Grupo A: Atlético de Madrid, Club Brugge, Borussia Dortmund, Monaco
Por que vale a pena acompanhar este grupo
O Grupo A da Liga dos Campeões está cheio de times querendo se provar. Já seria interessante por contar com equipes que fizeram boas campanhas continentais nas últimas temporadas. Só que o desastre compartilhado por Atlético, Dortmund e Monaco na última edição, sem que nenhum deles alcançasse os mata-matas, aumenta a cobrança. Será bacana acompanhar uma chave com jogos de bom nível e times que podem encorpar na sequência da competição. Além disso, a princípio ninguém parece garantido, por mais que os espanhóis estejam à frente dos concorrentes e o Dortmund surja como potencial dono da outra vaga.
O estádio que faz a diferença
Palco da final da Liga dos Campeões nesta temporada, o Wanda Metropolitano que me perdoe, mas ainda está degraus abaixo do Signal Iduna Park. Poucos espetáculos no futebol europeu impressionam tanto quanto o costumeiramente visto na casa do Borussia Dortmund. E os aurinegros têm um apreço especial pelas competições continentais, deixando alguns de seus melhores mosaicos para os torneios da Uefa. Mesmo que a capacidade do local seja diminuída, sem os espaços destinados para aqueles que preferem torcer em pé, certamente intimida qualquer visitante dar de cara com a Muralha Amarela. É ver se o estádio consegue fazer mais a diferença do que na temporada passada, quando os resultados dos alemães foram ruins mesmo como mandantes.

Lei do Ex
O Atlético de Madrid vive um momento historicamente destacado. E a afirmação dos colchoneros dependeu de Radamel Falcao García. O valor pago pela diretoria para tirá-lo do Porto pareceu pornográfico na época, condicionado a uma grande campanha na Liga Europa com os lusitanos. Pois o colombiano conseguiu superar suas marcas e ser ainda mais impressionante no Vicente Calderón, levando os colchoneros também ao título continental. É inesquecível sua atuação na final contra o Athletic Bilbao, assim como na Supercopa Europeia, destruindo o Chelsea. Só que os descaminhos da carreira levaram o Tigre para longe de Madri e agora ele poderá se reencontrar com a antiga torcida. Certamente receberá homenagens.
A ambição na fase de grupos
Atlético de Madrid – A conquista da Liga Europa atenua o trauma, mas não se nega que o Atleti fez uma péssima campanha na fase de grupos da última Liga dos Campeões. Que se pese o sucesso da Roma e a força do Chelsea, não dá para ignorar os dois empates contra o Qarabag. E levando em conta o elenco fortalecido, a Champions vira um caminho para a reafirmação dos colchoneros, ainda mais que as coisas no Campeonato Espanhol não começaram tão bem. Em uma chave com seu peso, mas acessível, o ambiente parece favorável a isso.
Club Brugge – O Club Brugge possui uma história marcante na antiga Copa dos Campeões, na qual chegou a ser vice-campeão, mas sabe que muito mudou no torneio continental desde então. E em uma chave apenas com equipes mais fortes, o que vier será lucro. Principalmente se os belgas conseguirem fazer boas partidas e aproveitarem a vitrine oferecida pela ocasião para negociar seus jogadores. Na última aparição, em 2016/17, foram seis derrotas em seis jogos, mesmo em um grupo não tão duro – com Leicester, Porto e Copenhague.
Borussia Dortmund – Nos últimos anos, o Dortmund se acostumou a pegar grupos cascudos na Liga dos Campeões. Porém, nada comparado ao fracasso visto na última temporada, quando não venceram um jogo sequer e só terminaram à frente do Apoel Nicósia graças ao saldo de gols – mas com algumas derrotas discutíveis ao longo do certame, é verdade. De qualquer forma, a Champions precisa ser vista com sangue nos olhos pelos aurinegros. É o momento de se refazerem das críticas e retornarem aos mata-matas com autoridade, quem sabe peitando um adversário forte como o Atlético de Madrid.
Monaco – Repetir as semifinais é um sonho surreal ao Monaco, sobretudo depois do desmanche dos últimos anos. E a temporada passada já serviu para mostrar que o buraco é bem mais embaixo, levando em conta que os alvirrubros terminaram na lanterna de uma chave acessível. A classificação aos mata-matas ainda é um objetivo, mas não seria de todo ruim cavar uma vaguinha ao menos na Liga Europa.

