Guardiola e Simeone simbolizam filosofias de jogo distintas, mas raros foram os embates em campo
Guardiola e Simeone disputaram apenas três confrontos anteriores, com vantagem a Pep, mas a classificação mais importante a Cholo
Pep Guardiola e Diego Simeone representam escolas completamente distintas no futebol. A história de ambos em La Liga os coloca praticamente como antíteses. Porém, os duelos entre os dois vitoriosos treinadores são raros. Simeone e Guardiola coincidiram por apenas um semestre no Campeonato Espanhol. Já na Champions League, mesmo com as longas campanhas de ambos, só houve o encontro pelas semifinais de 2015/16. Isso até que, seis anos depois, os comandantes voltem a medir forças nas quartas de final do torneio continental. Será um inédito Manchester City x Atlético de Madrid que acaba centrado nos dois técnicos.
O primeiro embate de Simeone e Guardiola aconteceu há pouco mais de dez anos. Ambos eram velhos conhecidos dos tempos de jogador, com Guardiola sendo um meio-campista vitorioso do Barcelona e Simeone também brilhando em importantes conquistas do Atleti. Em 2012, Cholo tinha acabado de assumir os colchoneros e tentava botar ordem na casa, diante de um primeiro semestre instável na temporada. Pep, por sua vez, vivia o fim de um ciclo revolucionário com os blaugranas – mas sem que desgastes se escondessem.
O jogo por La Liga, no início do segundo turno, envolvia um Barcelona na segunda posição (mas distante do líder Real Madrid) e um Atlético de Madrid no meio da tabela. O Atleti possuía a vantagem de atuar no Estádio Vicente Calderón, o que não impediu o revés por 2 a 1. Lionel Messi, no ano mais goleador de sua carreira, decidiu o embate. Era a estrela de um Barça que reunia referências como Carles Puyol, Daniel Alves, Sergio Busquets, Andrés Iniesta e Xavi. Curiosamente, o trio de ataque alinhava Alexis Sánchez e Cesc Fàbregas. Do outro lado, os colchoneros eram protagonizados por Radamel Falcao García, Arda Turan, Gabi, Diego Godín, Miranda, Filipe Luís e Thibaut Courtois. Koke já figurava no meio.
O Barcelona maltratou o Atlético no início da partida. Teve gol anulado de Messi e defesaça de Courtois em falta cobrada por Xavi. O gol saiu aos 31 minutos, num lance em que Messi fez fila, até Fàbregas cruzar para a conclusão de Daniel Alves. A resposta do Atleti aconteceu no início da segunda etapa, quando Falcao García aproveitou um escanteio para fuzilar. Só que os melhores lances ainda eram dos catalães. O triunfo saiu num golaço de Messi que gerou muita reclamação. Enquanto Courtois ajeitava a barreira, o camisa 10 mandou uma bola cheia de efeito no ângulo oposto e pegou o goleiro desprevenido. Os rojiblancos chiaram muito, sem compreensão do árbitro. A reta final teria pressão dos madrilenos para cima de Víctor Valdés, que segurou as pontas.
Guardiola deixou o Barcelona ao final da temporada, enquanto Simeone dava apenas seus primeiros passos no Atlético, com a conquista da Liga Europa ainda em 2011/12. A partir de então, os reencontros seriam possíveis apenas na Champions League. E calhou a acontecer num momento de peso, as semifinais de 2015/16. Os colchoneros emendavam campanhas consistentes e buscavam sua segunda final em três anos. Enquanto isso, o Bayern vinha pressionado por um domínio na Bundesliga que não se refletia na competição continental. Guardiola estava no fim de seu ciclo também, na terceira temporada na Allianz Arena.
Aquele Atlético de Madrid era mais parecido com o atual. Antoine Griezmann, Koke, José María Giménez, Jan Oblak, Ángel Correa, Yannick Ferreira Carrasco e Stefan Savic faziam parte do grupo. Nomes como Fernando Torres, Saúl Ñíguez, Diego Godín e Filipe Luís também estavam presentes. Já o Bayern contava com uma constelação composta por Philipp Lahm, Manuel Neuer, Xabi Alonso, Thomas Müller, Franck Ribéry e Robert Lewandowski. No papel, o favoritismo era dos bávaros.
O Atlético de Madrid conquistou uma vitória monumental logo na ida, com o triunfo por 1 a 0 no Calderón. O gol saiu logo no primeiro tempo, em pintura de Saúl. O meio-campista deixou tontos os marcadores, passando no meio de dois, antes de fintar Alaba e chutar no canto de Neuer. A pressão do Bayern se tornou maior na segunda etapa, mas Alaba carimbou o travessão e Oblak realizou duas defesaças. Os colchoneros poderiam ter feito estrago maior em contragolpes, não fosse uma batida de Fernando Torres na trave. Apesar disso, o saldo era excelente em tempos de gol qualificado na Champions. E isso fez a diferença.
O Bayern de Munique até venceu na Allianz Arena. Mas por um 2 a 1 que beneficiou mesmo o Atlético de Madrid. O primeiro tempo se resumia a uma grande pressão do Bayern. O Atleti sobrevivia, até que o gol viesse depois dos 30. Xabi Alonso cobrou falta que desviou na barreira e saiu do alcance de Oblak. O goleiro seria fundamental na sequência, ao evitar o segundo. Enfrentou Thomas Müller num pênalti e defendeu a cobrança. Já no início do segundo tempo, o momento crucial veio num contra-ataque dos colchoneros. Griezmann escapou sozinho e, diante de Neuer, definiu para as redes. Neste instante, os alemães precisariam de mais dois gols.
Romper a defesa do Atlético de Madrid sempre foi uma tarefa hercúlea. E os comandados de Simeone cumpriram a missão, apesar da derrota. Lewandowski retomou a vantagem aos 29, com uma cabeçada na pequena área. Os colchoneros tiveram a chance do novo empate graças a um pênalti marcado. Neuer frustrou Fernando Torres na marca da cal. Já na reta final da partida, Oblak prevaleceu mesmo como o herói daquele confronto, com direito a uma incrível defesa em batida que desviou na marcação e quase o traiu. O apito final coroou a nova classificação dos rojiblancos e praticamente encerrou a era Guardiola na Baviera, eliminado com 33 finalizações neste duelo de volta em Munique.
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Antes do embate desta terça-feira, os dois treinadores trocaram elogios nas coletivas de imprensa. Guardiola afirmou que Cholo “é mais ofensivo que as pessoas acreditam” e que “há uma ideia equivocada sobre sua maneira de jogar”. Do outro lado, Simeone disse que “tem gosto de ver o City jogar” pelo esforço que o time de Pep faz para recuperar a bola. São conceitos distintos, mas com o mesmo intuito de ganhar. E, que mais uma vez, se provam no mais alto nível para decidir os rumos na Champions. Agora, com um City x Atleti.



