Champions League

Fatal nos contra-ataques, o Dortmund abriu a Champions com um contundente 3×0 sobre o Copenhague

O Borussia Dortmund fez uma atuação segura e com muito volume ofensivo, que não deu chances ao Copenhague no Signal Iduna Park

As primeiras partidas do Borussia Dortmund na Bundesliga viram um time oscilante, que conseguiu emendar bons resultados, mas não necessariamente agradar. Nesta terça-feira, os aurinegros estrearam na Champions League e fizeram sua melhor atuação na temporada. O Copenhague chegou a gerar alguns sustos no Signal Iduna Park, mas o triunfo do Dortmund por 3 a 0 foi completamente merecido. A equipe cresceu na partida, criou um bom número de chances e teve seu triunfo conduzido por Marco Reus. Foram três gols nascidos em contra-ataques, todos a partir de bolas roubadas e rápidas transições. Também houve a presença especial de Sébastien Haller, em tratamento do câncer nos testículos e presente nas arquibancadas.

O Borussia Dortmund lidava com diversos desfalques por lesão, inclusive no gol, onde Alexander Meyer era o titular. A zaga contava com a parceria de Niklas Süle e Nico Schlotterbeck, enquanto Salih Özcan formava a dupla no meio com Jude Bellingham. Marco Reus armava o time, apoiado por Julian Brandt e Thorgan Hazard nas pontas. Anthony Modeste era o homem de referência. O Copenhague chamava atenção pelo trio de frente composto por Andreas Cornelius, Viktor Claesson e Mohamed Daramy. Outras figuras tarimbadas também compunham o 11 inicial, incluindo o goleiro Mat Ryan, o zagueiro Denis Vavro e o volante Zeca.

O Copenhague tentou aprontar logo no primeiro minuto. O capitão Zeca mandou um míssil da intermediária, em bola que triscou a parte externa da trave. Porém, não demorou para que o Borussia Dortmund ditasse o ritmo das ações, mais presente no campo de ataque. Julian Brandt criaria a primeira oportunidade do BVB, mas Anthony Modeste pegou mal na bola. Os aurinegros apertavam o passo, com várias bolas espetadas na área que levavam perigo. Porém, com o passar dos minutos, esse ímpeto arrefeceu. O Dortmund ainda precisou queimar sua primeira substituição aos 23 minutos, com o lesionado Thorgan Hazard dando lugar a Gio Reyna.

Somente por volta dos 30 minutos é que o Dortmund voltou a martelar. Salih Özcan bateu com força ao lado da meta e Reus furou uma bola na área. O camisa 11, contudo, não demorou a se redimir e abriu o placar aos 35. Foi quando os aurinegros encaixaram o contra-ataque. Brandt serviu Reus, que deu uma finta seca em Vavro e bateu rasteiro diante de Mat Ryan. Belo tento do capitão. Mais solto, o BVB voltou a acelerar para anotar o segundo aos 42. O contragolpe seria puxado por Raphaël Guerreiro, que escapou da marcação e tabelou com Reyna, antes de bater à meta aberta. Somente no fim o Copenhague acordou, mas Meyer foi bem quando trabalhou.

De novo, o Copenhague teve a primeira chance do segundo tempo. Meyer se agigantou e fechou o ângulo de Lukas Lerager, num chute à queima-roupa após cobrança de escanteio. Entretanto, logo o Borussia Dortmund voltou a administrar a posse de bola e a tranquilizar a sua situação. O terceiro poderia ter vindo com Modeste, mas o francês não alcançou o cruzamento de Guerreiro. Quando o centroavante preparou o lance e Reus deu um passe açucarado, Brandt isolou dentro da área. Os dinamarqueses passavam minutos adormecidos. Já as trocas dos alemães ocorreram aos 21, com as entradas de Youssoufa Moukoko e Emre Can, nos lugares de Özcan e Modeste.

A partida era levada sem pressa, com o Borussia Dortmund satisfeito pelo resultado. A equipe não forçava muitos lances na área, enquanto o Copenhague também não possuía força nos contragolpes – quase sempre contidos por Schlotterbeck. No máximo, os dinamarqueses aguardavam bolas paradas para tentar algo diferente. Os minutos passavam com o toque de bola tranquilo do BVB no campo ofensivo, com a movimentação de Reus para organizar o time. Aos 35,o capitão deu um presentaço na área, mas Moukoko e Brandt se atrapalharam na hora da conclusão, numa lambança que terminou com o tiro para fora. Mais competência teve Bellingham, para fechar a conta aos 38. Em mais um contragolpe garantido por uma bola roubada pelos aurinegros, Thomas Meunier passou rasteiro e o volante arrematou com precisão.

No fim, Reus e Guerreiro saíram aplaudidos, com as incursões de Marius Wolf e do garoto Tom Rothe. O Copenhague chegou a balançar as redes com Rasmus Falk Jensen, mas o tento acabou anulado pela nova tecnologia automática de impedimento. Não passou de um susto. Já era hora da festa nas arquibancadas, num jogo emblemático também pela lotação do Signal Iduna Park. O estádio recebeu 70 mil torcedores. O aumento de 5 mil na capacidade continental se dá pela mudança na regulamentação da Uefa sobre lugares em pé nas tribunas, permitidos a partir de agora. Assim, a Muralha Amarela pôde receber mais gente.

A vitória desta terça-feira era obrigatória para as ambições do Borussia Dortmund. O nível de desafio será maior contra Manchester City e Sevilla, os dois principais concorrentes pela classificação. Mas, diante de tantos desfalques, não se nega a boa atuação do BVB. Foi um triunfo relativamente tranquilo e com amplo domínio. O rendimento de Reus está entre as melhores notícias deste início de temporada.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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