Entre as chegadas, a principal foi Steven Bergwijn, 22 anos, atacante do PSV que chegou por € 30 milhões. Em um time com tantos problemas e desfalques no ataque, a chegada do neerlandês é muito bem-vinda. Ainda mais porque ele já começou indo muito bem, estreou marcando gol no jogo contra o Manchester City. Já era um problema com a ausência de Kane, mas se tornou mais crucial ainda com a ausência de Son.
Chegou também o português Gedson Fernandes, 21 anos, que chegou por empréstimo do Benfica. É uma opção para o setor de meio-campo, que ainda não se firmou, mas entra para compor o time, ainda mais com a saída de Eriksen.
O cara do time no momento
Son seria o nome do Tottenham no momento, mas a sua lesão o deixa fora praticamente de toda a temporada. Como Harry Kane também não está disponível, o foco estará em Lucas Moura. O brasileiro, herói da classificação do Tottenham na semifinal da Champions League contra o Ajax na temporada passada, será o principal nome para tentar entregar gols. A temporada do brasileiro é boa. Até aqui, são 33 jogos, sete gols e três assistências. Por vezes atua como ponta direita, mas pode acabar sendo a referência nos próximos jogos.
Um nome para ficar de olho
Steven Bergwijn terá uma responsabilidade grande de ser o nome ao lado de Lucas para brilhar no sistema ofensivo do Tottenham. Aos 22 anos, chegou como opção, mas precisará dar um passo à frente para mostrar a sua qualidade no momento de dificuldade. São 31 jogos até aqui na temporada, contando aqueles pelo PSV, e sete gols marcados, além de 13 assistências. Em geral, atua na ponta esquerda, vindo para o meio para chutar, uma das suas qualidades, mas também tem ótimo passe. Tem capacidade de fazer diferença para o inglês.
Calcanhar de Aquiles
A defesa do Tottenham é uma peneira. Assim, sem meias palavras: o time sofre demais para evitar os ataques adversários, de vários níveis diferentes. São raros os jogos que o time não toma gol. Sendo preciso, são apenas três jogos sem levar gols em 20 disputados desde a chegada de Mourinho. Ou seja: levar gol, e normalmente até mais do que um, é uma constante para este time. Muito diferente da característica que nos acostumamos a ver com Mourinho.
A avaliação atual sobre o treinador
José Mourinho chegou com alguma desconfiança, até porque tinha uma história muito atrelada ao Chelsea, rival dos Spurs. Mourinho conseguiu recuperar o time, ganhar jogos e pontos importante para aproximar o time da zona de classificação à Champions League, o chamado top 4. E nada de estacionar o ônibus: o Tottenham de Mourinho é uma equipe que ataca muito e é muito atacado.
O status atual de Mourinho é ótimo, mostrando um trabalho com mais qualidade do que se viu nos últimos anos. E ainda tem o histórico que é favorável, por ter ganhado a Champions League por dois clubes diferentes, Porto e Inter de Milão, e ter experiência em jogar fases decisivas da competição.
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RB Leipzig
Por Leandro Stein

Como foi a campanha na fase de grupos
Dentro do grupo mais aberto e equilibrado da Champions League, o RB Leipzig se impôs como a equipe de melhor campanha na chave. Terminou com a primeira colocação do Grupo G, o mesmo de Lyon, Benfica e Zenit. Os Touros Vermelhos estrearam com a vitória mais importante da caminhada, batendo o Benfica dentro do Estádio da Luz, com dois gols de Timo Werner. Isso fez com que a derrota para o Lyon na Red Bull Arena durante o compromisso seguinte fosse menos sentida. Depois, os alemães ganharam ambos os confrontos contra o Zenit.
