Champions League

Feitos de uma quarta-feira

O Arsenal refugou na hora de colocar a última terça-feira na história, mas a sua vizinha quarta-feira parece que nasceu para estar por lá. A começar pelos cinco gols de Lionel Messi, castigando o Leverkusen em plenas oitavas de final da Champions League. Não tivesse o argentino se preocupado em levar a bola do jogo pra casa, o tamanho do feito não estaria refletido em seu comportamento, já que ele trazia no rosto aquela mesma cara de “Será que deixei a torneira aberta antes de sair de casa?”, ilustrando a concentração e a serenidade de quem já está acostumado a quebrar recordes.

Aos 24 anos, Messi está a sete gols de se tornar o maior artilheiro da história de um clube com o peso do Barcelona. No ritmo alucinante de seus números, não será absurdo se ele já começar abril com mais esse recorde debaixo do braço. Já é o melhor jogador que minha geração viu em atividade (e olha que vimos muita gente boa) e uma lenda na modalidade. Condicionar seu status à conquista de uma Copa do Mundo é ignorar que o futebol ainda é um esporte coletivo, por mais que os atacantes do São Paulo teimem em tentar contrariar essa noção.

Se o Lionel já é verbete destacado na história do futebol, o APOEL nem chega a nota de rodapé. Mas no relicário do futebol cipriota, não há maior feito do que o do clube de Nicósia, o primeiro do país a ficar entre os oito primeiros colocados da maior competição interclubes do planeta. Após passar com autoridade por um grupo complicado, com Porto, Shakhtar e Zenit, o time de amarelo se encarregou de eliminar o Lyon, que está para o mata-mata da Champions assim como a Tunísia está para a Copa do Mundo: constantemente presente e tirando o lugar que poderia ser de um time bem mais legal.

A chegada do pequeno e aguerrido APOEL às fases mais agudas da competição é uma vitória de Michel Platini, que facilitou o acesso dos campeões dos países periféricos à fase de grupos da competição, livrando-os de confrontos com clubes das principais ligas. Infelizmente, isso não significa dias melhores também para a seleção do Chipre, já que os jogadores locais são coadjuvantes em um time dependente de brasileiros sem grife. Em outros tempos, tivemos casos de clubes que foram longe em competições europeias e alavancaram o futebol de seus países, como Estrela Vermelha e Dynamo Kiev, por exemplo.

O sonho do APOEL já virou realidade e está perto do fim, mas a carreira de Neymar está só no começo. No dia em que completou três anos como profissional, o menino simplesmente destroçou o Internacional, que deu sua ajudinha, ao adotar um comportamento covarde e incompatível com suas tradições. Não tendo nada a ver com isso, Neymar marcou três vezes, sendo o segundo e o terceiro tentos frutos de arrancadas que não deixam dúvida que ele está fazendo hora-extra no futebol brasileiro, para a nossa felicidade (em especial dos santistas, que estão no direito de ficarem insuportáveis).

Mas o motivo mais forte para considerar o jogo da Vila Belmiro como sendo histórico é que, graças a Neymar, Ganso, Ibson e Arouca, pela primeira vez, um time treinado por Muricy jogou bonito. Resta saber se ele gostou da brincadeira, ou deitou a cabeça no travesseiro pensando em escalar um terceiro zagueiro para manter sua fama de operário da bola.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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