Champions League

Grupo D: Porto, Lokomotiv Moscou, Schalke 04, Galatasaray

Por que vale a pena acompanhar este grupo

Se uma das maiores reclamações em relação à Liga dos Campeões se concentra sobre a previsibilidade do torneio, o Grupo D passa longe desse problema. Ou você se arriscaria a cravar quem vai se classificar na chave? Tudo bem, o grupo está aquém de outros por ter um cabeça de chave fraco, ganhando contornos até de “Liga Europa vitaminada”. Mas não se nega o equilíbrio de quatro equipes relativamente tradicionais no cenário continental e que vêm de temporadas marcantes – três campeões, além de um vice que se recuperou nos últimos tempos. O problema é que, quem sobreviver nesta briga de foice, vai ter que torcer para ter a mesma sorte quando forem chaveadas as oitavas de final.

O estádio que faz a diferença

A Turk Telekom Arena está entre os estádios mais barulhentos do mundo. Enfrentar o Galatasaray por lá é se acostumar com a pressão constante de uma torcida que promove alguns dos maiores espetáculos das competições continentais. Os mosaicos são apenas parte do show, que realmente ganha forma através dos cânticos incessantes, que se desenrolam ao longo dos 90 minutos. A arena será o grande representante do fanatismo turco nesta edição da Champions. Além dos riscos de segurança para os torcedores visitantes, alguns jogadores sucumbem aos gritos.

Lei do Ex

Não será exatamente o reencontro de um jogador com seu ex-clube, mas a visita do Porto ao Schalke 04 promete algumas emoções. Afinal, foi lá na Veltins Arena que os portistas amassaram o Monaco por 3 a 0 e conquistaram o seu segundo título da Liga dos Campeões, em 2003/04. Um local sagrado à torcida que, 14 anos depois, poderá ser revisitado em uma ocasião especial. Sem dúvidas, deverão rolar tributos para celebrar o momento.

A ambição na fase de grupos

Porto – Dos quatro clubes, o Porto é aquele que está mais acostumado a figurar nos mata-matas da Liga dos Campeões. A conquista do Campeonato Português é um impulso e os portistas já têm experiência com este tipo de chaves niveladas. Vêm para corroborar sua força e tentar a primeira posição, pensando nos mata-matas, quem sabe para conseguir escapar de algum grande nas oitavas de final.

Lokomotiv – Depois de tanto tempo longe da Liga dos Campeões, a mera presença do Lokomotiv já representa demais à sua torcida. Mas dadas as circunstâncias, o cabeça de chave tem suas possibilidades de fazer as honras. Um clube russo não aparece nos mata-matas da Champions desde 2015/16.

Schalke 04 – Exceção feita ao Bayern de Munique e por vezes ao Borussia Dortmund, os clubes alemães têm decepcionado em suas últimas participações continentais. O Schalke 04 manteve seu lugar cativo na Champions em parte desta década, e até alcançou as semifinais em 2010/11, mas igualar o sarrafo nas oitavas já estaria de bom tamanho. Será importante também para aumentar a pontuação do país no ranking da Uefa. Só não dá para descuidar da Bundesliga, após o início sofrível.

Galatasaray – A quem se acostumou a fazer papéis de destaque nas competições continentais, até dá para almejar um lugar nos mata-matas, embora o Galatasaray pareça o menos confiável dos candidatos do Grupo D. A Liga Europa soaria de bom tamanho. Mas é possível ter confiança, especialmente depois do que o Besiktas conseguiu em uma chave de dificuldade similar na temporada passada.

Ponto forte

Porto – Sérgio Conceição conta com um dos elencos mais homogêneos do Grupo D, e isso pode fazer a diferença. O Porto possui bons nomes e jogadores rodados em todos os setores, além de apresentar certa capacidade na rotação. Casillas, Alex Telles, Felipe, Héctor Herrera, Danilo Pereira, Otávio, Yacine Brahimi, Vincent Aboubakar, Moussa Marega: são muitos os atletas de relevo à disposição do treinador, por mais que exista uma exigência grande de sempre vencer no Campeonato Português. De qualquer forma, o conjunto e a experiência continental do clube podem ser úteis na atual situação da chave.

