Champions League

Grupo C: Paris Saint-Germain, Napoli, Liverpool e Estrela Vermelha

Por que vale a pena acompanhar esse grupo

O que não falta é motivo para acompanhar este grupo: três sensações do futebol europeu e um antigo campeão que esperou 26 anos para retornar a esta fase da Champions League. O Paris Saint-Germain investiu pesado em estrelas, na temporada passada, para ganhar a coroa continental, mas parou precocemente nas oitavas de final, contra o Real Madrid. Traz, agora, um time mais maduro e um novo treinador. O Liverpool, com elenco reforçado, tem a missão de provar que a final de Kiev não foi um acaso e que está realmente de volta ao primeiro patamar. O Napoli encantou sob o comando de Maurizio Sarri e, embora com um novo treinador, parte daquele estilo vistoso de jogar bola persiste, misturando-se com as filosofias de Carlo Ancelotti. Campeão de 1991, o Estrela Vermelha carrega sua apaixonada torcida para esta fase, após uma passagem sofrida pelas preliminares.

O estádio que faz a diferença 
O Marakana, casa do Estrela Vermelha

O Marakana, batizado em homenagem ao Maracanã, tem história. Recebeu a final europeia de 1972/73, entre Ajax e Juventus, e ajudou a carregar o Estrela Vermelha rumo ao título de 1991, com públicos na casa das 80 mil pessoas. Ficou lamentavelmente muito tempo afastado dos principais jogos da Champions League, mas, com capacidade reduzida para 55 mil almas, prepara um retorno em grande estilo: 1 milhão de torcedores tentou comprar o pacote de ingressos das três partidas do Estrela Vermelha, quando as bilheterias abriram para os não-sócios. E eles esgotaram em três horas, garantindo casa cheia para os duelos contra PSG, Liverpool e Napoli.

Lei do Ex 
Cavani, do Napoli (Foto: Getty Images)

O potencial é dos mais altos porque o jogador em questão é o especialista em gols do clube teoricamente favorito do grupo. Edinson Cavani passou três anos muito prolíficos no Napoli, com média próxima a um gol por partida e mais de 100 tentos anotados, antes de se juntar ao projeto milionário do Paris Saint-Germain. Não parou de fazer gols na França, embora, nos primeiros campeonatos, tenha precisado se sacrificar pelas pontas para deixar Zlatan Ibrahimovic em sua posição preferida. Desde a saída do sueco, sua importância aumentou para o time e, na última temporada, o uruguaio deixou sua marca 40 vezes em 48 entradas em campo.

A ambição na fase de grupos

Paris Saint-Germain

A classificação é obrigação, e seria melhor se fosse em primeiro lugar, com mais chances de pegar um cruzamento mais tranquilo nas oitavas de final – é verdade que na temporada passada isso significou o Real Madrid, mas não custa tentar de novo. O PSG não tem tido vida fácil nos sorteios e, desta vez, a dificuldade veio logo nos grupos. Liverpool e Napoli têm capacidade de desafiar os milionários franceses e, talvez, deslocá-los ao segundo lugar.

Napoli 

Carlo Ancelotti (Foto: Getty Images)

Foi difícil para o Napoli conciliar duas competições na última temporada. Enquanto mantinha um alto ritmo no Campeonato Italiano, no qual pressionou a Juventus pelo título até o fim, a campanha na Champions League foi uma decepção: apenas seis pontos, e a terceira colocação, atrás do Shakhtar Donetsk. Agora com um dos maiores especialistas vivos do futebol europeu no comando, os italianos querem fazer barulho eliminando um dos favoritos do grupo.

Liverpool

Ainda retornando à Champions League, após muitos anos de ausência, o Liverpool ficou no terceiro pote do sorteio e não deu a mesma sorte da temporada passada. Pegou um grupo difícil, com risco real de complicações, mas precisa se classificar às oitavas de final para se consolidar nos primeiros patamares do continente, provando que a decisão de Kiev não foi um acidente. 

Estrela Vermelha

Uma participação honrosa é o que dá para esperar. Difícil imaginar até mesmo uma vaga na Liga Europa, com a terceira colocação, em um grupo tão qualificado. Retornando à Champions League após tanto tempo, os sérvios têm que aproveitar a ocasião.

O ponto forte

Paris Saint-Germain

Um time bom em todos os setores, mas a grande força está no trio de ataque que, não por acaso, custou € 460 milhões. Neymar, Kylian Mbappé e Edinson Cavani marcaram 89 gols na última temporada. O desafio de Tuchel é fazer com que a equipe atue coletivamente com essa mesma qualidade, sem depender tanto de inspirações individuais.

Napoli

O ponto forte também está no ataque, mas, principalmente, no coletivo que tão bem funcionou na última temporada. O Napoli tem um estilo de jogo muito bem implementado por Maurizio Sarri, com base no toque de bola qualificado, e agora conduzido por Carlo Ancelotti, que precisa inserir alguns ajustes para tornar o time ainda mais competitivo.

Liverpool

O ataque do Liverpool: Mané, Salah e Firmino (Foto: Getty Images)

Por melhor que a defesa esteja no momento, o sucesso do jogo do Liverpool ainda depende do seu trio de ataque. Mohamed Salah, Sadio Mané e Roberto Firmino são uma grande ameaça, pressionando o tempo inteiro e assegurando que o adversário sofrerá se ceder espaços para as rápidas transições ofensivas do time vermelho.

Estrela Vermelha

A defesa do Estrela Vermelha tem ótimos números. Sofreu apenas 19 gols em 37 rodadas no Campeonato Sérvio da última temporada – e marcou quase 100, o que mostra que também pode incomodar no campo de ataque. Na caminhada pelas fases preliminares, foi vazado apenas quatro vezes, duas pelo Spartak Trnava, e duas pelo Red Bull Salzburg.