Ponto forte
Atlético de Madrid – O Atleti possui uma característica marcante ao longo desta década, desde que Diego Simeone assumiu o time. Não há como pensar na ascensão do clube sem exaltar a fortaleza defensiva formada pelo treinador. Os colchoneros possuem ótimas peças, a começar por Jan Oblak, mas o nível de concentração e o trabalho árduo fazem toda a diferença para a solidez do sistema. É o princípio do time, mesmo ao ataque, possibilitando os contragolpes em velocidade e a verticalidade exibida. Podem não ser os jogos mais interessantes de se ver, mas muitas vezes os rojiblancos são eficientes.
Club Brugge – Um dos grandes méritos do Club Brugge na conquista do Campeonato Belga foi seu ótimo desempenho ofensivo. Os campeões terminaram com o melhor ataque do torneio, capaz de anotar 85 gols em 40 partidas. E boa parte dos protagonistas no setor permanecem no clube. Destaque ao trabalho de Ivan Lenko, que assumiu o lugar de Michel Preud’Homme e tornou-se fundamental para aplicar esta postura agressiva, ao menos na liga nacional.
Borussia Dortmund – Sob as ordens de Lucien Favre, o Borussia Dortmund é um projeto em construção. E não se trata apenas de novos jogadores que chegaram, mas também daqueles que já estavam no clube e têm a possibilidade de se desenvolverem mais. É neste ponto que se depositam as maiores esperanças dos germânicos. Christian Pulisic é praticamente uma realidade. Julian Weigl pode recuperar o melhor que já apresentou em outros momentos. Manuel Akanji, Raphaël Guerreiro, Mahmoud Dahoud e Alexander Isak também têm bola para mais. Já a aposta da vez é Jadon Sancho, em crescente desde a temporada passada e já decisivo neste início de Bundesliga.
Monaco – Talvez o grande trunfo do Monaco nestes últimos anos seja a manutenção de Leonardo Jardim à frente da equipe. O treinador se tornou um dos nomes mais cobiçados do mercado europeu, mas a diretoria consegue assegurar os seus serviços. Diante das dificuldades vividas nos últimos tempos, parece mesmo o nome mais capaz de conduzir o processo de renovação e encontrar uma maneira para que o time renda dentro de campo. Youri Tielemans desponta como a sua cartada principal.

O craque
Atlético de Madrid – Antoine Griezmann é quem carrega as maiores esperanças no Wanda Metropolitano. Teve atuações decisivas para levar o Atlético à final continental em 2016 e vem com o moral elevado pela maneira como serviu de liderança técnica à seleção francesa, assim como pelas conquistas recentes na Liga Europa e na Supercopa. Além disso, a decisão de permanecer em Madri animou muito a torcida, dando créditos ao projeto dirigido por Diego Simeone. Agora, precisa colocar o seu talento ofensivo a serviço dos colchoneros, combinando-se na destrutiva dupla formada ao lado de Diego Costa, ainda devendo neste início de temporada.
Club Brugge – Aos 30 anos, Ruud Vormer possui uma história já arraigada no futebol. Surgiu no AZ e despontou no Roda JC, até ganhar uma chance no Feyenoord, onde não emplacou. A partir de 2014, o holandês construiu sua caminhada no Club Brugge e se transformou na grande referência técnica da equipe. O meio-campista carrega a braçadeira de capitão e teve papel decisivo na conquista do último campeonato belga, com 13 gols e 19 assistências. Serve de símbolo na campanha continental.
Borussia Dortmund – Fica cada vez mais claro que Marco Reus irá fincar sua bandeira no Signal Iduna Park como um dos maiores ídolos aurinegros. As lesões dos últimos anos, porém, o impediram de escrever uma história mais profunda e deixam dúvidas do quanto ainda pode render sem se quebrar novamente. Por isso, este momento de transição também é vital à carreira do camisa 11, assumindo a braçadeira de capitão e tentando se afastar dos próprios fantasmas. A Liga dos Campeões providencia o palco ao brilho que nunca faltou, mesmo com a costumeira falta de sequência.
Monaco – Não há como falar do Monaco sem citar Radamel Falcao García. O centroavante permanece como grande protagonista dos alvirrubros, ainda mais depois dos desmanches sucessivos ocorridos nas últimas temporadas. É o cara para receber a bola e resolver em apenas um toque, mantendo sua média de gols altíssima. O capitão, afinal, demorou a fazer a sua estreia na Champions, mas tem correspondido durante as últimas temporadas. Anotou 10 tentos em 15 partidas nas duas últimas campanhas, instrumental para a trajetória até as semifinais em 2016/17.

