Grupo A: O Shakhtar tenta ser a pedra no sapato de Real Madrid e Paris Saint-Germain
Paris Saint-Germain, Real Madrid, Shakhtar Donetsk, Malmö
O cenário esperado
Formou-se um grupo de elite na Champions League, nos últimos anos, e o Real Madrid faz parte dele. Depois de superar a maldição das oitavas de final com José Mourinho no comando, o maior campeão da competição tornou-se uma presença constante nas semifinais. O que significa que é natural esperar que Cristiano Ronaldo, Gareth Bale e James Rodríguez arrebatem a primeira posição do grupo. Ao mesmo tempo, o Paris Saint-Germain de Ibrahimovic está cada vez mais confortável no torneio e deve disputar essa liderança com o Real. O mais provável é que tudo se resolva nos confrontos diretos. Desta vez, parece mais difícil que o Shakhtar Donetsk avance às oitavas, mas a vaga na Liga Europa é quase garantia. O Malmö deve ganhar mais uma lanterna para a sua coleção.
O cenário possível
Nos últimos cinco anos, o Shakhtar Donetsk conseguiu chegar às oitavas de final três vezes. Em uma delas, na temporada 2012/13, caiu no grupo da poderosa Juventus e do atual campeão Chelsea e ficou em segundo lugar, à frente dos ingleses. Conseguiu surpreender, mesmo estando ao lado de dois times teoricamente mais fortes, como é o caso na atual edição. Embora PSG e Real Madrid sejam favoritos às duas vagas, o Shakhtar já mostrou que tem bola para incomodar, quando todas as suas peças encaixam. Se fizer bons jogos principalmente contra os franceses, vencendo em casa e empatando fora, por exemplo, pode chocar o público mais uma vez.
Jogador-chave
Zlatan Ibrahimovic
Cristiano Ronaldo, obviamente, deve aumentar seu número de gols na Champions League, ainda mais depois de abrir a contagem da temporada marcando cinco vezes no final de semana. Mas ele importa menos para o Real Madrid do que Ibrahimovic para o Paris Saint-Germain. Os gols do sueco podem ser a chave para o PSG espantar a zebra Shakhtar e eventualmente até ficar à frente do Real Madrid. A preocupação é latente: Ibrahimovic soma apenas 166 minutos de futebol em dois jogos nesta temporada por causa de uma lesão no joelho. Também sofreu com o próprio corpo na temporada anterior e perdeu três partidas da fase de grupos da Champions League por problemas físicos. O PSG ficou atrás do Barcelona e se classificou com folgas porque a principal ameaça era o Ajax. Os ucranianos assustam mais.
Fique de olho
Rafa Benítez
Rafa Benítez tem seus problemas, como os torcedores de Liverpool, Internazionale e Napoli podem testemunhar em primeira mão, mas costuma se dar muito bem em competições europeias. Logo na sua primeira participação, na temporada 2002/03, levou o Valencia às quartas de final da Champions League, o que não foi tão impressionante assim em um clube que havia feito duas finais seguidas nos anos anteriores (2000 e 2001), porém não deixa de ter sido uma campanha satisfatória. Conquistou a Copa da Uefa com os espanhóis em 2004, antes de se mudar para o Liverpool e figurar no Milagre de Istambul. Como voltou à decisão em 2007, e ganhou a Liga Europa com o Chelsea, em 2013, cultivou uma reputação de mago do futebol continental, que foi ligeiramente abalada quando não passou nem das fases preliminares com o Napoli (eliminado pelo Athletic Bilbao). É, no entanto, na experiência de grandes campanhas europeias que aposta o Real Madrid, um clube que não se contenta com nada menos do que o sucesso no mais alto nível.
O brasileiro
Alex Teixeira
Douglas Costa se foi, Luiz Adriano também, mas a legião de brasileiros do Shakhtar Donetsk segue firme e forte. São nove sob o comando do técnico Lucescu, o mesmo número de gols que Alex Teixeira marcou nas sete primeiras rodadas do Campeonato Ucraniano. O rapaz está voando: foi às redes duas vezes em quatro partidas da liga nacional. Ainda contribuiu com uma assistência na vitória sobre o Dínamo Kiev na Supercopa e anotou um tento solitário no Fenerbahçe, pelas fases preliminares da Champions League. Assumiu o protagonismo do time com autoridade.
A contratação
Angel Di María
Se o Paris Saint Germain acredita que precisa de jogadores experientes e vitorisos para superar a barreira das quartas de final, Di María certamente pode contribuir. O argentino foi o melhor em campo na decisão de 2013/14 com a camisa do Real Madrid antes de incompreensivelmente ser vendido para o Manchester United. Após uma temporada bem abaixo da crítica na Inglaterra, com problemas para se adaptar ao ritmo da Premier League e para conquistar a confiança de Louis van Gaal, finalmente transferiu-se para o Paris Saint Germain, tornando-se, no meio do caminho, o atleta que mais movimentou dinheiro na história do futebol. A pressão é grande, mas o natural de Rosário sabe muito bem lidar com ela.
Na história
O Malmö está na fase de grupos pela segunda vez seguida, o que já é uma vitória para o time sueco, mas nada que possa fazer na Champions League o fará igualar a melhor campanha da sua história. Porque nesses tempos de muito dinheiro e com três, quatro, às vezes até cinco, times de ligas mais fortes, fica difícil imaginá-lo na decisão, como em 1978. Era aquela época em que efetivamente participaravam apenas os campeões nacionais. O Malmö passou pelo melhor time da França (Monaco), da União Soviética (Dínamo Kiev), da Polônia (Wisla Cracóvia), da Áustria (Áustria Viena) e parou no da Inglaterra. O Nottingham Forest acabou sagrando-se campeão no Estádio Olímpico de Munique, com a vitória por 1 a 0, gol de Trevor Francis, e impediu que o Malmö integrasse o seleto grupo de vencedores do principal título do continente que, naquela época, ainda tinha apenas dez membros.