Lokomotiv – O Lokomotiv Moscou tem um número significativo de estrangeiros e, sobretudo, de jogadores que possuem rodagem nas competições continentais. A média de idade da equipe é alta, se aproximando dos 29 anos. Todavia, isso pode ser um trunfo para os russos encararem o torneio continental, contra adversários mais jovens. Na espinha dorsal, inclusive, há vários atletas que estiveram presentes na última Copa do Mundo e que costumam defender as suas seleções. Sentir o clima do jogo não será uma dificuldade aos moscovitas, que tiveram uma participação interessante na última Liga Europa.

Schalke 04 – Abraçar o novo nunca foi muito problema ao Schalke 04. E isso tem sido um dos trunfos do clube desde a temporada passada, quando o jovem Domenico Tedesco assumiu o cargo de treinador. Ao lado de Julian Nagelsmann, é apontado como um dos técnicos mais promissores da Bundesliga, por mais que tenham estilos de jogo distintos. Exibir uma postura mais ousada e agressiva na Champions poderá ser importante no grupo. Vale olhar ainda para alguns garotos que terão uma grande oportunidade na Champions, como Breel Embolo e Amine Harit.

Galatasaray – Como citado acima, nenhum outro clube do Grupo D deve aproveitar melhor as situações como mandante. Viajar a Istambul não costuma ser uma situação cômoda para qualquer adversário, ainda mais precisando encarar um estádio caloroso como a Turk Telekom Arena. Os últimos sucessos dos Aslanlar na Champions, aliás, se pautaram desse bom aproveitamento como mandantes. À beira do campo, além do mais, Fatih Terim é um treinador que conhece os meandros do torneio.

O craque

Porto – Moussa Marega passou por momentos de questionamento no Porto, mas cresceu demais na campanha do título português e terminou como a principal referência do time. Entretanto, vale dar um papel de destaque maior a Danilo Pereira. O volante é o vértice da equipe e possui enorme capacidade, sobretudo por seu trabalho defensivo. A lesão que sofreu na última temporada, e que também o tirou da Copa do Mundo, acabou sendo bastante lamentada pelos portistas. Fez falta ao time na metade final da liga, mas já está de volta para a sequência do trabalho.

Lokomotiv – Jefferson Farfán aparentava já ter entrado na fase errática da carreira quando assinou com o Lokomotiv Moscou. Contudo, o clube russo ajudou a reerguer a carreira do atacante de 33 anos. Enquanto se tornava um herói nacional ao classificar o Peru para a Copa do Mundo, também dava novo gás aos moscovitas, acumulando gols e assistências no momento em que a equipe se consolidou na liderança do Campeonato Russo. Já teve outras campanhas notáveis na Champions, com as camisas do PSV e do Schalke.

Schalke 04 – Sem experiência na seleção, Ralf Fährmann não possui a badalação de outros goleiros alemães. Uma lacuna que acaba subestimando o capitão do Schalke, uma das certezas da equipe nas últimas temporadas. Sua liderança é inegável, assim como a segurança que transmite sob as traves. Dono de bom posicionamento e ótima agilidade, deixa os Azuis Reais muito bem servidos no setor e pode ser um diferencial dentro do emparelhamento do grupo.

Galatasaray – Bafetimbi Gomis carregou o Galatasaray à conquista do último Campeonato Turco, autor de 29 gols ao longo da competição. No entanto, o artilheiro preferiu aceitar uma proposta do Al-Hilal e deixou uma grande lacuna em Istambul. Não faltam candidatos a assumir o protagonismo, com Eren Derdiyok atuando como referência no ataque, acompanhado por nomes como Sofiane Feghouli e Garry Rodrigues. Todavia, talvez o principal nome a chamar a responsabilidade durante os jogos seja Younès Belhanda. O marroquino possui um currículo extenso e está no clube desde o último ano. Sua qualidade para bater na bola e criar ocasiões aos companheiros é o diferencial.

Mister Champions

Porto – Se alguém merece o rótulo de ‘Mister Champions’, este é Iker Casillas. O goleiro disputou mais jogos pela competição do que qualquer outro na história: 167 aparições no total. A eliminação na temporada passada até indicava que aquela poderia ter sido a despedida do espanhol. No entanto, a renovação com o Porto amplia sua trajetória. A estreia aconteceu em 1999/00, quando ergueu a Orelhuda pela primeira vez, alegria que repetiria em outras duas oportunidades. Além disso, é o recordista em partidas sem sofrer gols, 58 no total – incluindo as preliminares. Aos 37 anos, San Iker permanece como titular e terá a chance de ampliar um pouco mais os seus números.

