Guia da retomada da Champions League: Bayern x Chelsea
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2020%2F08%2Flewa-gnabry-1.jpg)
Das partidas que ainda restam nas oitavas da Champions, sem dúvidas é a que está mais próxima de uma definição. E nem é só o resultado do primeiro jogo, com um triunfo do Bayern de Munique em Stamford Bridge que não deixou margem às dúvidas. Os bávaros voltam mais inteiros fisicamente, ainda que sem o mesmo ritmo competitivo do Chelsea, e longe do peso dos desfalques que os Blues precisarão contornar. Será uma ocasião favorável para que os alemães voltem às atividades e possam provar seu favoritismo na reta final.
[foo_related_posts]
Depois das conquistas da Bundesliga e da Pokal, o Bayern poderá repetir a tríplice coroa de sete anos atrás. O retrospecto da equipe de Hansi Flick permite acreditar nisso, bem como a fase favorável de diversos jogadores. O Chelsea cumpriu seu objetivo ao se garantir no G-4 da Premier League, embora o vice na Copa da Inglaterra tenha deixado um gosto amargo no último final de semana. Mas, até pela idade dos atletas, fica claro que o projeto liderado por Frank Lampard é para o futuro.
Como foi o primeiro jogo
O fato de atuar em Stamford Bridge não intimidou o Bayern de Munique. A equipe de Hansi Flick ratificou sua excelente fase ao conquistar a vitória por 3 a 0, numa das melhores exibições do clube nesta temporada – e isso não é pouco, considerando o nível estabelecido desde a chegada do treinador. Além de dominar a posse de bola, os bávaros também marcaram alto e forçaram muitos erros dos londrinos. Faltou apenas o gol durante o primeiro tempo, entre algumas boas chances desperdiçadas, as defesas de Willy Caballero e também uma bola de Thomas Müller que estalou o travessão.
Contra um adversário inócuo, o Bayern fez valer sua superioridade durante o segundo tempo. Logo nos primeiros minutos, anotou dois gols. O primeiro veio em tabela entre Robert Lewandowski e Serge Gnabry, com o polonês servindo de garçom para o alemão marcar. Pois a combinação se repetiria em contra-ataque, com um passe de Lewa nas costas da defesa para Gnabry fazer mais um na sequência. Sem que os bávaros diminuíssem o ritmo, o jogo estaria morto aos 30. Alphonso Davies protagonizou grande jogada pela esquerda e cruzou rasteiro para Lewandowski concluir.
O Chelsea sequer esboçou reação e, para piorar, ainda teria problemas durante os minutos finais. Marcos Alonso foi expulso com o vermelho direto, ao pegar Lewandowski sem bola. Os Blues se mostraram uma equipe distante de estar pronta e que não pôde competir com um Bayern em afirmação. A próprias estatísticas dão conta da diferença entre os oponentes, com os bávaros finalizando 16 vezes contra 9 e com 63% de posse de bola.
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
O que aconteceu nos últimos meses
Bayern
Se o começo do ano parecia bom o suficiente ao Bayern, a retomada da Bundesliga conseguiu ser ainda melhor. O time de Hansi Flick não atuou em intensidade máxima durante todo o tempo, mas sobrou na reta final de uma Bundesliga que se prometia equilibrada. Foram 11 vitórias em 11 compromissos a partir de maio, com os títulos na liga e na copa, além de vitórias contra alguns dos principais oponentes na Alemanha. Os bávaros não sabem o que é perder um jogo oficial desde o início de dezembro, com 26 vitórias e um mísero empate desde então.
A máquina anda muito bem azeitada, especialmente pela maneira como vários jogadores têm chamado a responsabilidade. Diferentemente do que acontecia com Niko Kovac, não é só Robert Lewandowski que tem carregado o time. Hansi Flick pareceu fazer mágica ao recuperar o melhor de jogadores como Thomas Müller e Jérôme Boateng. Manuel Neuer é outro que voltou a inspirar mais confiança e, sobretudo, anda saudável. Dentre os mais rodados, ainda há o destaque a David Alaba, que precisou virar zagueiro e se deu muito bem na nova função.
![]()
Mais do que isso, nota-se outros tantos com fome de bola. Alphonso Davies, sem dúvidas, é a revelação da temporada. Existiam reticências sobre a utilização do canadense na lateral e ele virou um dos melhores da posição. No meio-campo, a regularidade impressionante de Joshua Kimmich encontra par com a aclimatação de Leon Goretzka, além da própria maestria de Thiago. Já na ponta, quem costuma desequilibrar é Serge Gnabry, e o alemão tem aparecido especialmente bem nos jogos grandes desta Champions – virando carrasco dos londrinos.
Chelsea
Não dá para dizer que o Chelsea se transformou desde aquela derrota para o Bayern, mas a equipe assimilou lições. Tanto é que os Blues iriam para a pausa da pandemia com alguns resultados expressivos, ao derrotarem o Liverpool pela FA Cup e golearem o Everton na Premier League. Já a retomada das atividades igualmente guardou boas atuações do time de Frank Lampard, mas não no nível de perfeição que se nota no Bayern. É um time com suas carências, afinal, e que já tem mostrado no próprio mercado de transferências como pretende se fortalecer.
Desde a retomada das atividades, o Chelsea conquistou algumas vitórias expressivas. A equipe bateu adversários como Manchester City, Leicester, Manchester United e Wolverhampton. As oscilações, porém, também renderam tropeços sentidos e que quase ameaçaram o posto no G-4 da Premier League. Além do mais, na maior ocasião desde a volta, o time não segurou Pierre-Emerick Aubameyang e tomou a virada do Arsenal na decisão da Copa da Inglaterra. Ganhar do Bayern não parece impossível, mas tirar a diferença na Allianz Arena é outra história.