A classificação veio de maneira antecipada, na quinta rodada. Mesmo tomando dois gols em casa ante o Benfica, o Leipzig buscou o empate por 2 a 2, balançando as redes duas vezes após os 45 do segundo tempo. Isso permitiu que o time de Julian Nagelsmann relaxasse no compromisso final. Viveu a situação inversa na visita ao Lyon, ao abrir dois gols e ceder o empate por 2 a 2 no final. Com 11 pontos, terminou entre os piores primeiros colocados desta fase de grupos, ao lado do Valencia.
Como vem desde então
O Leipzig assumiu a liderança da Bundesliga já depois da primeira fase da Champions. A equipe tinha passado brevemente pela ponta no início do campeonato, mas emendou uma série de vitórias no início de novembro, suficiente para ultrapassar o Borussia Mönchengladbach em dezembro. A primeira colocação foi celebrada com os 3 a 0 sobre o Fortuna Düsseldorf. O campeão de inverno se coroaria ainda ao arrancar o empate contra o Borussia Dortmund no Signal Iduna Park, antes de fechar o turno com o triunfo sobre o Augsburg.
O começo de 2020, porém, cortou o embalo do Leipzig. São duas vitórias nos seis primeiros jogos do ano, ambas contra adversários mais frágeis, Union Berlim e Werder Bremen. O Eintracht Frankfurt se tornou o pesadelo, não só ao quebrar a invencibilidade de nove rodadas na Bundesliga, como também ao eliminar os Touros Vermelhos na Copa da Alemanha. Além disso, o time de Julian Nagelsmann teve empates agridoces ante Gladbach e Bayern, que impediram o clube de se distanciar contra os rivais diretos. Na Allianz Arena, após o sufoco inicial, o RasenBallsport desperdiçou ótimas chances de superar os bávaros.
A possibilidade de título na Bundesliga segue aberta, com o Leipzig um ponto atrás do Bayern de Munique. Nagelsmann, contudo, precisa recuperar o melhor nível de sua equipe. Neste início de ano, ele usa com mais frequência seu favorito 3-5-2, esquema que marcou mais a passagem pelo Hoffenheim entre as distintas variações, mas que não rendeu os melhores resultados no primeiro semestre na Red Bull Arena. O ataque tem rendido menos, e isso está ligado à seca de Timo Werner na volta da pausa de inverno. O artilheiro já acumula cinco partidas sem balançar as redes pelo clube. Yussuf Poulsen é outro nome importante que perdeu um pouco mais de espaço.
As novidades do mercado de inverno
O RB Leipzig contratou bem nesta pausa, mas também demonstrou como não há um vínculo tão forte com o clube, ao perder jogadores notáveis. O vice-capitão Diego Demme trocou as chances de título na Bundesliga pela vontade de defender o Napoli, seu clube de coração. Enquanto isso, Stefan Ilsanker e Matheus Cunha foram atrás de mais minutos em campo no Eintracht Frankfurt e no Hertha Berlim, respectivamente. O lado bom é que, entre as adições, a Red Bull trouxe uma das revelações da fase de grupos da Champions. Dani Olmo brilhou com o Dinamo Zagreb e, mesmo com propostas de clubes mais tradicionais, foi convencido a se juntar ao projeto mais jovem. Da mesma maneira, o lateral Angeliño veio por empréstimo do Manchester City e se tornou titular logo de cara.
O cara do time no momento
Sem que Werner mantenha a sua sequência de gols em 2020, o eixo principal do RB Leipzig se transferiu ao sistema defensivo. E é impossível não exaltar como Dayot Upamecano vem jogando ainda mais, agora na linha com três zagueiros de Nagelsmann. A formação ainda não é totalmente segura. Ela oferece a opção ao treinador de escalar alas mais ofensivos, enquanto mantém seus laterais tradicionais deslocados na zaga. De qualquer maneira, Upamecano cresce de produção.
O beque teve uma atuação soberba sobretudo contra o Bayern de Munique, quando segurou a pressão dos bávaros dentro da Allianz Arena. O jovem de 21 anos foi apontado como o melhor em campo e referendou quem o coloca como o melhor defensor em atividade pela Bundesliga. Mesmo com um corpo pesado por sua força física, o francês não deixa de exibir uma capacidade técnica acima do comum. Não à toa, se tornou nome forte nos rumores do mercado de transferências durante os últimos dias.
