Champions League

Explosões próximas ao ônibus do Dortmund deixam Bartra ferido e adiam jogo contra o Monaco

Três explosões aconteceram nas proximidades do ônibus do Borussia Dortmund nesta terça-feira, quando o time se dirigia do hotel ao Signal Iduna Park, para o jogo contra o Monaco pelas quartas de final da Liga dos Campeões. O incidente atingiu as rodas do veículo e deixou um ferido, o zagueiro Marc Bartra, encaminhado ao hospital com ferimentos em um dos braços. Já os outros membros da comissão técnica estão a salvo. Por conta da ocorrência, a partida acabou adiada para esta quarta, às 13h45 (horário de Brasília).

Segundo a polícia da Renânia do Norte-Vestfália, as explosões aconteceram pouco depois das 19h, cerca de 1h45 antes do apito inicial. O ônibus passava por um trecho a 10 quilômetros do estádio. Até o momento, as forças de segurança não confirmam exatamente o que explodiu ou onde ocorreram as explosões, embora tenha afirmado que foram três. Além disso, por enquanto, não há qualquer menção sobre “atentado terrorista”, apesar dos indícios. Em sua conta no twitter, entretanto, o Borussia Dortmund cita uma “explosão à bomba”. As primeiras imagens do ônibus mostram os vidros estilhaçados.

Apesar da preocupação, não houve qualquer incidente no Signal Iduna Park ou em seus arredores. O policiamento no local foi reforçado, enquanto os funcionários do Borussia Dortmund trataram de tranquilizar os torcedores já presentes. Durante o anúncio do adiamento da partida, os aurinegros ganharam o apoio dos visitantes do Monaco, em bonita cena, com os alvirrubros batendo palmas e gritando o nome da cidade. Os ingressos desta terça continuarão válidos para a data da remarcação do jogo. Através das redes sociais, o Dortmund se mobiliza para oferecer acomodações aos monegascos nesta noite.

O texto será atualizado conforme novas informações forem divulgadas

Atualizado às 16h25

Um dos repórteres da Deutsche Welle deu o seu depoimento sobre o ocorrido: “O ônibus do Dortmund estava no hotel, esperando Thomas Tuchel. Então, começou a seguir em direção ao estádio. Depois de alguns instantes, uma grande explosão aconteceu. O carro em que eu estava estremeceu inteiro”. Conforme o jornalista, ele se localizava a 30 metros do ônibus. Ele usou as palavras “pesado” e “loucura” para descrever a situação.

Atualizado às 18h

Depoimento do goleiro Roman Bürki, ao jornal suíço Blick: “Nós deixávamos o hotel. Quando o ônibus virou na rua principal, houve um barulho grande de explosão. Eu estava sentado atrás de Bartra, que foi atingido por fragmentos dos vidros. Depois do estouro, todos nós nos agachamos. Não sabemos se mais coisa aconteceu. A polícia veio rápido ao local, garantiram a segurança. Estamos todos em choque. Ninguém pensou em futebol por um minuto sequer”.

Atualizado às 20h15

Em coletiva de imprensa, a polícia da Renânia do Norte-Vestfália declarou que encontrou uma carta na região da explosão e que assume a autoria, mas está verificando a autenticidade do material. As autoridades confirmaram que o ataque foi direcionado ao ônibus do Borussia Dortmund, e com artefatos explosivos que classificou como “sérios”, mas ainda mantém a cautela, preferindo apurar as informações até afirmar se houve mesmo caráter terrorista. Durante as explosões, Sven Bender avisou o motorista sobre mais uma detonação que avistou de canto de olho, e poderia ter causado estragos maiores.

Marc Bartra, por sua vez, precisou passar por uma operação. Ele sofreu uma fratura no antebraço direito e ferimentos na mão direita. Seu status passou de levemente ferido para gravemente ferido. Entretanto, os representantes do Dortmund não declararam se há riscos maiores ao defensor.

Atualizado às 11h30

A Promotoria Geral da Alemanha, que lidera as investigações sobre o ataque ao ônibus do Borussia Dortmund, trouxe nesta quarta novas informações sobre o atentado. As autoridades, enfim, passaram a admitir o ocorrido como um episódio de terrorismo. A polícia chegou aos dois primeiros suspeitos, ambos dentro do “espectro islâmico”, como classificou a promotoria em sua nota oficial, e  realizou buscas em suas residências.

“O pano de fundo do ataque é baseado nos fatos do crime. O motivo exato do ataque continua incerto. No local, três textos de mesmo caráter foram encontrados. Diante disso, a participação de grupos islâmicos parece possível. Entre outras coisas, a carta fala sobre a Síria e o fechamento da base aérea de Ramstein. No momento, isso está sendo investigado, especialmente por estudiosos islamistas. Dessa maneira, uma avaliação final ainda não é possível no momento”, aponta o comunicado oficial do organismo. Um grupo de extrema-esquerda reivindicou a autoria dos ataques, mas a promotoria duvida de sua autenticidade.

Um dos suspeitos permanece detido: o sírio Zoher J., de 31 anos. Ele é acusado de ser membro do Daesh – também conhecido como ISIS. Segundo a nota oficial, Zoher criou uma unidade de combate ligada ao Jabhat al-Nusra, o braço sírio da al-Qaeda, na cidade de Aleppo. Depois que a região foi dominada pelo Daesh, ele entrou ao “serviço secreto” do grupo extremista. Mudou-se à Alemanha em 2015 e também partiu à Grécia, onde teria recrutado membros à sua célula terrorista.

Além disso, as investigações trouxeram à tona novos detalhes sobre o atentado. Os artefatos eram equipados com pinos de metal, que se fragmentaram a partir da explosão. Um deles atingiu o encosto de uma das poltronas, mas, por sorte, não feriu nenhum passageiro. Os explosivos tinham capacidade para afetar um raio de 100 metros. O mecanismo de ignição ou o tipo de explosivo ainda são assunto da investigação criminal.

A segurança para o jogo entre Borussia Dortmund e Monaco, nesta quarta, está sendo reforçada. Nem mesmo a entrada de mochilas será permitida no Signal Iduna Park. Já sobre Marc Bartra, as notícias são boas. A cirurgia à qual foi submetido se saiu bem e ele acompanhará o jogo pela TV, do hospital. Através das redes sociais, o zagueiro postou uma mensagem agradecendo a força: “Olá! Estou muito melhor, obrigado pelas mensagens! Toda a minha força aos meus companheiros, à torcida e ao BVB para o jogo de hoje!”.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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