![]()
O próprio desafio de Frank Lampard se torna maior com os muitos desfalques da equipe por lesão ou por contusão. Perder Christian Pulisic e possivelmente Willian, os dois jogadores que mais conseguiram garantir resultados nas últimas semanas, é um problema e tanto. Não seria surpreendente, pelas peças à disposição, que os Blues adotassem uma postura mais reativa em Munique – mesmo precisando tirar os três gols de diferença. Diante de todas as dificuldades para reverter o cenário, os londrinos voltam seus pensamentos bem mais em evitar os danos e se preparar ao próximo ano.
Os problemas que surgiram
Bayern
O maior entrave ao Bayern estará mesmo no ritmo de jogo da equipe. A final da Copa da Alemanha aconteceu há mais de um mês e os bávaros precisarão religar os motores para a reta final da Champions. Não é um problema tão grande assim, pensando no desgaste físico do Chelsea, mas é um ponto que se torna importante pensando em outros oponentes. Além do mais, Hansi Flick terá que se virar sem Benjamin Pavard na lateral, uma posição desguarnecida do elenco. A tendência é que Kimmich reapareça por ali, apesar da perda que representa ao meio-campo. Álvaro Odriozola, o eventual reserva, pouco atuou na temporada.
Chelsea
É até difícil imaginar como o Chelsea será escalado contra o Bayern. Afinal, são sete jogadores descartados e outros dois em dúvida. Desta maneira, mesmo as atuações desligadas de tempos recentes deixam de ser o foco. Marcos Alonso e Jorginho estão suspensos. Entre os lesionados, Christian Pulisic e César Azpilicueta representam as principais perdas. E ainda não há certeza se Willian ou N’Golo Kanté poderão atuar. O caminho a ser adotado por Frank Lampard deve se focar na proteção de uma defesa pouco confiável, que segue sem ter um goleiro titular totalmente definido, embora a tendência seja de que Willy Caballero siga jogando. Dá até para montar um time titular competitivo, mas a margem de manobra é mínima.
Um cara que vem em alta
Bayern
Que vários jogadores tenham rendido bem na reta final da temporada alemã, não dá para citar outro nome além de Robert Lewandowski. O polonês é candidatíssimo aos prêmios individuais que serão entregues neste ano, com a impressionante marca de 52 gols em 43 partidas pelo clube. Foi o artilheiro da Bundesliga, com 34 tentos em 31 aparições, e também da Copa da Alemanha. Além disso, ocupa o topo da lista de goleadores na Champions, com 11 gols até aqui. Não fosse a modificação no formato do torneio, dava para acreditar que ele poderia bater o recorde de 17 tentos em uma única edição, estabelecido por Cristiano Ronaldo.
Lewa costuma ser bastante cobrado por seu rendimento nos mata-matas da Champions, às vezes de maneira até exagerada. Não parece existir momento mais favorável para que o centroavante se prove, como o protagonista de uma equipe engrenada. Mesmo quando não esteve tão bem, a exemplo da final da Copa da Alemanha, ele ainda tratou de guardar um ou dois gols. Contando apenas as partidas nesta retomada, o polonês só passou em branco uma vez – contra o Dortmund. Foram 12 gols em 10 aparições. E vale lembrar que ele quase foi desfalque na sequência da Champions em março, ao se lesionar contra o próprio Chelsea, mas ganha uma nova chance de fazer valer seu talento.
![]()
Chelsea
As escolhas mais óbvias do Chelsea não estarão presentes no jogo ou seguem em dúvida. Olhando por quem terminou em alta a temporada e vai à batalha em Munique, o nome natural seria Olivier Giroud. De praticamente descartado por Lampard, o centroavante recuperou seu espaço entre os titulares e balançou as redes com uma regularidade impressionante nesta reta final de campanha. Foram seis tentos nos últimos oito jogos, além da assistência para Pulisic abrir o placar na Copa da Inglaterra. Mas para que a bola chegue até o francês, os outros homens da criação terão que assumir um fardo maior, com os desfalques. E, até pensando no futuro, vale observar Mason Mount.
O meia de 21 anos já vinha de uma temporada bastante positiva, pensando a parca experiência no nível profissional. Ainda assim, algumas das principais vitórias do Chelsea nas últimas semanas tiveram participação ativa de Mount. O armador saiu-se muito bem contra o Manchester United na semifinal da Copa da Inglaterra, deixando sua marca, e também protagonizou a vitória sobre o Wolverhampton na partida final da Premier League, confirmando a classificação à próxima Champions. Pode ter seus lampejos, tanto pela visão de jogo quanto pela maneira como abre a marcação.
As chances de sonhar com a Champions
Bayern
O favoritismo na Champions permanece com o Bayern, mesmo com a paralisação de cinco meses. Obviamente, não há qualquer garantia em uma competição de mata-matas e a ideia de jogo único abre margem às surpresas. Mas pelo futebol apresentado durante esta temporada e pelo elenco que tem à disposição, os alemães têm condições de buscar o hexa continental. E virão fortes para isso, com todas as alternativas de jogo presentes na equipe de Hansi Flick.
Chelsea
Por todas as circunstâncias, é muito difícil imaginar uma reviravolta que coloque o Chelsea nas quartas de final. Logicamente, os Blues não devem abrir mão da esperança. Mas também podem considerar a importância da experiência em pegar o Bayern na Allianz Arena e testar o jovem time a saltos maiores nas próximas campanhas – o que há totais condições de acontecer.
Onde assistir
Bayern de Munique x Chelsea
Sábado, 8 de agosto, 16h (horário de Brasília)
TNT, Facebook do Esporte Interativo, EI Plus
VEJA MAIS: Guia da retomada da Champions League: oitavas de final