Só tem um problema: Upamecano estará suspenso para ida em Londres. Com isso, o próprio sistema de jogo do Leipzig tende a mudar, retomando a linha defensiva com quatro homens. Sem o francês, e também com a lesão do capitão Willy Orban, Lukas Klostermann e Marcel Halstenberg terão que dar conta do recado contra o Tottenham. Neste sentido, a volta de Upamecano para a segunda partida na Alemanha será essencial. O RasenBallsport terá que medir o estrago sem ele.
Um nome para ficar de olho
Será interessante observar como Dani Olmo dará continuidade à sua campanha na Champions, agora com uma nova camisa. Assim como Erling Braut Haaland, o jovem trocou uma liga periférica do futebol europeu para atuar na Bundesliga. Lógico, nem de longe faz o mesmo barulho que o centroavante. Mesmo assim, tem potencial e talento para se firmar como uma das referências no Leipzig. Sua habilidade nos dribles e na criação permite que seja usado de maneiras distintas por Nagelsmann.
Após sair do banco em dois jogos e marcar o gol solitário do time na eliminação pela Copa da Alemanha, Olmo virou titular nas rodadas recentes da Bundesliga. O próprio sistema de jogo gira ao seu redor, isolado na armação do 3-4-1-2 de Nagelsmann, garantindo apoio aos dois atacantes. Se não produziu tanto contra o Bayern, terminou como um dos melhores em campo na tranquila vitória sobre o Werder Bremen, oferecendo sua primeira assistência. E pode se sentir ainda mais à vontade no retorno à Champions.
Calcanhar de Aquiles
Falta maturidade ao Leipzig, e não é apenas uma questão do elenco ser jovem. O clube precisa provar a sua tarimba nas principais competições, quando tem falhado nos momentos decisivos. Os resultados nos confrontos diretos da Bundesliga não são tão convincentes e os Touros Vermelhos não tiveram forças para derrubar os principais concorrentes. Pelo contrário, até entraram um tanto quanto aéreos em campo. E essa forma de lidar com a pressão também se testará ante o Tottenham.
Desde que estreou no cenário europeu, há duas temporadas, o Leipzig dá novos passos. Caiu cedo em sua estreia na Champions, mas avançou à Liga Europa. Já na campanha passada, não passou aos mata-matas do torneio secundário. A liderança numa chave equilibrada da atual Champions é um bom sinal. Os Spurs, em compensação, exigirão bem mais. O lado bom é que o encaixe do duelo pode ser favorável aos Touros Vermelhos, especialmente se o ataque estiver em uma noite efetiva. A velocidade da linha de frente é uma ótima arma para encarar a desguarnecida zaga londrina. Werner pode se recuperar.
A avaliação atual sobre o treinador
Que já se soubesse do talento de Julian Nagelsmann como treinador, o começo no RB Leipzig até supera as expectativas. O novato não teve problemas de adaptação e começou o seu trabalho sonhando com títulos. Não é perfeito, com decisões contestáveis e oscilações, mas consegue lidar bem com os desafios e permite que alguns jogadores cresçam de produção em seu domínio. Conta, a seu favor, com um elenco bem servido em diferentes posições e muito promissor.
O encontro com Mourinho ainda será especial. Durante seus primórdios no Hoffenheim, Nagelsmann chegou a ser comparado com o português, pela precocidade e pela intensidade que exigia de seus comandados. Tem uma visão do jogo diferente de seu adversário, mais voltada ao ataque, mas será interessante como ele se portará contra um treinador tão experiente e de uma escola diferente. No mínimo, será um baita aprendizado para que continue evoluindo na Red Bull Arena.
NA TV
Tottenham x RB Leipzig
Quarta-feira, 17h
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