Lokomotiv – Responsável por erguer a taça no último Campeonato Russo, Igor Denisov está entre os mais experientes de um elenco já rodado do Lokomotiv. E possui uma longa trajetória nas competições continentais, sobretudo vestindo a camisa do Zenit, o grande clube de sua carreira. O meio-campista foi um dos protagonistas na conquista da Copa da Uefa em 2007/08, anotando um dos gols na final contra o Rangers, e também serviu uma assistência para os russos superarem o Manchester United na Supercopa. Suas participações na Champions são mais contidas, mas nada que diminua sua tarimba.

Schalke 04 – Aos 36 anos, Naldo está entre os jogadores mais velhos desta Champions. Entretanto, idade não é problema ao zagueiro brasileiro, que vem de uma das melhores temporadas da carreira. Aparentemente um negócio de risco, tornou-se o melhor jogador dos Azuis Reais no vice-campeonato alemão. Segue atuando com muita firmeza, soberano no jogo aéreo. E a rodagem é um fator a mais para retornar ao torneio continental. Será a sexta vez que o brasileiro disputa a competição, acostumado principalmente nos tempos em que se destacava com o Werder Bremen.

Galatasaray – Fernando Reges chegou ao Galatasaray durante a última temporada, sem emplacar em seus anos no Manchester City. O volante é um jogador de referência aos Aslanlar, com seu amplo histórico nas competições continentais. Disputou cinco edições de Champions com a camisa do Porto, além de ter conquistado a Liga Europa em 2010/11. Depois, foram mais três campanhas com os Citizens, acumulando minutos principalmente na jornada que levou os ingleses pela primeira vez a uma semifinal, em 2015/16 – quando deu a assistência decisiva para Kevin de Bruyne eliminar o Paris Saint-Germain nas quartas de final. Experiência não falta ao brasileiro.

A contratação

Porto – O Porto não é um clube que se caracteriza por grandes compras no mercado de transferências. E, mais uma vez, os lusitanos não foram muito além das apostas para reforçar o seu elenco. Assim, o nome que mais chama a atenção é o de Éder Militão. O brasileiro vinha em um excelente momento com o São Paulo e sua compra soou como uma pechincha feita pelos portistas, desembolsando apenas €4 milhões. Apesar de seu destaque na lateral direita, o que o levou à seleção brasileira, sua estreia em Portugal aconteceu como zagueiro. Potencial não falta para o garoto de 20 anos deslanchar no Estádio do Dragão.

Lokomotiv – O mercado em Moscou não foi intenso, mas confiou em jogadores renomados. O ataque ganhou Fyodor Smolov, uma negação na Copa do Mundo, mas de reputação razoável em seu país. Na defesa, o destaque é Benedikt Höwedes, vendido pelo Schalke após frustrada passagem pela Juventus. E o meio-campo ganha Grzegorz Krychowiak. O volante teve ótimos momentos com o Sevilla, vital nas conquistas da Liga Europa. Não conseguiu repetir o desempenho no Paris Saint-Germain e também naufragou com o West Bromwich. Em uma liga menor, tenta recuperar os rumos depois de tantas decepções.

Schalke 04 – Olhando para a saída de Leon Goretzka e Max Meyer, o mercado do Schalke 04 deixou um rombo. Mesmo assim, os Azuis Reais souberam fazer barganhas e aproveitar oportunidades, como nas contratações de Sebastian Rudy e Mark Uth. Mas nenhum negócio parece mais inteligente que a contratação de Salif Sané. O zagueiro veio de uma ótima temporada com o Hannover 96 e custou barato, com os €7 milhões pagos em sua contratação. É um atleta de grande presença física e que fortalece o setor, apesar do início decepcionante do clube nesta Bundesliga.

Galatasaray – O momento financeiro do Galatasaray passa longe da abundância vista no início da década. Por isso mesmo, poucos foram os negócios fechados pelos Aslanlar nesta janela de transferências. E um dos melhores foi o retorno de Badou Ndiaye. O meio-campista senegalês de destacou no Osmanlispor e passou seis meses na Turk Telekom Arena durante o início da temporada passada, antes de ser levado a peso de ouro pelo Stoke City, na tentativa de safar os alvirrubros do rebaixamento. O milagre não aconteceu e, com a queda à Championship, os Potters emprestaram Ndiaye de volta à Turquia. Pode ser bastante útil, principalmente por suas chegadas ao ataque.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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