Champions League

Goleiro albanês pega três pênaltis, marca de cavadinha e vira herói do Partizani na Champions

Alban Hoxha passou por muita coisa em pouco tempo. Em um ano e meio, teve um filho com a mulher que amava apenas para vê-la morrer por complicações pós-parto. Bateu recorde de minutos sem levar gol na liga albanesa (1.084) e nem conseguiu comemorar direito por ainda estar de luto. Foi convocado pela primeira vez para a seleção albanesa e ficou na reserva na Eurocopa de 2016. E, nesta quarta-feira, foi o herói da classificação do Partizani, de Tirana, à terceira fase preliminar da Champions League, defendendo três pênaltis e marcando o seu, de cavadinha, contra o Ferencváros, da Hungria.

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Seu momento mais triste aconteceu em dezembro de 2014: sua mulher morreu em decorrência de complicações do parto e por negligência médica. Aos 27 anos, viu-se pai solteiro. “Se você entrar em nossos hospitais, todos percebem como são miseráveis os médicos e a infraestrutura deste país”, disse ao site albanês Panorama, em agosto de 2015. “Ele está aprendendo a falar. Diz ‘mamãe’ e ‘papai’. É um momento belo, mas difícil. Nove meses de idade e não tem o calor da mãe por perto. Não consigo estar perto o tempo todo. Mas, quando estou em casa, tento fazer tudo”.

Na mesma época, ficou 1.084 minutos sem sofrer gols e bateu o recorde de 30 anos do goleiro Bujar Gogunja, do Elbasani. Já havia chamado a atenção do técnico da seleção albanesa, que o chamou pela primeira vez em outubro de 2014, e continuou fazendo parte do time nacional. Sua única partida, porém, foi em amistoso contra a Georgia, quando jogou apenas 15 minutos. Participou da bela história da Albânia na Eurocopa de 2016, mesmo sem ter entrado em campo nenhuma vez.

E, com a braçadeira de capitão no braço, tentou ajudar o Partizani a eliminar o húngaro Ferencváros, nesta quarta-feira, para manter vivo o sonho do seu time avançar na Champions League. O empate por 1 a 1, em Elbasan, foi repetido em Budapeste e a vaga acabou decidida nos pênaltis. Xoxha teve a responsabilidade de bater o primeiro pênalti. Com classe (e coragem), chutou de cavadinha e abriu a contagem. Seu companheiro, Emiljano Vila, porém, desperdiçou. Mas Xoxha defendeu dois pênaltis seguidos, de Zoltán Gera e Stanislav Sesták.

Trashi e Ekuban marcaram para o Partizani, e Dominik Nagy, para o Ferencváros. A decisão ficou aos pés de Cristian Ramírez, mas Xoxha brilhou novamente, fez a terceira defesa, e levou seu time à próxima fase. Agora, enfrenta o austríaco Red Bull Salzburg, em mais uma tentativa de deixar seus problemas pessoais de lado, pelo menos durante noventa minutos.

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Como ficaram os confrontos do caminho dos campeões (jogos em 26-27 de julho e 2-3 de agosto):

Rosenborg (NOR) x Apoel (CYP)
Dínamo Zagreb (CRO) x Dínamo Tbilissi (GEO)
Olympiacos (GRE) x Hapoel Beer-Sheva (ISR)
Astana (KAZ) x Celtic (SCO)
Trenčín (SVK) x Legia Varsóvia (POL)
Viktoria Plzeň (CZE) x Qarabağ (AZE)
Astra Giurgiu (ROU) x Copenhagen (DIN)
BATE Borisov (BLR) x Dundalk (IRL)
Ludogorets Razgrad (BUL) x Estrela Vermelha (SRB)
Partizani (ALB) x Red Bull Salzburg (AUT)

 

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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