Champions League

Grupo F: Manchester City, Shakhtar Donetsk, Lyon, Hoffenheim

Por que vale a pena acompanhar esse grupo

A briga pela segunda vaga do grupo tende a ser interessante. O Manchester City está um patamar acima do restante, mas há equilíbrio entre as outras três equipes. Os ingleses foram campeões nacionais com folgas na última temporada e, por enquanto, dão poucos sinais de que tirarão o pé do acelerador. A última campanha europeia incluiu um passeio em seu grupo, antes da eliminação nas quartas. A única partida não vencida naquela fase foi contra o Shakhtar Donetsk, com reservas. Os ucranianos, ainda mandando suas partidas em Kharkiv, a 300 quilômetros de casa, repetiram o título nacional na última temporada e seguem comandados pelo português Paulo Fonseca. O Lyon vem de uma campanha em que praticou bom futebol, foi terceiro colocado na França e conduziu uma campanha razoável na Liga Europa. O Hoffenheim prevaleceu contra equipes como Borussia Dortmund, Bayer Leverkusen e RB Leipzig para arrebatar a terceira vaga da Alemanha e estreia na fase de grupos, depois de ter sido eliminado pelo Liverpool nas preliminares da última temporada. 

O estádio que faz a diferença
O Groupama, de Lyon (Foto: Getty Images)

Em um grupo com estádios de pouca tradição, e com o Shakhtar Donetsk nem jogando em Donetsk, o Groupama se destaca. Com capacidade para quase 60 mil pessoas, recebeu a final da última Liga Europa, entre Olympique Marseille e Atlético de Madrid, e seis partidas da Eurocopa, inclusive uma das semifinais. Além de partidas agudas da Champions League na época em que o clube, comandado por Juninho Pernambucano, chegava longe na competição. Teve a segunda média de público da última Ligue 1, com 49 mil pessoas por partida.

Lei do Ex
Fernandinho, do Shakhtar (Foto: Getty Images)

Fernandinho usou o Shakhtar Donetsk como trampolim para um centro mais rico da Europa, mas, como o volante tem apenas 22 gols em 237 partidas pelo Manchester City, o potencial é reduzido. O City tem um jogador emprestado ao Lyon. O zagueiro belga Jason Denayer, de 23 anos, porém, nunca disputou um jogo pelo atual campeão inglês. O atacante nigeriano Olarenwaju Kayode passou apenas uma temporada sob contrato com o clube de Guardiola, metade emprestado para o Girona, metade para o Shakhtar Donetsk. Kayode foi contratado em definitivo pelos ucranianos no último mercado.

A ambição na fase de grupos

Manchester City

Tem que acontecer um grande desastre para o City não se classificar e um pequeno para não ser em primeiro lugar. O que pode ambicionar além disso é vencer todos os jogos até garantir a vaga com antecedência, como fez na última temporada, para ganhar um respiro no calendário e poder se concentrar em outras competições.

Lyon

O Lyon acostumou-se a disputar a Champions League sempre durante uma década, quando dominou o futebol francês, mas nos últimos anos tem tido uma frequência muito mais irregular. Foram apenas duas participações desde 2011/12, sem classificação para o mata-mata. Disputando a segunda vaga com Shakhtar Donetsk e Hoffenheim, tem boas possibilidades de brigar de verdade para voltar às oitavas de final.

Shakhtar Donetsk

Ismaily, do Shakhtar Donetsk (Foto: Getty Images)

Nos últimos anos, houve apenas um tropeço, eliminados pelo Young Boys nas preliminares da temporada 2016/17, mas o Shakhtar Donetsk é um participante estabilizado da fase de grupos há mais de dez anos, com passagens pontuais para as oitavas de final. Como na temporada passada, quando ficou à frente do badalado Napoli de Maurizio Sarri e derrotou o Manchester City. A missão é tentar repetir essa campanha.

Hoffenheim

Pela falta de experiência internacional, o Hoffenheim é o franco atirador do grupo. Pode brigar com Shakhtar Donetsk e Lyon pela segunda vaga, mas seria um grande feito ficar à frente deles na sua primeira participação em fase de grupos.

O ponto forte

Manchester City

Além de um elenco dos mais poderosos da Europa, o Manchester City tem uma ideia muito clara de como deseja jogar futebol e a executa com precisão, graças ao trabalho conduzido pelo seu técnico Pep Guardiola. Dentro ou fora de casa, sufoca o adversário com muita posse de bola e uma criação fértil de chances de gol.

Lyon

O Lyon tem um forte ataque. Foi o segundo melhor sistema ofensivo do último Campeonato Francês, com 87 gols, atrás apenas do Paris Saint-Germain. E com uma boa divisão. Em todas as competições, três atletas superaram a marca dos 20 tentos: Nabil Fekir, Memphis Depay e Mariano Díaz. Bertrand Traoré chegou perto, com 18. Díaz foi vendido para o Real Madrid. A reposição foi Moussa Dembélé, do Celtic, que tem a missão de manter o ritmo.

Shakhtar Donetsk

Paulo Fonseca foi muito elogiado pela campanha europeia do Shakhtar Donetsk na última temporada. Sua equipe atua de maneira moderna, com a já tradicional mistura de sangue ucraniano com o talento brasileiro de jogadores como Marlos, Taison, Júnior Moraes, artilheiro da temporada até agora com sete gols, e o recém-chegado Maycon.

