Champions League

Foden e Mount vivem temporada de afirmação e chegam à final da Champions como dois expoentes de uma geração

Com percursos diferentes, jovens de City e Chelsea se estabeleceram como peças fundamentais de suas respectivas equipes

A final da Champions League entre Manchester City e Chelsea, neste sábado (29), colocará frente a frente dois dos principais expoentes da nova geração inglesa, jogadores com percursos diferentes, mas, em comum, uma temporada de afirmação que os elevou à condição não apenas de estrelas do futuro, mas de nomes estabelecidos do presente. Em duas equipes conhecidas por não recorrerem tanto a suas categorias de base, o espaço e o sucesso encontrados pela dupla se torna ainda mais significativo. Entre Phil Foden e Mason Mount, apenas um sairá vitorioso da decisão deste fim de semana, mas ambos representam uma esperança de retorno às glórias para a torcida inglesa em um momento em que esta leva dourada de jogadores começará a se por à prova.

Foden teve um percurso mais direto que Mount neste seu início de carreira. Cria da base do Manchester City, já era muito cotado desde os tempos de juniores, com destaque para seu papel de protagonista na conquista da Copa do Mundo Sub-17 de 2017 pela Inglaterra. Após aquele torneio, o meia foi incluído no grupo do Manchester City que faria a pré-temporada para a campanha 2017/18 e, com boas atuações em amistosos contra Manchester United e Real Madrid, foi lentamente integrado à equipe principal ao longo daquele ano. Em novembro de 2017, com apenas 17 anos, fez sua estreia como profissional e terminaria a temporada com dez atuações entre partidas de Premier League, Copa da Liga Inglesa e Champions League.

Em 2018/19, Foden já estava na boca da torcida do City, que pedia uma inclusão maior do jogador nos compromissos da equipe. Pep Guardiola, entretanto, sempre preferiu uma integração mais cuidadosa e paciente. O meia progressivamente ganhou mais espaço, mas o processo foi lento. Naquela campanha, entrou em campo 26 vezes, marcando sete gols e duas assistências, e em 2019/20, aumentou seus números para 38 atuações, oito gols e nove assistências.

Entre o fim daquela temporada e o início de 2020/21, Guardiola indicava que o momento de Foden havia chegado. Sua progressão havia sido clara em campo, e o técnico apontava que o garoto seria o sucessor de David Silva, que dava um fim à sua bem-sucedida passagem de dez anos pelo clube e retornava à Espanha. A saída de Silva retirou o obstáculo final para que Foden se fixasse de vez como um nome recorrente, a sua oportunidade chegou, e o meia a aproveitou bem.

Phil Foden foi eleito o melhor jogador da Copa do Mundo Sub-17 de 2017, conquistada pela Inglaterra (Varun Kumar Mukhia/Pacific Press/Imago/OneFootball)

Na atual temporada, Phil Foden acumulou 49 jogos, parte significativa deles como titular. Apesar de ser mais um criador do que um finalizador, termina a temporada como o segundo jogador de 20 anos ou menos a marcar mais gols por um clube das cinco grandes ligas europeias, com 16 tentos, atrás apenas da máquina de gols Erling Haaland, do Borussia Dortmund, que balançou as redes 41 vezes.

Mason Mount, por sua vez, teve um percurso mais sinuoso para chegar até aqui com o status que mantém hoje de grande destaque do Chelsea. Dois anos mais velho que Foden, à época em que o prodígio do City começava a ganhar as primeiras oportunidades na pré-temporada de 2017, Mount assinava um contrato de quatro anos com os Blues, mas partia para o primeiro de seus empréstimos, defendendo o Vitesse, da Holanda, destino comum aos jovens do time londrino.

No Vitesse, Mount teve sucesso, com 39 jogos e 14 gols marcados, notavelmente um hat-trick em uma das partidas de semifinal dos playoffs locais de classificação à Liga Europa. Na temporada seguinte, rumou para o Derby County, na segunda divisão inglesa, onde jogaria sob as ordens de uma lenda do Chelsea, Frank Lampard, que estreava como técnico.

O Derby de Mount e Lampard teve uma temporada de destaque na Championship, batendo na trave para conseguir a promoção para a Premier League – derrota para o Aston Villa na final dos playoffs de acesso. O trabalho foi suficiente para que o Chelsea desse uma chance a Lampard no comando da equipe principal em 2019/20, e a presença do treinador novato nos Blues favoreceu Mount, já que o meia havia se destacado sob o seu comando na segundona.

Sucesso com Lampard no Derby County abriu caminho para Mount no Chelsea (Andrew Cowie/Colorsport/Imago/OneFootball)

Ajudou também que, naquela temporada, o Chelsea esteve sob embargo de transferências e precisou apostar mais em seus jovens. Mount foi o que melhor tirou proveito das circunstâncias. Participou de basicamente todos os jogos da equipe na campanha, exceto por dois, e contribuiu com oito gols e cinco assistências.

Passado o embargo, o Chelsea foi pesado ao mercado e contratou jogadores de grande talento para o setor ofensivo. Hakim Ziyech, Timo Werner e Kai Havertz chegaram com grande status, mas acabaram tendo uma primeira temporada de dificuldades de adaptação, enquanto Mount apenas aumentou seu protagonismo em meio a um contexto de maior competição por vagas.

Por sua faceta de meia com chegada ao ataque, algo característico de Lampard em sua carreira como jogador, e por ter vindo de um trabalho com a lenda do Chelsea no Derby, Mount teve sempre sua imagem bastante ligada ao treinador, e a demissão de Lampard para a chegada de Thomas Tuchel na segunda metade da temporada atual colocou ligeiramente em dúvida se o meia seguiria tendo o mesmo espaço que tinha antes. Esta questão logo se dissipou, com Mount referendando seu papel como principal destaque individual dos Blues no ano e de quebra conquistando o prêmio de melhor jogador do clube na temporada.

Cada qual à sua maneira, Foden e Mount conseguiram quebrar um padrão observado em Manchester City e Chelsea de poucas oportunidades dadas aos jovens da base. O meia dos Blues aproveitou circunstâncias externas, como o embargo de contratações e a presença de Lampard, para brilhar, enquanto o dos Sky Blues se impôs por sua qualidade incontornável.

Foden e Mount chegam agora à final da Champions League com uma oportunidade enorme de colocar um grande título em seu currículo como parte integral de suas respectivas equipes. Independentemente de quem saia vencedor, o futuro se projeta brilhante para os dois – e eles poderão estender sua grande temporada à seleção inglesa, para a qual deverão ser convocados para a disputa da Eurocopa, a partir de 11 de junho.

Ao início da temporada, não seria simples apostar na presença dos dois no elenco dos Three Lions que vai ao campeonato europeu, especialmente pela alta concorrência no setor. Agora, no entanto, uma lista sem os dois soaria como um enorme erro de julgamento de Gareth Southgate.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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