Mister Champions
Atlético de Madrid – Poucos caras representam tão bem a identidade atual do Atleti quanto Diego Godín. Não é apenas a questão de ser capitão ou um dos mais antigos do elenco. O zagueiro também incorpora como poucos a luta frequente dos colchoneros dentro de campo, seja por sua qualidade defensiva ou por jamais desistir. A temporada não começou muito boa para o veterano, mas os rojiblancos sabem que parte de seu sucesso depende da boa forma do uruguaio. Muitos dos feitos do clube nas últimas temporadas, afinal, tiveram o beque como protagonista.
Club Brugge – Em um time pouco rodado do Club Brugge, um dos jogadores mais experientes é Jelle Vossen. O centroavante possui uma carreira bastante experimentada, surgindo bem no Genk que conquistou o Campeonato Belga no início da década. Depois disso, rodaria por Burnley e Middlesbrough, até retornar ao Club Brugge, onde se tornou a referência ofensiva nas últimas temporadas. Aos 29 anos, começou com tudo a atual edição da liga nacional, somando quatro gols em quatro partidas.
Borussia Dortmund – Cada vez mais os aurinegros se distanciam das temporadas históricas sob as ordens de Jürgen Klopp. E um dos raros remanescentes é Mario Götze, que parece um talento perdido no tempo, mas possui bastante tarimba na Champions. São 52 partidas na competição, entre os tempos de Dortmund e a fugaz passagem pelo Bayern de Munique. Suas condições físicas são uma incógnita e só entrou em campo com Lucien Favre durante a Copa da Alemanha. De qualquer maneira, por tudo o que já viveu, não deixa de ser uma referência no grupo.
Monaco – Diego Benaglio é o jogador mais experiente no elenco do Monaco. São anos de trabalho com a seleção suíça e principalmente o Wolfsburg, onde viveu o auge da carreira. Agora, com Danijel Subasic fora de combate neste início de temporada, o veterano tem assumido a responsabilidade na Ligue 1. Na campanha anterior, chegou a atuar em algumas partidas da Champions com os monegascos, mas não conseguiu se sair tão bem.

A contratação
Atlético de Madrid – Thomas Lemar é a contratação mais midiática do Atlético de Madrid e naturalmente ganha espaço no time titular, considerando o investimento feito pelos colchoneros. No entanto, Rodri merece atenção. O meio-campista chega como um herdeiro natural de Gabi, em uma posição que sempre foi primordial na equipe de Diego Simeone. Volante de presença física e boa saída de jogo, teve participação destacada na conquista da Supercopa Europeia. Considerando a maratona de jogos, pode ser importante nesta fase de grupos da Champions.
Club Brugge – Kaveh Rezaei virou aposta do Charleroi na temporada passada, após se destacar em diferentes clubes do futebol iraniano. E um bom ano inicial no Campeonato Belga já foi suficiente para se tornar alvo do Club Brugge, que desembolsou relativamente alto para contratar o centroavante. O novato começou a atual edição da liga nacional afiado, com quatro gols marcados em sete partidas.
Borussia Dortmund – Entre os clubes alemães, o Borussia Dortmund foi o que mais gastou na última janela de transferências. O mercado trouxe investimentos para os diferentes setores do elenco. Contudo, nenhum dos reforços possui o lastro de Axel Witsel. O volante fazia o seu pé de meia na China e agora poderá ter a primeira experiência em uma grande liga europeia, após se destacar durante a Copa do Mundo. Disputou a Champions diferentes vezes por Zenit, Benfica e Standard Liège. Seu melhor desempenho aconteceu em 2011/12, quando alcançou as quartas de final com os encarnados.
Monaco – Aleksandr Golovin se tornou um dos nomes mais quentes após a Copa do Mundo. O meia demonstrou seu talento com a seleção russa, em algumas atuações realmente acima da média, e não escondeu seu desejo de deixar o CSKA Moscou. Entre diferentes interessados por seu futebol, o jovem preferiu se mudar ao Monaco, onde deve encontrar boas condições para se desenvolver e terá compatriotas na alta cúpula da agremiação. O momento dos alvirrubros não é dos mais favoráveis, mas eles ganham um jogador com boa qualidade técnica e versatilidade em seu posicionamento. Problema maior é a lesão que atravanca seu início no clube, ainda sem estrear.