O craque

Paris Saint-Germain

Neymar foi contratado para isso: ser o craque do Paris Saint-Germain que tenta transferir o sucesso na França para os palcos continentais. A primeira temporada teve alguns problemas de relacionamento, e a Copa do Mundo manchou sua imagem em âmbito mundial, mas a habilidade e o poder de decisão do brasileiro ainda são quase incomparáveis.

Napoli

Hamsik, do Napoli (Foto: Getty Images)

Hamsik é a bandeira do Napoli e, com 120 gols, mesmo sem ser centroavante, é o maior artilheiro da história do clube, superando Diego Armando Maradona. Está no San Paolo desde que chegou do Brescia, em 2007, e, aos 31 anos, capitaneia a equipe. Com a ida de Jorginho para o Chelsea, está sendo testado por Ancelotti como primeiro jogador de meio-campo, tentando reproduzir a saída de bola qualificada do ítalo-brasileiro. Ainda encontra algumas dificuldades, mas não lhe falta experiência para se adaptar.

Liverpool

Mohamed Salah estava inspirado, acertando todos os seus chutes, e foi o grande destaque da última temporada do Liverpool, mas o jogador mais importante para fazer a engrenagem funcionar é Roberto Firmino. O centroavante recua ao meio-campo para armar o ataque, abre espaços que seus companheiros atacam e nunca para de correr, sendo também essencial para o equilíbrio defensivo. E não é que não faz seus gols: foram 27 na campanha passada, dez na Champions League – igual a Salah.

Estrela Vermelha

Richmond Bokaye rodou muito para um jogador de 25 anos. Cria da base do Genoa, foi passado de mão em mão por clubes italianos, como Sassuolo, Juventus e Atalanta, jogou na Holanda e na Espanha, antes de chegar a Belgrado na temporada passada. Foi um estouro: 23 gols em 28 partidas. Foi vendido para o Jiangsu Sunin, da China, no meio da campanha, mas voltou emprestado por dois anos para disputar a Champions League, suprindo a saída do centroavante Aleksandar Pesic, para o Al Ittihad, da Arábia Saudita. Reestreou com dois gols contra o Radnik.

Mister Champions

Paris Saint-Germain

Daniel Alves e Neymar

Se tem um cara que sabe como ganhar esta bagaça, este cara é Daniel Alves. São três títulos pelo Barcelona, e sua contratação teve muito a ver com essa experiência. Aos 35 anos, ainda se recupera da lesão que o tirou da Copa. Quando estiver em forma, deve expandir seu currículo de 109 partidas a partir da fase de grupos, em 11 participações até agora.

Napoli

Como ex-integrante do Real Madrid, Raúl Albiol tem naturalmente experiência de Champions League para se gabar. Disputou a competição dez vezes: três pelo Valencia (16 jogos), quatro pelo Real (21) e três pelo Napoli (17), com mais uma participação nas fases preliminares a serviço dos italianos.

Liverpool

O elenco do Liverpool tem pouca experiência continental, mas James Milner, o mais velho da turma, angariou partidas de Champions League quando defendia o Manchester City. Tem cinco participações no torneio, com um total de 31 partidas a partir da fase de grupos. Na última campanha, foi essencial para os ingleses: bateu o recorde de assistências em um único torneio, com nove.

Estrela Vermelha

Não há muita experiência no elenco do Estrela Vermelha. Quem mais brincou de Champions League foi o alemão Marko Marin, antiga promessa do futebol alemão, contratado pelo Chelsea, mas emprestado para todo lugar. Ele tem oito jogos pelo Werder Bremen, sendo seis na fase de grupos, e sete pelo Olympiacos, três nos grupos.

A contratação

Paris Saint-Germain 

O Paris Saint-Germain passou por goleiros razoáveis, como Salvatore Sirigu e Kevin Trapp, até chegar a Alphonse Areola, jogador de 25 anos com potencial. Mas a diretoria francesa, com ambição de ganhar a Champions o mais rápido possível, não quer esperar. Trouxe o experiente Gianluigi Buffon para ser um mentor de Areola e segurar a barra nos grandes duelos que a equipe terá pela frente, como ele já fez várias vezes com a camisa da Juventus.

Napoli

O Napoli queria Simone Verdi na janela de janeiro, mas o atacante decidiu ficar no Bologna, fez gols essenciais para evitar o rebaixamento e, enfim, mudou de casa. Chega para ser uma opção importante para a rotação do elenco do vice-campeão italiano, um dos gargalos da última temporada. É um ponta com força nos cruzamentos e nos chutes de fora da área, autor de 20 gols em 101 partidas da Serie A.

Liverpool

Jürgen Klopp queria tanto Naby Keita em seu time que não se importou em esperar um ano para tê-lo. O jogador foi contratado do RB Leipzig na temporada passada, mas se apresentou apenas no começo desta para complementar o meio-campo dos Reds. Tem potência física, criatividade e técnica. Começou bem a temporada, embora ainda esteja em processo de adaptação.

Estrela Vermelha 

Jonathan Cafú pelo Estrela Vermelha (Foto: Getty Images)

Não é nenhum craque, mas Jonathan Cafú já mostrou qualidade em ligas secundárias (ou terciárias) da Europa. Em 2016/17, marcou dois gols e deu duas assistências na fase de grupos da Champions League, contra times pesados como Paris Saint-Germain e Arsenal. Aquela foi sua melhor temporada no Ludogorets, com 14 tentos e sete assistências. Foi comprado pelo Bordeaux, mas jogou pouco e está emprestado ao Estrela Vermelha para a disputa da Champions League.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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