Champions League

Fiel à sua identidade, o Atleti outra vez se coloca entre os oito melhores da Europa

O Atlético de Madrid não precisa ter a bola em seus pés para ficar com o jogo em suas mãos. O auge dos colchoneros sob as ordens de Diego Simeone foi alcançado graças a uma enorme força mental, maior do que simplesmente a imposição territorial. E o time, oscilante nos últimos meses, resgatou esta virtude para avançar às quartas de final da Liga dos Campeões. Mesmo no Estádio Vicente Calderón, os espanhóis enfrentaram suas dificuldades diante do Bayer Leverkusen. Contra um adversário que buscou o ataque, precisaram contar com paredões em sua defesa, sobretudo Jan Oblak e Diego Godín. Mas, no fim das contas, se agarraram na velha consistência. O empate por 0 a 0 acabou sendo suficiente para a classificação do Atleti, após a vitória por 4 a 2 na Alemanha.

Necessitando de gols, o Leverkusen tomou a iniciativa desde os primeiros minutos. Os visitantes apostavam principalmente na mobilidade de sua linha de frente, acionando bastante Karim Bellarabi e Julian Brandt pelos lados do campo. Logo nos primeiros instantes, os germânicos já assustaram, em chute de Kevin Volland que seguiu para fora. Tinham mais posse de bola e pressionavam, mas encontravam dificuldades para abrir brechas na defesa do Atlético de Madrid, mesmo com desfalques importantes, como Gabi e Filipe Luís. Sólidos, os colchoneros se sentiam até mesmo confortáveis em sua retaguarda. Não conseguiam sair tanto para o ataque, com a linha de zaga alemã cobrindo bem os contra-ataques. De qualquer forma, era o clássico da equipe de Simeone, aguardando o momento certo para dar o bote.

Pouco antes do intervalo, o jogo ficou um pouco mais franco e o Atlético encaixou os seus primeiros golpes. Ángel Correa e Koke arremataram com força, mas pararam em defesaças do goleiro Bernd Leno. Se já tinha evitado um prejuízo maior na BayArena, o camisa 1 ressaltava mais uma vez a sua importância. Do outro lado, o Leverkusen também começava a se criar. O problema é que os defensores rojiblancos beiravam a perfeição. Diego Godín estava inspirado, preciso no tempo de bola para travar os adversário. Giménez e Koke eram outros que iam bem na marcação.

No início da segunda etapa, o Atlético de Madrid voltou a encontrar espaços a partir da velocidade de seu ataque. Ángel Correa incomodava demais e poderia ter aberto o placar após fazer fila dentro da área, batendo para fora. Pouco depois, foi a vez de Antoine Griezmann tentar encobrir, errando o alvo. Só que, logo na sequência, o Leverkusen cresceria. Precisando de três gols, passou a acelerar o seu jogo, colocando o Atleti contra a parede. O momento em que encontraram uma barreira gigantesca, chamada Jan Oblak.

Foram seis defesas do goleiro esloveno. Três delas em um lance completamente espetacular, para ser repetido por muitos anos. Giménez falhou e abriu a brecha para o Leverkusen martelar. Volland e Brandt tentaram. Pararam nos milagres de Oblak, se desdobrando para evitar o gol. Na sobra, Chicharito ainda teve a última chance, mas bateu para fora. O Atlético de Madrid preferiu se resguardar, com a entrada de Stefan Savic no lugar de Yannick Ferreira Carrasco. O Leverkusen insistiu e poderia ter aberto o placar. Só não contou com a colaboração do camisa 13. O arqueiro coroou a grande atuação defensiva de seu time, diante de um adversário que foi ousado. E, importante frisar, o time de Simeone não apelou para a violência, como afirmam os rótulos: foram apenas seis faltas, a primeira com 42 minutos rodados.

Imponente nas copas europeias, o Atlético de Madrid se coloca pelo quarto ano consecutivo nas quartas de final da Liga dos Campeões, sempre se mantendo entre os oito melhores desde que Simeone começou a participar da competição. Os colchoneros já viveram melhores momentos, mas têm time copeiro em sua essência. Osso duro de roer, que também espera um sorteio afável. Nas oitavas de final, as bolinhas ajudaram. Todavia, o Atleti também teve caráter e firmeza para buscar a classificação. Diante da campanha abaixo dos últimos anos em La Liga, que deve ao menos garantir a quarta colocação, o clube joga a sua temporada na Champions.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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