Hoffenheim

Nagelsmann

O bom trabalho do jovem Julian Nagelsmann fornece muita solidez tática para o Hoffenheim, um time ciente das suas limitações, mas que as superou novamente para terminar a segunda Bundesliga seguida entre os quatro primeiros colocados. É uma equipe equilibrada, difícil de ser batida e, ao mesmo tempo, o segundo melhor ataque do último Campeonato Alemão.

O craque

Manchester City

Nos melhores momentos do Manchester City na última temporada, quem dava todas as cartas era Kevin de Bruyne. Absoluto em todos as zonas do gramado, autor de 21 assistências e de 12 gols. E a maioria desses gols foram pinturas de fora da área. Uma equipe que depende muito do meio-campo naturalmente tem em um integrante desse setor a chave para o sucesso.

Lyon

Nabil Fekir, do Lyon (Foto: AP)

Foi uma longa novela, mas, no fim, Nabil Fekir continuou no Lyon, depois de negociações com o Liverpool, que chegou até a gravar o vídeo de apresentação antes de cancelar o negócio na última hora. Aos 25 anos, capitão da equipe, o meia francês é o homem das bolas paradas e foi responsável por 23 gols na última temporada, mais do que qualquer outro jogador do Lyon, mesmo atuando como meia-atacante.

Shakhtar Donetsk

Taison é o capitão do time e um jogador importante, mas quem coloca os números no placar para o Shakhtar Donetsk é outro brasileiro. Marlos teve estatísticas espetaculares na última temporada: em 41 partidas, fez 22 gols e deu 15 assistências. Em média, participou diretamente de quase um gol por jogo. E a nova campanha já começou com cinco tentos em oito rodadas do Campeonato Ucraniano.

Hoffenheim

Kramaric sobrou como o jogador do elenco que mais gols anotou pelo Hoffenheim na última temporada, com a saída de Mark Uth para o Schalke 04. Foram 13, com mais sete assistências. Chegou a marcar sete vezes em sete rodadas da Bundesliga. Além disso, liderou o time em finalizações (2,4 por jogo) e foi o segundo em chances criadas (1,5), atrás de Kerem Demirbay.

Mister Champions

Manchester City

Vincent Kompany, do Manchester City (Photo by Stu Forster/Getty Images)

Enquanto muitos jogadores do Manchester City ainda estavam na escolinha, Vincent Kompany já disputava a fase de grupos da Champions League. A estreia dele na competição foi na temporada 2003/04, contra o Bayern de Munique, com a camisa do Anderlecht. Contribuiu para o empate por 1 a 1. Em 11 participações na competição, três pelos belgas, uma pelo Hamburgo e sete pelo City, entrou em campo 47 vezes e marcou apenas dois gols: contra o Barcelona e contra o Bétis.

Lyon

O Lyon tem um elenco muito jovem. Apenas dois jogadores têm mais de 30 anos (Jérémy Morel e Marcelo). Logo, o mais experiente em Champions League é o lateral direito Rafael, com oito participações na competição, seis pelo Manchester United, e 36 partidas a partir da fase de grupos. Disputou duas semifinais, contra o Arsenal, em 2009, e o Schalke 04, dois anos depois.

Shakhtar Donetsk

Desde que chegou ao Shakhtar Donetsk, em 2007, Andriy Pyatov, 34 anos, esteve sempre envolvido nas campanhas europeias do clube, com exceção de 2011/12, quando foi reserva. São nove participações, com 56 partidas a partir da fase de grupos, e mais 14 nas fases preliminares.

Hoffenheim

É difícil encontrar muita experiência de Champions League em um clube que estreia na competição. O lateral esquerdo Joshua Brenet, 24 anos, pode não ter marcado seu nome na história do futebol europeu, mas pelo menos tem duas fases de grupo pelo PSV no currículo, com uma disputa de oitavas de final contra o Atlético de Madrid, e mais quatro partidas nas fases preliminares. Somando tudo, mais do que se pode dizer dos seus companheiros.

A contratação

Manchester City

Riyad Mahrez foi praticamente a única contratação do campeão inglês, um sonho antigo para reforçar o elenco e qualificar a rotação de jogadores. Considerado um dos melhores jogadores fora do grupo de elite da Premier League nos últimos anos, craque da conquista do Leicester, disputou as cinco primeiras rodadas do campeonato, duas vezes como titular, três como reserva.

Lyon  

Dembélé, no Celitc (Foto: Getty Images)

O Lyon perdeu o seu principal centroavante para o Real Madrid, mas repôs muito bem Mariano Díaz com a contratação de Moussa Dembélé. Fez 32 gols em 49 partidas na sua primeira temporada pelo Celtic e, embora tenha caído de rendimento na segunda, continuou sendo um jogador importante para os escoceses. Aos 22 anos, ainda tem muito potencial para melhorar.

Shakhtar Donetsk

Júnior Moraes foge do padrão de contratações de brasileiros do Shakhtar Donetsk. Não veio direto do Brasil e já tinha 31 anos quando chegou, mas três temporadas competentes pelo Dínamo de Kiev convenceram os dirigentes do clube. E o começo é promissor. Ele já marcou sete gols nas primeiras oito rodadas do Campeonato Ucraniano, inclusive uma tripleta contra o Olimpik Donetsk.

Hoffenheim

Mesmo na Champions League, o Hoffenheim não fez loucuras para reforçar o seu elenco. Um dos nomes mais interessantes é o do meia-atacante alemão com nacionalidade italiana Vincenzo Grifo, que comeu a bola pelo Freiburg na segunda divisão e defendeu o Borussia Monchengladbach na última temporada.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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